Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

‘Ela queria dar aula de Educação Física’: ex-professor relembra jovem que morreu em salto de rope jump no interior de SP

A jovem caiu de uma altura de 40 metros e teve a morte constatada no local pelas equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros.
Segundo a Polícia Civil, o equipamento grosso que deveria estar preso ao corpo da vítima para segurar a queda foi esquecido e ficou enrolado no chão da estrutura de salto.

Uma testemunha, que saltaria logo após a jovem, relatou que os instrutores não fizeram a checagem de segurança na vez de Maria Eduarda.
O que é rope jump?
O rope jump (pulo com corda) é um esporte radical em que o praticante salta de locais altos, como pontes e viadutos, preso a um sistema de cordas semelhante ao de escalada.

Ao contrário do bungee jump, que usa uma corda elástica e faz a pessoa "quicar", o rope jump interrompe a queda de forma controlada e faz o praticante balançar de um lado para o outro, como um pêndulo humano.
Por ser uma atividade de risco extremo, empresas profissionais adotam protocolos rígidos, como a checagem dupla, onde mais de um instrutor confirma se todos os equipamentos estão fixados antes de autorizar a queda.
Quem era responsável pelo salto?
Os homens que aparecem no vídeo empurrando a jovem usavam camisetas das marcas "Entre Cordas" e "Ih Voei". Segundo a polícia, os nomes são de grupos informais de praticantes, e não há empresas oficiais por trás da operação.
Eles eram um grupo de praticantes do esporte que se conheceram e, há cerca de um ano, passaram a promover eventos em vários destinos.
Ao todo, três homens foram autuados em flagrante por homicídio com dolo eventual, quando se assume o risco de matar: Luis Felipe Feliciano Egoroff, de 32 anos; Vitor de Freitas Gonçalves, de 27 anos; e Maicon Fernandes Cintra, de 42 anos.
Por que a corda não foi presa à jovem na hora do salto?
Segundo testemunhas e a Polícia Civil, houve uma falha grave na checagem dos equipamentos e os instrutores simplesmente esqueceram de conectar o sistema de segurança em Maria Eduarda.

Um cliente que saltaria logo em seguida relatou que os funcionários ignoraram a conferência padrão na vez dela. A corda grossa que deveria segurar a queda da jovem ficou enrolada no chão da plataforma.
Em depoimento à polícia, os três instrutores presos não souberam explicar o motivo do erro. A delegada responsável pelo caso afirmou que eles se mostraram desnorteados e alegaram não se recordar de quem era a obrigação de colocar a corda, nem o porquê de a fiscalização final não ter sido feita antes de empurrarem a vítima.
Morte de jovem em rope jump sem corda: três homens serão investigados por homicídio com dolo eventual
Reprodução
O grupo tinha autorização para atuar no local?
A polícia informou que o grupo não tinha nenhum tipo de autorização para realizar saltos na região da Ponte do Esqueleto. Mesmo sem a permissão legal para uso do espaço, a atividade organizada por eles naquele sábado reunia cerca de 100 participantes.
Quais os crimes investigados e próximos passos da investigação?
Os três foram presos em flagrante e serão investigados pela Polícia Civil por homicídio com dolo eventual — que é quando a pessoa não tem a intenção direta, mas assume o risco de matar.
Para a delegada do caso, ao não fazerem a checagem da corda, eles assumiram o risco de produzir o resultado trágico.
A polícia agora vai ouvir outras testemunhas e aguarda a conclusão dos laudos da perícia. Com o avanço do inquérito, os instrutores poderão ser formalmente denunciados à Justiça e responder criminalmente pela morte da jovem.
Qual o posicionamento dos instrutores presos?
O advogado de defesa afirmou que os três clientes são apaixonados pelo esporte, atuam há anos e nunca tiveram problemas. Ele classificou o caso como uma "triste fatalidade".
De quem é a responsabilidade pelo local?
A Ponte do Esqueleto, onde ocorreu a tragédia, é de responsabilidade do Governo Federal. Em nota, a Secretaria do Patrimônio da União (SPU) disse estar "à disposição das autoridades para colaborar nas investigações".
Segundo o Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, o local faz parte do patrimônio imobiliário da extinta Rede Ferroviária Federal (RFFSA) e foi classificado como bem não operacional a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT).
"A ponte do Esqueleto pertencia a trecho não implantado do ramal da RFFSA entre Limeira e Cordeirópolis, no interior de propriedades particulares. A transferência patrimonial para a superintendência da SPU de São Paulo foi finalizada em março de 2026", detalhou, em nota.
A Prefeitura de Limeira informou que vai processar a União por omissão. A administração municipal alega que já havia enviado ofícios aos órgãos federais cobrando medidas de segurança, manutenção e controle de acesso à área, que apresenta riscos conhecidos há anos, mas nenhuma providência foi tomada.
Ponte do Esqueleto, em Limeira; jovem de 21 anos morreu após fazer salto de rope jump sem corda
Wesley Almeida/EPTV

Tags:

Gostou? Compartilhe!

Mais leitura
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore