Search
Close this search box.
Search
Close this search box.

Doceiras do interior de SP transformam momentos difíceis em histórias de reinvenção: ‘A arte de adocicar a vida’

Doceiras do interior de SP transformam momentos difíceis em histórias de reinvenção
Neste sábado (6), quando é celebrado o Dia Nacional da Doceira, histórias de dedicação, criatividade e empreendedorismo ajudam a mostrar como a confeitaria vai muito além do açúcar e das receitas.

Em Presidente Prudente (SP), duas mulheres encontraram nos doces uma forma de superar dificuldades, construir negócios próprios e mudar de vida.
📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp
Embora tenham percorrido caminhos diferentes, as confeiteiras Chádia Priscila Cardoso Gonçalves, de 42 anos, e Janaina Aressa Ferreira Filizzola, de 39 anos, compartilham algo em comum: ambas transformaram a paixão pela cozinha em profissão e fonte de renda.
Oportunidade essa que é recorrente na Capital do Oeste Paulista. De acordo com dados do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), os ramos de "Fabricação de Produtos de Padaria e Confeitaria com Predominância de Produção Própria" e "Padaria e Confeitaria com Predominância de Revenda" mostram que estão em uma crescente constante nos últimos anos.

Depois de permanecer abaixo de 40 aberturas anuais entre 2011 e 2018, o número de novos negócios saltou 108,57% em 2019. O recorde foi registrado em 2025, com 137 empresas abertas. Somente entre janeiro e maio deste ano, foram contabilizados 54 novos empreendimentos no setor.
Mercado de docerias crescem no últimos anos em Presidente Prudente
Chádia Cardoso/Redes Sociais
Referências femininas
Natural de Ponta Porã (MS) e moradora de Presidente Prudente, Chádia cresceu cercada por referências femininas na cozinha.
A avó, a mãe e a madrinha despertaram nela o gosto pela culinária ainda na infância. Os doces, porém, começaram a fazer parte da rotina muito cedo, quando ajudava uma vizinha vendendo pães de mel na escola.

"Os doces sempre estiveram presentes na minha história. Essas mulheres me inspiraram aos desafios da cozinha e a surpreender o paladar dos que apreciavam a boa culinária”, relembrou.
Os doces também apareceram cedo em sua trajetória. Ainda criança, ajudava uma vizinha vendendo pães de mel na escola e foi ali que teve os primeiros contatos com o chocolate.

Na adolescência, aprendeu novas técnicas assistindo programas de televisão, principalmente os comandados por Ana Maria Braga. Mesmo desenvolvendo habilidades na cozinha, a confeitaria permaneceu durante muito tempo apenas como uma atividade paralela.

Quando trabalhava em um hospital, por exemplo, passava o dia no local e dedicava as noites à produção das encomendas: “Muitas vezes trabalhei até 3h da manhã e ainda fui para o serviço CLT às 7h. Mas tudo valeu a pena", revela.

O ponto de virada aconteceu durante a pandemia da Covid-19. Após enfrentar um quadro de burnout, ela decidiu que não queria retornar à rotina do trabalho formal. Sem saber exatamente qual caminho seguir, buscou respostas na fé.
A resposta veio quando uma cliente perguntou se ela produzia doces para casamentos. Embora já fizesse esse tipo de trabalho informalmente, nunca havia enxergado a atividade como um negócio.
"Coloquei em oração e pedi um caminho. Então fui estudar o mercado e vi que tinha potencial para colocar o meu produto. Minha família foi fundamental nesse apoio para o início, porque deixei a certeza do emprego fixo pela aventura do empreendedorismo na cozinha", contou.
Após burnout, Chádia deixou emprego formal e apostou nos doces finos em Presidente Prudente
Chádia Cardoso/Redes Sociais
Atualmente, ela produz milhares de doces por semana para casamentos e eventos. A própria casa se transformou em espaço de trabalho, com equipamentos profissionais, climatização e estrutura adaptada para suportar a produção.
Mas, ainda segundo ela, o segredo não está apenas nos equipamentos. Antes de cada evento, existe uma rotina rigorosa de seleção de ingredientes. Frutas frescas, chocolates de qualidade e atenção aos detalhes fazem parte do processo.
“Quando a temperatura está elevada e o ar condicionado ainda não está ligado no salão, os doces permanecem no carro com ar condicionado. Isso é zelo e respeito pelo cliente, pois ele quer o doce delicioso porém lindo”, explicou.
Criatividade como diferencial
Além do cuidado com os ingredientes e da produção artesanal, Chádia também aposta na criatividade para se destacar em um mercado cada vez mais competitivo.
Entre os sabores mais diferentes desenvolvidos por ela estão o brigadeiro de pamonha, o brigadeiro de parmesão com damasco, o Moscow Mule em versão doce, bavaroises, verrines e outras releituras criadas conforme o perfil de cada cliente.
"A criatividade é um requisito muito valioso nesse mercado, não basta copiar receitas é necessário ter personalidade para criar novas", explicou.
Apesar das opções inusitadas, alguns sabores seguem entre os campeões de pedidos. O morango aparece praticamente todas as semanas nas encomendas, assim como o ouriço de coco queimado e o Moscow Mule, que se tornou um dos queridinhos dos clientes.
Doces finos e esculturas comestíveis viram marca registrada da Chádia, doceira de Presidente Prudente
Chádia Cardoso/Arquivo Pessoal
Outro destaque do trabalho da confeiteira são as estruturas comestíveis montadas para eventos. Em vez de utilizar apenas suportes decorativos, ela produz verdadeiras esculturas gastronômicas feitas com doces.
"Essas são as torres que faço de trufas e morangos. Esses são os campeões de pedidos, os clientes se encantam com a beleza e o sabor. São todos comestíveis", ressaltou.
Por fim, com o sonho de um dia ter um ateliê próprio, ela segue produzindo na cozinha de casa, cercada pela rotina familiar que frequentemente aparece nos bastidores compartilhados nas redes sociais.
As peças se transformaram em uma das marcas registradas da confeiteira, unindo apresentação visual e experiência gastronômica em um único elemento da decoração.
Initial plugin text
Da necessidade financeira ao próprio negócio
Se uma história passa pela reinvenção profissional, a de Janaína começou em um momento de necessidade financeira. Em 2015, ela retornou de São Paulo para Presidente Prudente ao lado do marido e da filha.

Tags:

Gostou? Compartilhe!

Mais leitura
Lorem ipsum dolor sit amet, consectetur adipiscing elit, sed do eiusmod tempor incididunt ut labore et dolore