"Com isso, o volume de sangue diminui, o coração precisa bater mais rápido para manter o sangue circulando, e a temperatura do corpo começa a subir perigosamente. É como se o motor do carro estivesse superaquecendo e o líquido de arrefecimento estivesse acabando", compara.
Michele Trindade, nutricionista e vice-presidente da Associação Brasileira de Nutrição Esportiva (ABNE), também explica que, nesse momento, há uma espécie de conflito circulatório.
Isso porque o corpo precisa acelerar o batimento cardíaco ao mesmo tempo que a demanda de oxigênio pelos músculos permanece alta.
🥵E esse quadro pode gerar uma série de consequências negativas para o organismo do jogador. Entre elas, os especialistas destacam:
Câimbras
Exaustão pelo calor
Insolação
Além disso, eles também acrescentam que o calor extremo aumenta o risco de lesões musculares, uma vez que o músculo aquecido e desidratado fica mais vulnerável a rompimentos.
Sintomas do superaquecimento
Mesmo o sinais mais sutis ao longo da partida podem indicar que algo já não vai bem com o corpo – e o desconforto é o primeiro sinal de alerta.
"Quando o calor passa a representar risco, aparecem sintomas como tontura, fraqueza muscular excessiva, náusea, dor de cabeça intensa, confusão mental, pele quente e seca (quando o corpo já não consegue mais suar), e até desmaios", lista Gilberto.
Esse quadro descrito pelo médico ainda é caracterizado por ser uma exaustão térmica, isto é, quando há uma perda excessiva de sais (eletrólitos) e líquidos devido ao calor.
Insolação x exaustão térmica: quais os riscos das altas temperaturas e quando ficar em alerta?
Mas, se a exaustão não for tratada, pode causar a insolação, que eleva a temperatura corporal a 40ºC ou mais – a temperatura considerada normal varia entre 36ºC e 37,2ºC.
Os casos de insolação são considerados os mais graves, quando o organismo entra realmente em colapso, com sérios risco de comprometimento neurológico, lesões nos rins e, até, morte.
➡️Entre os principais sintomas estão:
Tonturas
Sensação de desmaio iminente
Má coordenação motora
Fadiga
Dor de cabeça
Visão embaçada
Dores musculares
Náusea
Vômitos
Convulsões
Pausa para hidratação e resfriamento do corpo
Nesse contexto de tantos potenciais efeitos negativos que as altas temperaturas podem gerar no corpo, a pausa para hidratação em meio aos jogos no calor se torna uma questão de segurança para a saúde dos atletas.
Além da paralisação permitir que o jogador faça a ingestão de líquidos, ela é importante porque interrompe, ainda que momentaneamente, o esforço físico.
"A pausa (conhecida como cooling break) é vital para interromper a produção de calor metabólico. No futebol, sprints repetidos, arrancadas e mudanças de direção e contato físico geram uma carga térmica interna imensa. A pausa permite que o sangue retorne da periferia para o núcleo central e músculos, além de oferecer a oportunidade crítica de repor o volume plasmático", analisa Michele.
Ururahy ainda pontua que "é como dar uma pausa para o motor esfriar antes que ele funda".
Ainda que a pausa tenha somente três minutos, já é suficiente para que a temperatura corporal reduza, aliviando a sobrecarga cardiovascular e permitindo que o organismo de recupere minimamente.
Outro ponto importante é que esse pequeno descanso pode ajudar na melhora do desempenho ao longo da partida.
🏃🏻Isso porque, quando o jogador está desidratado, há uma perda na capacidade de tomar decisões rápidas, diminuição na força, piora na coordenação motora e aumento no tempo de reação.
"A pausa permite que ele restabeleça, ainda que parcialmente, suas funções físicas e mentais. Com isso, ele consegue manter um ritmo mais constante ao longo do jogo, evitando quedas bruscas de rendimento no segundo tempo", observa o especialista.
Hidratação ao longo do jogo
Por se tratar de um cenário de calor e exercício intensos, a hidratação não é tão simples como a do dia a dia, ou seja, apenas água não é suficiente quando a perda de suor é muito grande.
Os especialistas explicam que, por mais que a água seja essencial na hidratação, ela não repõe os sais minerais perdidos.
"O ideal é ingerir bebidas que contenham eletrólitos, como sódio e potássio", comenta Ururahy.
Eles ainda afirmam que não há uma quantidade exata de líquido que cada jogador deve ingerir na pausa, mas o recomendado é que o atleta beba o suficiente para matar a sede e crie uma certa reserva.
"Não existe um valor universal, mas, em pausas de três minutos, sugere-se a ingestão de 200 ml a 400 ml de bebidas esportivas geladas, que também auxiliam no resfriamento interno", afirma Trindade.





