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Em meio a conflito, Irã acusa EUA de discriminação em vistos para a Copa do Mundo

A equipe masculina de futebol do Irã comemora a classificação para a Copa do Mundo 2026, após empatar com o Uzbequistão, em março do ano passado
Getty Images via BBC
A dez dias da estreia da seleção iraniana na Copa do Mundo, a participação do país no torneio é marcada por tensões diplomáticas e militares. Embora os jogadores iranianos tenham recebido vistos para entrar nos Estados Unidos, o governo do Irã denunciou, neste sábado (6), um "tratamento discriminatório" por parte de Washington, que negou a entrada de diversos membros da comissão técnica e da diretoria da equipe.
"Por que vocês não dizem que os vistos foram negados à maior parte da diretoria e da comissão técnica, a assessores técnicos e a outras pessoas essenciais para a seleção?", escreveu a embaixada iraniana na Turquia no Facebook, classificando as recusas como "o mais alto nível de discriminação intencional" contra o Irã.
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A declaração foi uma resposta ao comunicado do embaixador dos EUA na Turquia, Tom Barrack, que anunciou que os jogadores e a "comissão técnica necessária" haviam recebido os vistos para entrar nos Estados Unidos.
A Casa Branca confirmou na sexta-feira (5) que os vistos dos atletas foram concedidos. No entanto, a embaixada iraniana na Turquia classificou a recusa de vistos para o restante da delegação como "o mais alto nível de discriminação intencional" contra o país.

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Segundo a agência de notícias Fars, mais de uma dúzia de integrantes das equipes de apoio médico e esportivo tiveram seus pedidos rejeitados, assim como o presidente da Federação Iraniana de Futebol, Mehdi Taj.
A restrição americana deve-se, em parte, a conexões com a Guarda Revolucionária Islâmica. O secretário de Estado, Marco Rubio, afirmou anteriormente que os EUA não permitiriam a entrada de indivíduos ligados a esse ramo das forças armadas iranianas. Mehdi Taj, que é ex-comandante da Guarda, já havia sido impedido de entrar nos EUA para o sorteio do torneio em dezembro.
Devido à incerteza sobre os vistos, a seleção do Irã transferiu sua base de treinamento de Tucson, no Arizona, para Tijuana, no México. A delegação deve chegar ao território mexicano no domingo (7), após passar pela Espanha.

Para o embaixador do Irã no México, Abolfazl Pasandideh, a decisão de competir "mesmo em território considerado inimigo" é um gesto que demonstra a busca do país pela paz.
Esta é a primeira vez, desde a criação da Copa do Mundo em 1930, que um país anfitrião recebe uma nação com a qual está em guerra.

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