Piscina externa do hotel vista de cima.
Reprodução/Hotel Four Seasons Ritz Lisboa.
Na área gastronômica, o hotel reúne cinco restaurantes e bares. Entre eles está o CURA, restaurante com uma estrela Michelin, além do tradicional Restaurante Varanda, conhecido pelos cafés da manhã e brunches com vista para o parque.
As acomodações estão entre as mais luxuosas de Lisboa. Algumas das principais opções são: Suíte Almada Negreiros, com 175 metros quadrados e decoração voltada para a arte portuguesa;
Suíte Presidential, localizada no último andar; e Suíte Royal, que conta com três varandas e vista panorâmica da cidade.
Os quartos e suítes possuem terraços privativos voltados para o Parque Eduardo VII ou para o Rio Tejo.
PF aponta que Vorcaro pagava despesas de Ciro Nogueira
Os valores cobrados refletem o padrão de luxo do empreendimento. Em cotações para 2026, um quarto Premier com vista para o parque custava a partir de R$ 14 mil por noite. Já as suítes de categoria superior ultrapassavam R$ 28 mil por diária, enquanto a exclusiva Suíte Almada Negreiros chegava a cerca de R$ 100 mil por noite.
Entenda o caso
Segundo a PF, documentos encontrados nos e-mails de Vorcaro reforçam a suspeita de que ele arcou com despesas de hospedagem dos parlamentares durante a viagem a Lisboa.
Os investigadores identificaram uma fatura relacionada à estadia e concluíram que os pagamentos coincidem com as conversas mantidas pelo ex-banqueiro no mesmo período. O relatório aponta que as diárias atribuídas aos hóspedes custaram 3.155,71 euros, valor equivalente a cerca de R$ 18,2 mil na cotação da época.
Questionado sobre o caso, Hugo Motta afirmou estar tranquilo e disse defender uma investigação "isenta e imparcial". Ciro Nogueira não havia se manifestado até a publicação do relatório citado pela PF.
O ex-banqueiro preso Daniel Vorcaro, do Banco Master, pagou diárias de um hotel de luxo em Lisboa para o presidente da Câmara, o deputado Hugo Motta (Republicanos-PB), em 2024.
A conclusão é da Polícia Federal (PF) e consta de documentos enviados pelos investigadores ao Supremo Tribunal Federal (STF).
O relatório é parte do material produzido na Operação Compliance Zero, que investiga possíveis fraudes realizadas pela instituição financeira.
O documento menciona conversas entre Vorcaro e um auxiliar em que o então banqueiro afirma que precisaria de dois quartos na cidade para "Ciro e Hugo".
Ciro, no caso, é o senador Ciro Nogueira (PP-PI), segundo a PF, a quem Vorcaro daria – nas palavras dos investigadores – "tratamento privilegiado", incluindo o pagamento de viagens internacionais, hospedagem e refeição em hotéis de luxo para o parlamentar.
Questionado nesta terça-feira (16) sobre as informações, Motta disse apenas que está tranquilo, que as investigações e órgãos estão trabalhando e que defende a investigação isenta e imparcial. Ciro Nogueira ainda não se manifestou sobre o tema.
Vorcaro com Ciro Nogueira
Reprodução
Lisboa
Poucos dias depois das conversas sobre Lisboa, o auxiliar de Vorcaro informa que haveria duas suítes no hotel Four Seasons. Durante a conversa, o auxiliar pede que Vorcaro informe "a lista dos homens", ao que o banqueiro respondeu com uma lista de nomes que incluía Ciro Nogueira e Hugo Motta.
Os investigadores destacam que, na mesma conversa, Vorcaro enviou um áudio ao auxiliar pedindo cuidado com a privacidade e segurança.
"Leo, preciso muito que você dê uma atenção na questão de segurança. Cidade está lotada, eu tive lá no lugar agora. Tive uma reunião lá no clube. Tem que ter certeza que o lugar em frente ao restaurante também esteja privatizado porque senão dá pra ver tudo lá dentro. Tem que ter alguém lá embaixo, quando você sai do elevador já dá para ver tudo, quem tá, o que está acontecendo", diz Vorcaro no áudio. O auxiliar responde com "Ok."
Presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta
Marina Ramos / Câmara dos Deputados
Fatura no e-mail
A PF cruzou as informações das mensagens com documentos obtidos nos e-mails de Vorcaro, incluindo uma fatura que fazia menção a uma viagem realizada a Lisboa em junho de 2024 – para a PF, a mesma das mensagens.
"O confronto dessas informações com as conversas mantidas no mesmo período, já mencionadas, permite identificar elementos coincidentes que reforçam a conclusão de que determinados pagamentos se referem à hospedagem de Ciro Nogueira e Hugo Motta", diz o relatório. Segundo a PF, as diárias neste caso custaram EUR 3.155,71 – na cotação à época, cerca de R$ 18.256,21.





