Já as crônicas se desenvolvem de forma mais lenta e, em muitos casos, podem permanecer assintomáticas por meses ou anos.
"As leucemias agudas são emergências clínicas porque se reproduzem de forma abrupta e exigem tratamento agressivo imediato. Já as crônicas, mais frequentes em pessoas mais velhas, permitem um manejo mais tranquilo com os tratamentos que temos hoje", explicou ao g1 o onco-hematologista Breno Gusmão, da Beneficência Portuguesa de São Paulo e integrante do Comitê Médico da Abrale.
A classificação entre leucemias mieloides e linfoides também é importante. As mieloides afetam células precursoras que dão origem aos glóbulos vermelhos, plaquetas e parte dos glóbulos brancos. Já as linfoides atingem os linfócitos, células fundamentais para a defesa do organismo.
"A leucemia mieloide aguda é uma forma agressiva, que compromete a defesa do corpo e exige quimioterapia, imunoterapia ou até transplante de medula", explicou o oncologista Thiago Kaique, da Rede Mater Dei.
Quais são os sintomas?
Os sinais mais comuns incluem cansaço intenso, palidez, febre persistente, infecções frequentes, hematomas espontâneos e sangramentos pelo nariz ou gengivas.
"Pequenos sangramentos, como no nariz ou na gengiva, além de infecções repetidas, são sintomas de alerta que levam o paciente a procurar ajuda médica. A medula doente deixa de produzir plaquetas e células de defesa, o que aumenta sangramentos e infecções", afirmou a hematologista Joana Koury, membro do Comitê de Leucemias Agudas da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH).
Também podem ocorrer perda de peso, dores ósseas e suor noturno. Nas formas agudas, esses sintomas costumam surgir em poucas semanas.
Onde entra o novo tratamento
O diagnóstico da leucemia mieloide aguda geralmente começa com alterações identificadas no hemograma. A confirmação depende de exames da medula óssea, como o mielograma, além de testes genéticos que ajudam a identificar mutações e definir o tratamento mais adequado.
"O cariótipo e outros exames moleculares ajudam a prever se o paciente vai responder bem à quimioterapia ou se há maior risco de recidiva. Isso não apenas define o subtipo, mas também direciona o tratamento", explicou Joana.
Atualmente, os pacientes com leucemia podem receber diferentes abordagens terapêuticas, dependendo do subtipo da doença e de suas características genéticas. Entre elas estão a quimioterapia convencional, terapias-alvo, imunoterapia, medicamentos orais específicos e o transplante de medula óssea.
O que é o medicamento aprovado no SUS
O venetoclax pertence ao grupo das terapias-alvo. Ele atua bloqueando proteínas que ajudam as células tumorais a sobreviver. Já a azacitidina interfere no crescimento e na multiplicação das células doentes.
A combinação dos dois medicamentos se tornou uma das principais alternativas para pacientes com leucemia mieloide aguda que não conseguem tolerar a quimioterapia intensiva, cenário comum entre idosos e pessoas com outras doenças associadas.
"Nos últimos anos, tivemos avanços importantes, que permitem estratégias personalizadas. Em pacientes jovens com determinadas mutações, as chances de cura podem ser muito maiores", afirmou a onco-hematologista Sabrina Brant, do Hospital Sírio-Libanês de Brasília.
E o transplante?
Em alguns casos, especialmente entre pacientes mais jovens ou com maior risco de recaída, o transplante de medula óssea continua sendo uma das principais estratégias com potencial curativo.
O procedimento consiste em destruir a medula doente por meio de quimioterapia ou radioterapia e substituí-la por células-tronco saudáveis de um doador compatível.
"Mesmo com doadores 100% compatíveis, há risco de rejeição. Por isso, o paciente precisa de imunossupressores por meses. É um equilíbrio delicado entre evitar rejeição e não deixar o organismo vulnerável a infecções", explicou Breno Gusmão.
Com a publicação da portaria, o venetoclax associado à azacitidina passa a integrar oficialmente o rol de tecnologias incorporadas ao SUS para pacientes com leucemia mieloide aguda recém-diagnosticada e inelegíveis à quimioterapia intensiva. A expectativa é que a oferta seja implementada nos serviços públicos de saúde ao longo dos próximos seis meses.





