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Bebê que morreu com bronquiolite sem vaga em CTI poderia ter sido atendida em enfermaria, diz especialista

Bebê que morreu sem vaga em CTI poderia ter sido levada para uma enfermaria, diz médico
O especialista em saúde pública José Sebastião dos Santos criticou, em entrevista à EPTV, afiliada da TV Globo, nesta quinta-feira (18), a forma como foi atendida a bebê de sete meses de Jaboticabal (SP) que morreu com bronquiolite após esperar pela disponibilidade de um leito de Centro de Terapia Intensiva (CTI) na região de Ribeirão Preto.
No início de junho, Antonella de Lima Melo ficou quase 24 horas à espera de uma vaga em hospitais públicos com superlotação depois da entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jaboticabal, que vive uma crise na saúde e decretou estado de calamidade.
Segundo o especialista, a criança, que teve piora nos sintomas enquanto permaneceu na UPA, poderia ter sido inicialmente levada a uma enfermaria de um hospital da cidade, onde poderia ter sido estabilizada até que a vaga em CTI de fato fosse disponibilizada.
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"É impossível em Ribeirão e região, com essa porção de recursos que nós temos, de hospitais, de profissionais, de equipamentos, acontecer isso. (.) Isso é inadmissível. É uma falta mesmo de solidariedade entre os serviços de saúde, entre os profissionais, de cooperação. A gente precisa ser um pouco mais colaborativo nessas circunstâncias", disse.
Antonella de Lima Melo morreu aos sete meses após ser levada à UPA de Jaboticabal, SP
Arquivo pessoal
Santos argumentou que a estrutura de uma enfermaria já seria mais adequada para as condições de uma criança em estado grave do que a UPA, e que isso poderia ter sido observado se houvesse menos burocracia e uma melhor cooperação entre os serviços médicos.

Morte de bebê em Jaboticabal
O atestado de óbito aponta que Antonella morreu no dia 1º de junho com síndrome respiratória aguda grave (SRAG) e bronquiolite.
Segundo os documentos, a bebê deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) na noite de 31 de maio. Ela foi admitida na Santa Casa de Sertãozinho (SP) cerca de 22 horas depois, por meio da Central de Regulação de Ofertas de Serviços de Saúde (Cross), ligada à Secretaria de Estadual da Saúde.

Mesmo após a transferência, deveria aguardar para ser internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A família afirma que houve falha do estado no atendimento prestado à criança porque os hospitais não tinham vaga para recebê-la.
A Secretaria de Saúde de Jaboticabal informou que a vaga foi aprovada, mas que Antonella não pode ser transferida porque o quadro de saúde era instável. Os casos de doenças respiratórias levaram a Prefeitura de decretar estado de calamidade.
Em nota, a Secretaria Estadual da Saúde lamentou a morte da bebê e disse que a paciente foi inserida na regulação estadual no final da noite do dia 31 de maio. A transferência foi autorizada no dia seguinte para a Santa Casa de Sertãozinho.
Antonella de Lima Melo, de sete meses, morreu com SRAG e bronquiolite em Jaboticabal, SP
Arquivo pessoal
Internar sem vaga em UTI é inaceitável, diz hospital de Jaboticabal
A despeito das declarações do especialista em saúde pública sobre a possibilidade de transferência para uma enfermaria, o Hospital Santa Isabel, principal centro de referência em saúde de Jaboticabal, informou que o caso de Antonella não poderia ser acolhido.
"Internar uma criança em estado grave que necessita de terapia intensiva em um hospital geral, sem dispor de uma Unidade de Terapia Intensiva Pediátrica (UTIP), representa um risco assistencial grave e inaceitável. Os equipamentos, leitos e materiais de um hospital geral são comumente dimensionados para o atendimento de adultos, e, no caso do Hospital e Maternidade Santa Isabel, tambem no atendimento de crianças em ambiente de enfermaria ou no momento do parto na maternidade", comunicou, em nota enviada à imprensa.

Segundo a instituição, embora a equipe seja qualificada, com médicos e enfermeiros intensivistas, o suporte avançado de vida em pediatria segue diretrizes mundiais rigorosas e distintas.

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