Segundo ele, nem todos os detalhes do projeto foram definidos e apresentados à população, o que contribui para dúvidas e inseguranças.
"Paraisópolis é muito grande. Nem todo mundo recebe a informação ao mesmo tempo e ainda existem pontos do projeto que estão sendo discutidos. Isso acaba gerando interpretações diferentes e preocupações legítimas da população", diz.
Participação popular
Apesar das incertezas, ele afirma que o diálogo entre as lideranças comunitárias e o poder público tem ocorrido de forma constante. Entre as principais demandas dos moradores estão a ampliação de equipamentos públicos, especialmente nas áreas de educação, saúde e arborização.
Gabriel avalia, no entanto, que a participação popular pode ser ampliada. Segundo ele, é importante que consultas públicas e reuniões com representantes da Prefeitura ocorram em horários acessíveis para os trabalhadores da comunidade.
A Prefeitura abriu uma consulta pública para receber contribuições da população entre os dias 3 e 17 de junho.
"Esse tipo de consulta precisa acontecer de forma presencial e fora do horário comercial. Não adianta marcar uma reunião no meio da tarde se a maior parte dos moradores está trabalhando. Para que a população participe e tire suas dúvidas, é preciso levar os secretários e os responsáveis pelo projeto para dentro do território em horários que permitam a presença dos moradores", afirma.
A expectativa das lideranças é que a urbanização represente não apenas melhorias na infraestrutura, mas também a ampliação do acesso a serviços essenciais para uma população que continua crescendo dentro da comunidade.
Paraisópolis e o prédio com uma piscina por andar ao fundo
Cíntia Acayaba/g1
Incêndio
Na manhã desta quinta, um incêndio de grandes proporções atingiu a região da comunidade de Paraisópolis.
Pelo menos 150 famílias ficaram desalojadas após as chamas atingirem cerca de 60 barracos. De acordo com lideranças da comunidade, diversas construções abrigavam mais de uma família em diferentes andares.
Não houve vítimas e as causas do incêndio ainda serão investigadas pelas autoridades.
De acordo com moradores da região, a Prefeitura de São Paulo iniciou, em 2021, um processo de remoção das famílias que viviam na área. A Defesa Civil classificou o local como área de risco para alagamentos e deslizamentos, mas, segundo os moradores, nenhuma intervenção definitiva foi realizada desde então.
“A Defesa Civil já mapeou a área mais de duas vezes. O risco foi identificado, mas não foi combatido. Hoje aconteceu esse incêndio. As famílias já deveriam ter sido retiradas e indenizadas”, afirmou uma liderança comunitária.
Após o incêndio, moradores retornaram ao local na tentativa de recuperar objetos e pertences que resistiram às chamas.
Dez caminhões dos bombeiros com cerca de 33 profissionais atuaram na ocorrência. O incêndio já foi controlado.





