Presente em milhares de embarcações que cruzam rios e igarapés da Amazônia, a pintura decorativa dos barcos será o ponto de partida para uma manhã de oficinas gratuitas, visita ao acervo e venda de peças criadas por mestres ribeirinhos durante o Circular Campina Cidade Velha. A programação acontece neste domingo (7), no Canto do Letras, sede e loja do Instituto Letras que Flutuam, espaço dedicado à valorização dessa tradição centenária.
Ao longo da manhã, o público poderá participar de oficinas rápidas de abertura de letras ministradas pelos abridores Hidaias Freitas, de São Sebastião da Boa Vista, e Donielson “Kekel” Leal, de Muaná. Além das atividades, o espaço reunirá placas pintadas à mão, letras em miriti, livros, cadernos, camisetas, ecobags e outros produtos inspirados nas tradicionais letras de barco, criados em parceria com mestres de diferentes regiões do Pará.
Dos rios para o Canto do Letras
Criado a partir de mais de duas décadas de pesquisa conduzida pela pesquisadora Fernanda Martins, o Instituto Letras que Flutuam é o primeiro do Brasil dedicado exclusivamente à cultura dos abridores de letras. Desde 2004, o projeto já identificou mais de 130 mestres em municípios paraenses e vem desenvolvendo ações para ampliar a visibilidade desse saber tradicional e criar novas oportunidades de renda para seus detentores.
Para Fernanda Martins, presidenta do instituto, espaços como o Canto do Letras ajudam a aproximar o público de conhecimentos que ainda permanecem pouco visíveis na cidade. “Espaços como o Canto do Letras deveriam existir em profusão numa cidade como Belém, porque existem muitos saberes ribeirinhos invisibilizados que precisam de oportunidade para demonstrar sua produção, comercializar seus produtos e ampliar a difusão desses conhecimentos”, afirma.
Morador da comunidade Grande Pracuúba, no Marajó, Hidaias Freitas atua há 32 anos como abridor de letras e vê no instituto uma oportunidade de reconhecimento para quem dedicou a vida ao ofício. “Hoje nosso trabalho está sendo reconhecido. Graças ao Instituto Letras que Flutuam estamos conseguindo deixar nossa história registrada e alcançar oportunidades que antes não existiam”, diz o artista, que conduzirá uma das oficinas abertas ao público.
Além de conhecer de perto a técnica utilizada nas embarcações amazônicas, os visitantes poderão adquirir peças produzidas pelos próprios mestres. A renda das obras é destinada integralmente aos artistas, fortalecendo a circulação desse saber para além dos rios e criando novas possibilidades de geração de renda para as comunidades envolvidas.
A atividade integra a programação da 61ª edição do Circular Campina Cidade Velha, que neste domingo ocupa os bairros da Cidade Velha, Campina e Reduto com 44 espaços culturais abertos ao público, reunindo exposições, shows, oficinas, feiras criativas, roteiros guiados e atividades para todas as idades.
Serviço
Instituto Letras que Flutuam no Circular Campina Cidade Velha
📅 7 de junho
🕘 9h às 13h
📍 Canto do Letras – Travessa Rui Barbosa, 257, sala 3, Vila Prana, bairro da Campina, em Belém
Programação
• 9h – Abertura do Canto do Letras, visita ao acervo e venda de produtos
• 9h30 – Primeira oficina de abertura de letras
• 10h30 – Segunda oficina de abertura de letras
• 11h30 – Terceira oficina de abertura de letras
• 13h – Encerramento
📸 Instagram: @letrasqueflutuam
Circular Campina Cidade Velha
📅 7 de junho
🕗 8h às 20h
🎟️ Programação gratuita em 44 espaços culturais dos bairros da Cidade Velha, Campina e Reduto.
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