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Como Mercadão de Ribeirão Preto, SP, renasceu após incêndio que destruiu prédio nos anos 1940

Como Mercadão de Ribeirão Preto, SP, renasceu após incêndio que destruiu prédio em 1942
Oito décadas atrás, um incêndio sem precedentes destruiu o Mercado Municipal de Ribeirão Preto (SP), um dos principais centros comerciais da cidade à época. As chamas tomaram conta do prédio, na Rua São Sebastião, na noite de 7 de outubro de 1942 e deixaram estragos incalculáveis.
As causas nunca foram confirmadas, mas o episódio marcou a região por quase deixar comerciantes sem um local para trabalhar.

Esta reportagem faz parte da série 'Histórias Escondidas', uma produção especial da EPTV, afiliada da TV Globo, para celebrar os 170 anos de Ribeirão Preto, comemorados em 19 de junho. Curiosidades, personagens marcantes e fatos que pouca gente conhece ajudam a entender a trajetória de uma das cidades mais importantes do estado de São Paulo.
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Com a destruição do imóvel, quem trabalhava no Mercadão perdeu as mercadorias e precisou ser transferido para barracas improvisadas na Avenida Francisco Junqueira, próximo do córrego da cidade.

A solução, que deveria ser temporária, acabou se prolongou por quase duas décadas. As estruturas enfrentavam problemas de higiene e comerciantes e a população precisaram conviver com o mau cheiro, o que gerava constantes reclamações.
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Quinze anos antes de o incêndio destruir o Mercadão, o espaço sofreu com uma forte enchente, que provocou alagamentos e prejuízos aos comerciantes.

Passados os dois episódios, o Mercado Municipal de Ribeirão Preto se reergueu e é considerado hoje um dos cartões-postais da cidade.

O início
A ideia de criar um Mercadão em Ribeirão Preto surgiu em 1881, para que os moradores contassem com um lugar para abastecer a despensa das famílias da cidade. O projeto, no entanto, demorou a sair do papel.

Segundo o livro 'Balcão de Histórias: relatos de comerciantes sobre a história do Mercadão de Ribeirão Preto', dos historiadores Adilson Baptista e Viviane Pironelli, a proposta só foi aprovada sete anos depois, em 1888, após discussões envolvendo a regulamentação do comércio de frutas na cidade.

A inauguração oficial aconteceu em 29 de outubro de 1900. Com estrutura de madeira, o prédio foi construído pela empresa Folena & Cia, responsável também pela administração do mercado durante os oito primeiros anos de funcionamento.

Depois deste período, a Prefeitura de Ribeirão Preto assumiu o controle do imóvel mediante o pagamento de 120 contos de réis (valor aproximado hipoteticamente de R$ 14 milhões nos dias atuais).
Desde os primeiros anos, o Mercadão se consolidou como um importante centro comercial. Além de alimentos e mantimentos, os consumidores encontravam no local ferramentas, relógios e diversos outros produtos.

A proximidade com a estação ferroviária facilitava a chegada de visitantes de outras cidades, enquanto produtores rurais e moradores das fazendas da região utilizavam carroças para fazer compras e transportar mercadorias.
Mercado Municipal, visto pela avenida Jerônimo Gonçalves esquina com rua São Sebastião
Aristides Motta
Alagamentos e incêndio
Ao longo da história, o Mercado Municipal enfrentou episódios que colocaram em risco a sobrevivência dele.

O primeiro grande desastre aconteceu em 7 de março de 1927, quando uma forte enchente alagou todo o quarteirão onde o mercado ficava. A inundação provocou prejuízos aos comerciantes, danificando tecidos, roupas, ferramentas e levando embora sementes e outros produtos.
Mas o episódio mais marcante viria 15 anos depois, na noite de 7 de outubro de 1942, justamente quando um incêndio destruiu completamente o Mercadão.

Até hoje, não há uma explicação definitiva para o início do fogo. As hipóteses mais aceitas falam de um curto circuito ou para a queda de um raio, já que, segundo relatos da época, uma forte chuva atingiu a cidade naquela noite.
Por anos, a reconstrução do mercado foi adiada. O município alegava falta de recursos para erguer um novo prédio, mesmo após a assinatura de um contrato, feita pelo prefeito José de Magalhães, em 1949, autorizando a obra.

Além das dificuldades financeiras, os comerciantes ainda enfrentavam preconceito e eram destratados por parte da população. A reconstrução do Mercado Municipal só começou a se concretizar em 1958.

Barracas construídas no local do antigo mercado municipal em Ribeirão Preto (SP)
Arquivo Histórico de Ribeirão Preto
Renascimento das cinzas
O novo prédio foi projetado com seis entradas e um amplo espaço interno para acomodar os comerciantes e consumidores.
A fachada ganhou um dos elementos mais marcantes da construção: um mural de azulejos criado pelo artista italiano Bassano Vaccarini, que se tornou uma das referências visuais do local.
Mais de seis décadas depois da reinauguração, o Mercadão continua sendo um dos principais pontos de comércio e convivência de Ribeirão Preto.

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