Lula durante conversa com jornalistas em Brasília
Adriano Machado/Reuters
O Banco Mundial reduziu, nesta quinta-feira (11), sua previsão de crescimento para a economia brasileira em 2026 para 1,9%, uma redução de 0,1 ponto percentual (p.p.) em comparação à projeção de janeiro.
Para os próximos anos, a projeção da instituição foi de 2% para 2027 — queda de 0,3 p.p. ante a previsão anterior — e de 2,2% para 2028. As informações são do relatório semestral “Perspectivas Econômicas Globais” do banco.
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As projeções para a economia global também pioraram. Segundo o Banco Mundial, a previsão de crescimento passou para 2,5% em 2026 devido à guerra no Oriente Médio. O valor representa uma queda em relação à previsão de janeiro, de 2,6%, e é a mais baixa observada desde o início da pandemia de Covid no final de 2019.
A instituição também afirmou que a expansão pode desacelerar para apenas 1,3% caso as interrupções no abastecimento de energia se revelem mais graves e sejam acompanhadas de tensões significativas nos mercados financeiros.
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Segundo o relatório, o crescimento global atingiu 2,9% em 2025, um aumento de 0,2 p.p. em relação à estimativa de janeiro.
Impactos da guerra
O Banco Mundial também reduziu as previsões para dois terços dos países como resultado da guerra, com os maiores cortes afetando os Emirados Árabes Unidos, o Iraque e outros países do Oriente Médio cujas exportações de energia foram duramente afetadas pelo conflito.
A perspectiva da instituição surge no momento em que a guerra iniciada em 28 de fevereiro se arrasta pelo quarto mês.
O conflito provocou um aumento acentuado nos preços da energia devido ao fechamento do Estreito de Ormuz, renovou as pressões inflacionárias em todo o mundo e alimentou expectativas de uma política monetária mais restritiva em muitos países. Os preços dos fertilizantes também subiram acentuadamente, gerando preocupações sobre uma grave crise no abastecimento de alimentos.
Os preços do petróleo fecharam quase US$ 2 mais altos na quarta-feira (10), depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que o país atacaria o Irã “com muita força” se nenhum acordo de paz fosse finalizado, após uma das mais significativas trocas de tiros desde o cessar-fogo de abril.
O Banco Mundial afirmou que sua previsão básica pressupõe um preço médio do petróleo Brent de US$ 94 para o ano, alta de 36% em relação a 2025, e que as piores interrupções no abastecimento de energia diminuiriam até o final de julho, com a inflação global estimada em 4%.
O banco afirmou que o crescimento pode desacelerar para 2,1% se as interrupções no abastecimento de energia se prolongarem e os preços do petróleo ficarem em média em US$ 115 por barril este ano, o que pode elevar a inflação para 4,4%.
As perspectivas se agravariam ainda mais, com o crescimento desacelerando para apenas 1,3%, se o choque energético afetar os mercados financeiros, resultando em preços mais baixos da energia, maior volatilidade e menor confiança, afirmou.
“Esses cenários de risco mostram como as perspectivas podem se deteriorar rapidamente se as pressões de energia e financeiras se reforçarem mutuamente”, disse Ayhan Kose, vice-economista-chefe do Banco Mundial. Se o choque energético desencadear um choque no mercado financeiro, a confiança pode se deteriorar rapidamente, afirmou ele.
Crescimento é inferior ao da última década
O crescimento global deve melhorar para 2,8% em 2027 e 2028, mas isso permanece 0,4 ponto percentual abaixo das taxas médias observadas durante a década de 2010 devido a uma série de fatores, incluindo crescimento populacional mais lento, crescimento mais fraco do investimento privado, queda do investimento público, aumento da dívida pública e expansão mais lenta do comércio, disse o economista-chefe do Banco Mundial, Indermit Gill.
“A economia mundial está muito menos resiliente hoje do que em 2008 e mesmo em comparação com 2018”, disse Gill a repórteres, prevendo que os próximos anos serão marcados por alta incerteza política, pressões inflacionárias e taxas de juros elevadas.
O crescimento fraco nas economias em desenvolvimento estagnou o progresso em direção aos níveis de renda das economias avançadas, com dezenas de países em desenvolvimento, excluindo China e da Índia, enfrentando uma “década perdida” na qual não viram progresso na redução da diferença de renda per capita em relação às economias avançadas, segundo o relatório.
As economias em desenvolvimento foram mais duramente afetadas pela guerra, com o banco projetando agora um crescimento de 3,6% neste ano — o menor nível pós-pandemia —, ante 4,4% em 2025.
O banco manteve ainda sua previsão de crescimento de 2,2% para a economia dos EUA em 2026, mas afirmou que esse número pode cair para 2,1% em 2027 e 2% em 2028. A zona do euro deve crescer 0,8% em 2026, ante 1,4% em 2025.
O Banco Mundial projetou um crescimento do PIB de 4,2% na China em 2026, uma revisão para baixo de 0,2 ponto percentual, após crescimento de 5% em 2025.
O Banco Mundial reduziu sua previsão para o crescimento do PIB no Oriente Médio, Norte da África, Afeganistão e Paquistão em 2,7 pontos percentuais, para 1,6% em 2026, ante 4% em 2025, mas afirmou que o crescimento na região pode se recuperar para 5% em 2027.





