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Pequenos insetos, grandes negócios: mulheres transformam hobby por abelhas em fonte de renda no ES

Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no ES
A técnica de enfermagem Kátia dos Santos poderia ter desistido das abelhas após sofrer um choque anafilático causado por uma picada do inseto. O quadro foi tão grave que ela precisou passar por dois anos de tratamento. Mas abandonar a atividade nunca foi uma opção. "Eu fiz o tratamento para não precisar deixar a apicultura".
Cinco anos depois de deixar a área da saúde, Kátia trabalha com a criação de abelhas, produz cosméticos feitos com mel, própolis e outros produtos das colmeias, e também percorre diferentes estados capacitando produtores e pessoas interessadas em investir na atividade, como hobby ou fonte de renda.
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"Se eu não fizesse tratamento, seria inviável. Eu tomava o próprio veneno da abelha uma vez por semana em forma de injeção. Fui persistente. Tem que gostar. Porque depois que você entra nessa área, não quer mais sair", contou Kátia Abelha, como é conhecida em São Domingos do Norte, no Noroeste do Espírito Santo.
Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
A história dela é um dos exemplos de como mulheres de diferentes profissões transformaram a criação de abelhas em empreendedorismo e mudança de vida.
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel, a advogada Eva Pires Dutra, a fisioterapeuta Giovana Branco e a própria Kátia seguiram caminhos diferentes até chegar ao mesmo destino: encontraram nas abelhas uma nova possibilidade de negócio.

Em comum, todas elas investiram em conhecimento antes de transformar a atividade em fonte de renda.
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel teve o 1º contato com abelhas há mais de uma década
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Da programação para a meliponicultura
A analista e desenvolvedora de sistemas Luana Pimentel teve o primeiro contato com abelhas há mais de uma década, após se mudar para uma casa em Aracruz, no Norte do Espírito Santo.

Depois de deixar a enfermagem, ela passou a estudar os diferentes usos dos produtos das colmeias e se especializou na produção artesanal de cosméticos.
Hoje, ela ensina outras mulheres a produzir sabonetes, velas, hidratantes e outros produtos utilizando mel, própolis, geoprópolis e cera de abelha.
"A maioria das pessoas que participa dos cursos busca uma renda complementar. A gente mostra que é possível criar novas fontes de renda a partir dos produtos das abelhas", explicou a empreendedora.
Kátia Abelha dá cursos de cosméticos usando os produtos das abelhas no Espírito Santo
Arquivo Pessoal
Ao lado do marido, Juliano Cordeiro, conhecido como "Juliano Abelha", ela transformou a atividade em um negócio familiar.
Há cinco anos, ele também deixou a carreira no serviço público para se dedicar integralmente à apicultura. O casal investiu em cursos, treinamentos e especializações até se tornar referência na área.
Hoje, os dois ministram capacitações em diferentes estados brasileiros para produtores, associações, cooperativas e instituições ligadas ao setor, inclusive com o apoio do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
A atuação foi além da produção de mel. Eles criaram um espaço voltado à formação de produtores e ao desenvolvimento de novas pesquisas relacionadas à apicultura e à meliponicultura.
A rotina da família passou a girar em torno das abelhas. Os filhos Davi, de 17 anos, e Aaron, de 7, também acompanham parte das atividades e cresceram vendo os pais transformarem uma paixão em profissão.
Rotina da 'Família Abelha' passou a girar em torno das abelhas no Espírito Santo
Arquivo Pessoal
Abelhas movimentam outras cadeias produtivas
O impacto das abelhas vai além dos produtos vendidos pelas empreendedoras. A atividade também contribui para a agricultura e ajuda a gerar renda dentro das propriedades rurais.
Segundo José Roberto Gonçalves, gerente corporativo de Agropecuária da Cooperativa Agrária dos Cafeicultores de São Gabriel (Cooabriel), as abelhas desempenham papel fundamental na cafeicultura, especialmente nas lavouras de café conilon.
"As abelhas possuem uma contribuição importante nesse processo, favorecendo maior produtividade e uniformidade na maturação dos frutos das lavouras de café conilon", explicou Gonçalves.
Além de ajudar na produção agrícola, a atividade pode representar uma nova fonte de receita para os agricultores.
"Os produtores que possuem apiários em suas propriedades, além de potencializarem a produção de café conilon, contam com uma segunda atividade econômica, gerando mais renda e contribuindo para a melhoria da qualidade de vida", afirmou.
O interesse crescente pela atividade tem levado mais cafeicultores a buscar qualificação. Na Fazenda Experimental da Cooabriel, em São Gabriel da Palha, a cooperativa mantém um apiário utilizado em ações de capacitação e, nos últimos dias, promoveu cursos voltados a cooperados que conciliam a produção de café com a criação de abelhas.

Alguns desses cursos foram ministrados pelo casal 'Abelha'. Para Gonçalves, a capacitação é essencial para quem deseja crescer na atividade.
"A participação em capacitações possibilita o acesso às informações que contribuem para uma condução mais assertiva da criação de abelhas, tanto para apicultores experientes quanto para produtores que estão iniciando na atividade", disse.
Kátia e Juliano Abelha criam e dão aulas sobre abelhas no Espírito Santo
Arquivo Pessoal
Capacitação transforma interesse em negócio
O papel do conhecimento também é destacado pelo Sebrae. Segundo o analista Daywidson Stabenow, a capacitação é um dos fatores que permitem transformar uma atividade complementar em um negócio estruturado.
"A capacitação ajuda a transformar um conhecimento técnico ou uma habilidade prática em uma atividade economicamente viável. O empreendedor passa a enxergar o negócio de forma mais estratégica e identifica oportunidades que antes não via", explicou.
Para ele, as histórias das produtoras refletem uma tendência crescente do empreendedorismo feminino.
"Essas histórias mostram a força da mulher, a determinação e a capacidade de adaptação. Cada vez mais as mulheres têm buscado autonomia financeira, geração de renda e realização dos seus projetos pessoais", afirmou.
O analista também destaca que a cadeia produtiva das abelhas oferece oportunidades para pequenos empreendedores.
"Além da comercialização do mel, existem diversos produtos derivados, como própolis, pólen, cera e geleia real. Isso amplia as possibilidades de receita e de novos negócios", destacou.
Abelhas inspiram mulheres a empreender e criar novos negócios no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
Conhecimento como ponto de partida
Embora tenham histórias diferentes, as quatro mulheres compartilham um mesmo aprendizado: empreender exige preparo.
Foi por meio de cursos, treinamentos, mentorias, associações e programas de capacitação que elas encontraram caminhos para transformar interesse em oportunidade de negócio.
Mais do que produzir mel, própolis, cosméticos ou outros derivados das colmeias, elas passaram a enxergar possibilidades de geração de renda, valorização ambiental e independência financeira.
Agora, enquanto ampliam a produção e planejam novos passos, elas ajudam a mostrar que o empreendedorismo pode nascer nos lugares mais inesperados, até mesmo a partir de insetos que pesam poucos gramas, mas movimentam uma cadeia produtiva capaz de transformar vidas.
Mulheres transformam hobby por abelhas em produtos naturais e fonte de renda no Espírito Santo
Ricardo Medeiros/Rede Gazeta
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