Denúncias de trabalho infantil passam de 22 para 75 em 1 ano na região de Ribeirão Preto
Na região de Ribeirão Preto (SP), o número de denúncias de trabalho infantil teve um salto expressivo nos primeiros cinco meses deste ano.
Segundo dados do Ministério Público do Trabalho (MPT), os registros passaram de 22 registros entre janeiro e maio de 2025, para 75 no mesmo período de 2026, o que representa uma alta de 245%.
O cenário na região reflete uma tendência observada em todo o interior de São Paulo, onde o volume de queixas mais que dobrou.
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Entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizadas 448 denúncias de exploração de crianças e adolescentes nos municípios do interior paulista, um aumento de 102% em relação ao mesmo período do ano passado.
Para combater essa violação e reverter os números, a campanha nacional "Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil" aproveitou o clima de Copa do Mundo para convocar a sociedade a "entrar em campo" na defesa dos direitos das crianças. A iniciativa marca o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil, celebrado nesta semana (entenda abaixo).
Do total de 1,65 milhão de jovens explorados no Brasil, 560 mil estão expostos às piores formas de exploração, como atividades perigosas, trabalhos em lixões ou exploração sexual.
Recentemente em Franca (SP), uma operação contra trabalho infantil afastou 104 adolescentes de atividades perigosas nos setores calçadista, têxtil e frigorífico.
Durante as inspeções, auditores-fiscais do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) identificaram aproximadamente 60 destes adolescentes operando máquinas motorizadas e em movimento, atividade proibida para menores de 18 anos.
Flagrante de trabalho infantil TRT-7/Reprodução
Prejuízos físicos e evasão escolar
Além de afastar os jovens das salas de aula — dados do IBGE apontam que a frequência escolar cai de 90,5% para 81,8% entre adolescentes de 16 e 17 anos em situação de trabalho irregular –, a prática traz sérios riscos à saúde.
Apenas em 2024, foram registradas mais de 5,6 mil ocorrências de acidentes de trabalho envolvendo crianças e adolescentes no Brasil.
"É prejudicial sob o aspecto físico, porque ele não tem a formação física para estar trabalhando com máquinas, com qualquer tipo de trabalho. A maior parte dos acidentes com perdas físicas, motoras e até fatais é configurada nessa faixa etária. E também do ponto de vista psicológico, porque a criança é retirada da formação lúdica", afirma a juíza Márcia Mendes.
De acordo com a magistrada, o trabalho infantil é um problema estrutural e geracional, tendo a miséria como origem e fim.
"Uma família extremamente pobre leva suas crianças ao trabalho precoce. O resultado é a pobreza extrema também. É um círculo vicioso. Quem vai precocemente para o trabalho evade da escola cedo e vai para uma baixa empregabilidade. É o Estado que tem que entrar nesse ciclo, retirar essa família e propiciar a ela um futuro diferente".
Crianças e adolescentes brasileiros em situação de trabalho infantil
Reprodução/TV Globo
União de esforços e alternativa legal
A campanha "Cartão Vermelho", realizada pelo governo federal em parceria com o MPT e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), busca mostrar que o problema é global. Em todo o mundo, 138 milhões de crianças estão em situação de trabalho infantil.
Como principal estratégia para enfrentar a situação sem fechar as portas para o desenvolvimento dos jovens, o Tribunal Superior do Trabalho (TST) destaca a aprendizagem profissional.





