'Hoje é meu velório', diz homem com câncer terminal em celebração com chope e samba
Quando descobriu que o câncer de estômago não tinha cura, Tiago Martins Pitthan, de 49 anos, tomou uma decisão: parar de adiar os sonhos. O advogado, que vive em Campo Grande e fez velório em vida, deixou de fazer planos para um futuro distante e passou a concentrar energia nas experiências que ainda deseja viver, como aprender a surfar, visitar o irmão em Portugal novamente e levar a mãe para conhecer o México. Veja o vídeo acima.
"Eu não estou em contagem regressiva. Eu estou em contagem progressiva. Cada dia é um dia mais que eu vou viver."
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Novos sonhos
Com as limitações físicas impostas pela doença, algumas atividades precisaram ser deixadas para trás. O futebol, a corrida e o ciclismo ficaram mais difíceis.
Mas ele encontrou uma alternativa: substituir sonhos impossíveis por outros que ainda podem ser realizados.
"Não posso mais correr. Não consigo jogar futebol. Não consigo pedalar. Então troquei paixões."
Entre os próximos objetivos está aprender a surfar. "Vou aprender a surfar."
A lista inclui ainda visitar o irmão em Portugal novamente e realizar um antigo desejo da mãe. "Quero levar minha mãe ao México."
O disjuntor
Tiago Pitthan durante a celebração da própria vida, realizada em Campo Grande.
Alison Lima
A forma como Tiago encara a morte também chama atenção. Ateu, ele diz que nunca enxergou o fim da vida como algo sobrenatural. "Eu vejo a morte como desligar o disjuntor."
Segundo ele, o diagnóstico não mudou sua visão sobre a morte, mas transformou completamente sua relação com o tempo.
"O que mudou é que eu não postergo mais as coisas."
Por isso, diz que prefere concentrar energia no que ainda pode viver.
"Eu já ganhei do câncer. Ele vai me tirar a vida em algum momento, mas é só o que ele vai tirar. Ele não vai tirar um minuto de um dia meu."
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