“Com isso, o Rio de Janeiro vai se tornar o epicentro da conectividade, energia e logística estratégica do Sul Global”, afirmou Cavaliere.
O CEO e fundador da Elea Data Centers, Alessandro Lombardi, afirmou que a proposta vai além da construção de infraestrutura tecnológica.
“O Rio é uma cidade vibrante, inovadora e de características únicas. A Rio AI City nasce da inquietação de aproveitar este cenário para transformar a Cidade Maravilha em um grande polo de aceleração de inteligência artificial. Esse é mais do que um projeto de IA, é uma visão de longo prazo para posicionar o Rio no centro da transformação digital, combinando infraestrutura digital, capital humano, sustentabilidade e impacto positivo”, disse Lombardi.
Segundo ele, o objetivo é construir um ecossistema capaz de atrair investimentos, gerar empregos qualificados e inserir o Brasil no centro da economia digital.
Eduardo Cavaliere anuncia no Web Summit aporte de US$ 550 milhões para projeto Rio AI City
Divulgação
O que é o Rio AI City
O Rio AI City é um projeto que prevê a construção de um grande complexo de data centers dedicados à inteligência artificial na região do Parque Olímpico, na Barra Olímpica.
A proposta faz parte da estratégia da prefeitura para posicionar o Rio como referência global na economia digital e prevê investimentos totais estimados em cerca de US$ 65 bilhões ao longo da próxima década.
A 1ª fase prevê capacidade energética de 1,5 gigawatt (GW), com expansão para até 3 GW em 2032. O complexo já conta com o data center RJO1 em operação e deverá ganhar novas unidades voltadas ao processamento de aplicações de inteligência artificial e computação em nuvem.
A expectativa é gerar mais de 10 mil empregos qualificados, além de atrair startups, centros de pesquisa e grandes empresas de tecnologia.
Alto consumo de energia
A corrida mundial pela inteligência artificial aumentou significativamente a demanda por data centers, estruturas responsáveis pelo processamento e armazenamento de grandes volumes de dados.
Esses empreendimentos exigem enorme capacidade energética para alimentar supercomputadores e sistemas de resfriamento.
No caso do Rio AI City, a capacidade prevista para a primeira etapa é de 1.500 megawatts, equivalente, no limite, ao consumo diário de aproximadamente 6 milhões de residências.
Presidente da Elea, Alessandro Lombardi
Raoni Alves/g1
Especialistas destacam que o consumo efetivo pode variar de acordo com a operação, mas alertam para a necessidade de expansão da infraestrutura elétrica e de planejamento ambiental para suportar empreendimento desse porte.
Mercado de data centers
O crescimento da inteligência artificial transformou os data centers em ativos estratégicos para governos e empresas.
Aplicações como o ChatGPT e outros modelos avançados exigem infraestrutura computacional de alta capacidade, impulsionando investimentos bilionários em diversos países.
Segundo estudo apresentado durante o Rio Innovation Week de 2025, o Brasil ocupa posição relevante na América Latina, mas seu mercado ainda é cerca de 27 vezes menor que o dos Estados Unidos.
A análise aponta que o Rio possui vantagens competitivas importantes, especialmente pela disponibilidade de energia, pela infraestrutura de telecomunicações e pela presença de cabos submarinos que conectam o Brasil a outros continentes.
Outro diferencial é a possibilidade de expansão da capacidade instalada, condição considerada essencial para projetos de grande escala em inteligência artificial.
Desafios para consolidar o hub
Apesar do potencial, especialistas apontam que o sucesso do projeto depende de uma série de fatores além da construção física dos data centers.
Elea Data Centers prevê quatro data centers, além de prédios para centros de pesquisa, startups e outros, em complexo em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro
Divulgação/Elea Data Centers; Dhara Pereira/g1
Entre os principais desafios estão o acesso confiável e competitivo à energia elétrica, a ampliação da infraestrutura de telecomunicações, a disponibilidade de terrenos com licenciamento ágil e a formação de mão de obra qualificada.
Também entram nessa lista a criação de um ambiente regulatório favorável aos investimentos e a redução da burocracia para implantação de grandes empreendimentos tecnológicos.
Outro ponto considerado estratégico é garantir capacidade futura de expansão da rede elétrica, já que o aumento da demanda por inteligência artificial tende a elevar significativamente o consumo energético nos próximos anos.
Pontos positivos para o Rio AI City
Os estudos apresentados sobre o projeto indicam que o Rio reúne características consideradas raras para esse tipo de investimento.
Entre elas estão:
matriz elétrica brasileira com forte participação de fontes renováveis;
infraestrutura consolidada de telecomunicações;
presença de backbones e cabos submarinos internacionais;
disponibilidade de áreas para expansão na região da Barra da Tijuca;
capacidade de crescimento da oferta energética;
ambiente urbano capaz de atrair profissionais qualificados;
articulação entre Prefeitura, governo federal, BNDES, Finep, Eletrobras e iniciativa privada.
Para Alessandro Lombardi, o projeto também representa uma estratégia de soberania digital para o país.
“O Brasil é a segunda maior nação das Américas e uma das grandes democracias. Por que não tem a soberania dos seus dados? Queremos criar aqui uma base robusta de data centers, atrair big techs e transformar o Rio em um ecossistema global de inovação”, afirmou.
A expectativa dos envolvidos é que o Rio AI City transforme a cidade em um dos principais polos mundiais de infraestrutura para inteligência artificial, inserindo o Brasil em um mercado que se tornou estratégico para a economia e para a geopolítica tecnológica.





