Operação na Maré para prender 56 pessoas mobiliza Bope e Core; há tiroteio e barricadas em chamas
A Polícia Civil encontrou, durante uma operação nesta quarta-feira (10) no Complexo da Maré, lojas de um centro comercial que vendiam produtos roubados por criminosos do Terceiro Comando Puro (TCP). A organização criminosa também mantinha um depósito com os materiais.
Até a última atualização desta reportagem, 20 homens haviam sido presos.
Segundo a diretora do Departamento Geral de Polícia da Capital, Raíssa Celles, a polícia encontrou cigarros eletrônicos e celulares de origem não comprovada.
"No interior delas, foi encontrada uma grande quantidade de cigarros eletrônicos contrabandeados que estavam sendo expostos à venda nessas lojas, além também de uma grande quantidade de celulares de origem ilícita, e pelo menos três celulares roubados", disse a diretora do DGPC.
O delegado Thiago Dorigo explicou que traficantes da Pedreira e da Maré fizeram um "consórcio criminoso", e destacou que a facção comete roubos de carga praticamente diários: "Os traficantes da Pedreira ficavam incumbidos de abordar os caminhões na Avenida Brasil, Linha Vermelha e Linha Amarela e trazer para uma dessas comunidades aqui na Maré", disse o delegado.
6 ações simultâneas
As polícias Civil e Militar iniciaram nesta quarta-feira a Operação Trinus, contra o tráfico de drogas no Complexo da Maré, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Desde o início da manhã de quarta-feira (10), são 6 ações simultâneas para combater diferentes crimes, incluindo roubos, homicídios e exploração sexual infantil.
Os agentes tentam cumprir 56 mandados de prisão e 42 de busca e apreensão contra traficantes do Terceiro Comando Puro (TCP).
O TCP estabeleceu uma “tabela de recompensas” para os ladrões. Aparelhos desbloqueados alcançavam até R$ 2.500, enquanto aparelhos bloqueados eram avaliados entre R$ 300 e R$ 600.
3. Tentativa de homicídio contra adolescente
Em 18 de setembro de 2024, por volta das 9h50, um pai e sua filha adolescente trafegavam em um veículo pela Avenida Brasil quando, ao tentar acessar a Linha Amarela com auxílio do GPS, erraram o caminho e entraram na Baixa do Sapateiro.
Michel Simioni e Valentina Betti Simioni vieram ao Rio para tirar o visto americano no Consulado dos Estados Unidos.
Ao perceber o engano, Michel tentou recuar. Um HRV azul emparelhou com o carro da família, e os ocupantes, com os vidros abertos, ordenaram parar. Michel viu um fuzil no HRV e optou por acelerar para fugir.
Os criminosos abriram fogo, e Valentina, que estava no carona, foi atingida pelos tiros. Ao acessar a Linha Amarela, o condutor encontrou uma viatura da Polícia Militar e pediu socorro.
A polícia identificou 2 soldados do tráfico no episódio.
Valentina ficou quase um mês hospitalizada.
4. Exploração sexual infantil
Uma denúncia à 21ª DP trouxe provas de divulgação e troca de material de abuso sexual infantil em aplicativos de mensagens. Entre as vítimas nos vídeos havia até bebês.
As investigações identificaram que um dos alvos mantinha conversas para combinar encontros com um adolescente de 13 anos.
Nesta quarta-feira, agentes cumprem mandados de busca para a apreensão de dispositivos eletrônicos.
5. Violência doméstica e posse ilegal de armas
Na madrugada de 12 de janeiro, por volta da 1h30, uma mulher foi informada que sua filha adolescente, de 14 anos, encontrava-se em um bar na Praça do 18, na Baixa do Sapateiro, acompanhada do ex-padrasto.
Ao se dirigir ao local para retirar a menor, essa mãe foi agredida pelo ex, que a agarrou pelos cabelos, jogou-a ao chão e desferiu um soco em seu rosto, além de ameaçá-la.
A vítima compareceu à 21ª DP e requereu representação criminal e medidas protetivas de urgência nos termos da Lei Maria da Penha.
No curso da investigação, a delegacia descobriu que o investigado possuía armas de fogo sem autorização.
6. Roubo circunstanciado na Avenida Brasil
Na manhã de 26 de maio, por volta das 8h, um casal foi abordado por 2 criminosos enquanto trafegava de automóvel pela Avenida Brasil.
A dupla agiu de forma coordenada: um deles, portando pistola, manteve o condutor sob ameaça, enquanto o outro abriu a porta do carona e passou a subtrair os bens do casal.
Entre os objetos roubados estavam aliança, relógio, cordão, aparelho celular e cartão bancário. A vítima do banco do carona relatou que o criminoso a mordeu para arrancar a aliança à força, além de exigir a senha de desbloqueio do celular. Os bandidos fugiram na contramão.
Após o roubo, a vítima acessou sua conta pelo computador e constatou que os criminosos passaram a enviar links de pagamento e a realizar várias movimentações financeiras.
As investigações revelaram ainda que os autores utilizaram o cartão bancário roubado para adquirir uma televisão de R$ 1,4 mil, com entrega em endereço no bairro de Ramos.
A análise desses links associou um CNPJ específico a um dos ladrões, permitindo sua identificação por nome, CPF, número de telefone e perfil em rede social. A vítima o reconheceu imediatamente.
A 21ª DP representou pela prisão preventiva do investigado. O outro ladrão ainda não foi identificado.





