Sadi: Quaest mostra impacto de Vocaro, tarifaço na candidatura de Fávio Bolsonaro
A nova pesquisa Quaest divulgada nesta quarta-feira (10) ajuda a explicar um movimento que vem aparecendo no debate político nas últimas semanas: a associação entre Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tem produzido efeitos positivos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Quando se olha para os números do levantamento, o cenário é resultado de uma combinação de fatores.
O primeiro deles é o caso envolvendo Daniel Vorcaro, dono Banco Master. Segundo a leitura identificada pela pesquisa entre eleitores independentes — grupo considerado estratégico para qualquer uma das candidaturas ao Planalto —, há a percepção de que o dinheiro que Flávio disse ter pedido para financiar o filme "Dark Horse", sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), é associado a suspeitas de corrupção.
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
Reprodução
O dado reforça que corrupção deve voltar a ser um tema relevante na disputa eleitoral e continua mobilizando parte do eleitorado.
O segundo ponto envolve a segurança pública. A pesquisa mostra que os entrevistados reconhecem PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Ao mesmo tempo, aparece uma percepção de que os problemas brasileiros devem ser resolvidos pelo próprio Brasil.
O levantamento mostra que 60% defendem que as facções sejam classificadas como organizações terroristas pelo governo brasileiro. Quando a pergunta trata da decisão adotada pelos Estados Unidos, porém, o país se divide: 45% concordam com a medida e 45% discordam.
A pesquisa também mostra que 47% acreditam que o senador influenciou Trump na decisão de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas. Outros 37% avaliam que ele não teve participação.
O terceiro fator é o novo tarifaço anunciado pelos Estados Unidos contra produtos brasileiros.
Segundo a Quaest, 47% dos entrevistados concordam mais com Lula, que acusa Flávio Bolsonaro de ter pedido as novas tarifas contra o Brasil. Outros 35% concordam mais com a versão do senador, que diz ter solicitado a Trump que não adotasse novas taxas sobre produtos brasileiros.
Os números sugerem que Donald Trump se tornou "cabo eleitoral" de Lula. A percepção captada pela pesquisa é de que houve participação de Flávio Bolsonaro na articulação junto ao governo americano, o que acaba fortalecendo a narrativa explorada pelo Planalto.
O cenário também lembra o impacto político observado durante o primeiro "tarifaço", há cerca de um ano, quando o governo passou a reforçar o discurso de defesa da soberania nacional e viu sua avaliação melhorar.





