Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

De olho no Paulistão 2027, Juventus acelera reforma de estádio tombado na Mooca antes mesmo de ter alvará

A SAF foi questionada, mas não quis se manifestar sobre possíveis irregularidades no início antecipado das obras.
SAF-Juventus começou a vender cadeiras originais e pedaços do alambrado da Rua Javari
Reprodução/Instagram
Estádio é patrimônio de São Paulo
Inaugurado 1941, o Estádio Conde Rodolfo Crespi teve suas características arquitetônicas reconhecidas como patrimônio da cidade de São Paulo em 2016.
Anos depois, uma resolução do Conpresp definiu que os muros, a entrada principal e as bilheterias da Rua Javari devem ser preservadas, assim como as arquibancadas, as gerais (setor mais baixo e próximo do alambrado) e o campo de futebol, entre outras áreas. O conselho também estabeleceu que construções erguidas no terreno depois do projeto original podem sofrer alterações e até serem demolidas, mas que é preciso haver "apreciação caso a caso".
Em março, a SAF-Juventus enviou à prefeitura um projeto de restauro e reforma do complexo esportivo. Um relatório fotográfico indica uma série de danos e degradações, como rachaduras e infiltrações, que comprometem a estrutura do estádio.
O documento também destaca a descaracterização arquitetônica sofrida ao longo dos anos com a construção de "edificações espúrias" que prejudicam a leitura visual do bem tombado – entre elas está o ginásio que foi demolido em maio.
Projeto prevê a construção de novo edifício no lugar de ginásio demolido na Rua Javari
Reprodução
Para o arquiteto e urbanista Silvio Oksman, especialista em preservação de patrimônio, a reforma começou em maio de forma irregular. "Se ainda está 'em aprovação', não pode acontecer nada por lá", afirma A restrição, segundo o especialista, é geral até a decisão do Conpresp: "por mais que a resolução diga aquilo que deve ser preservado, o tombamento é feito no lote. Em princípio, tudo o que acontece lá dentro deveria passar pelo conselho", afirma o sócio do escritório Metrópole Arquitetos.
Por outro lado, ele avalia que o Conpresp foi vago ao definir somente como "apreciação caso a caso" o rito para autorizar intervenções em áreas não tombadas do estádio. Para ele, o documento deveria definir mais claramente a obrigatoriedade da aprovação pelo conselho nesses casos.
Estádio do Juventus na Mooca é tombado e estrutura deve ser preservada
Recurso para restauro foi desviado
A apresentação do projeto de restauro do estádio Conde Rodolfo Crespi marca uma virada de página para o Juventus, que, no ano passado, foi multado pela prefeitura e teve ex-dirigentes investigados pela polícia por suspeita de desvio do dinheiro que deveria custear obras de conservação e restauro do estádio.
Em 2022, o clube declarou que não tinha capacidade financeira para fazer a reforma e obteve na Prefeitura de São Paulo uma autorização para vender o "potencial construtivo" não utilizado no imóvel, que tem limitações à ampliação de sua área construída por causa do tombamento. Com a operação, o Juventus arrecadou cerca de R$ 2,3 milhões que deveriam ser aplicados na conservação do patrimônio tombado, conforme termo de compromisso assinado com a gestão municipal.
🔎O Plano Diretor de São Paulo de 2014 estabelece que empreendedores precisam pagar à prefeitura uma taxa chamada "outorga onerosa" para erguer prédios mais altos. A Transferência do Direito de Construir (TDC) permite que ele compre o "potencial construtivo" adicional de proprietários de imóveis tombados, geralmente por um preço menor, em vez de pagar a taxa diretamente aos cofres públicos. Em tese, o dinheiro pago nessa transação deve ser destinado à conservação do patrimônio.
Passados quase três anos, porém, o clube não havia sequer apresentado o projeto para restauração do estádio. Em 2025, a inadimplência gerou uma multa contratual calculada em R$ 2,9 milhões pela prefeitura, além da devolução integral do valor arrecadado para o Fundo de Proteção do Patrimônio Cultural (Funcap).
Fachada do estádio do Clube Juventus, na Mooca, Zona Leste de São Paulo. Estádio mítico da rua Javari.
Divulgação/Juventus
Durante o processo de transição para a SAF, a nova diretoria encontrou indícios de desvio de finalidade dos recursos, que teriam sido usados para quitar empréstimos pessoais de ex-dirigentes. O caso se tornou alvo de uma sindicância interna e de um inquérito policial para investigar os crimes de apropriação indébita majorada, estelionato e associação criminosa envolvendo quatro ex-gestores do clube.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública (SSP), atualmente o caso é investigado como lavagem de dinheiro pelo Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania. "A investigação identificou empresas suspeitas de custear repasses e diligências prosseguem para esclarecer a destinação final de tais recursos", diz nota enviada pela pasta.
Diante das evidências de que a instituição foi vítima de sua própria administração, o Conpresp decidiu suspender a multa contra o Juventus enquanto analisa o projeto apresentado em março. Uma decisão definitiva sobre a punição só vai ser tomada após conclusão de análise técnica.

Tags:

Gostou? Compartilhe!

Mais leitura
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore