Pai e filhas são investigados por tráfico internacional e lavagem de dinheiro
Nem nove grandes apreensões realizadas em um ano interromperam as atividades da família investigada na operação "Mens Occulta", da Polícia Federal (PF). A investigação apura suspeitas de tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro.
Segundo a PF, mais de 2 toneladas de cocaína ligadas a Mario Sergio Nunes, conhecido como "Serjão do PCC", e aos familiares dele foram apreendidas durante o período investigado. De acordo com a polícia, eles fazem parte do núcleo principal da organização criminosa.
✅ Clique aqui para seguir o canal do g1 Triângulo no WhatsApp
Apesar do volume de drogas apreendidas, a Polícia Federal afirmou que a quantidade representa apenas uma pequena parte dos entorpecentes movimentados pelo grupo investigado.
Segundo as investigações, organizações criminosas como a liderada por Serjão do PCC tratam o tráfico de drogas como uma atividade estruturada. Por isso, os líderes já consideram, em seus cálculos, as perdas causadas por apreensões realizadas pelas forças de segurança.
De acordo com a PF, o esquema continuou operando mesmo após as apreensões. Como exemplo, a polícia identificou, em janeiro de 2025, que dois motoristas ligados ao grupo e presos por tráfico fizeram três viagens suspeitas cada um. Em apenas uma dessas viagens houve apreensão da carga de drogas.
Em nota, o advogado da família Nunes, José Carlos de Oliveira Campos, afirmou que ainda não teve acesso completo ao processo, que corre sob sigilo. Ele disse ainda que a família confia nas instituições e está à disposição das autoridades para prestar os esclarecimentos necessários. Veja a íntegra abaixo.
Veja todas as apreensões relacionadas à família abaixo.
Apreensões relacionadas à família em 1 ano
Apreensões
Apreensão de cocaína em Campo Grande e relacionada ao esquema da família
PRF/Divulgação
1ª apreensão
Em 5 de setembro de 2024, um motorista foi preso em flagrante e, posteriormente, condenado por tráfico internacional de drogas. Segundo a investigação, ele transportava 312,1 quilos de cocaína entre Colorado (RO) e Uberlândia (MG).
De acordo com a Polícia Federal, a empresa responsável pelo transporte estava registrada em nome de um homem que não teve a identidade divulgada, mas era controlada, na prática, por Mario Sergio Nunes.
A PF chegou a essa conclusão após analisar documentos atribuídos ao investigado. Entre os materiais apreendidos estavam registros de criação da transportadora, documentos de veículos, comprovantes bancários e arquivos relacionados às atividades da empresa.
Segundo os investigadores, a transportadora era usada pela organização criminosa para registrar caminhões e semirreboques utilizados no transporte de drogas. Além disso, a empresa teria servido como fachada para movimentações financeiras e ocultação de patrimônio.
A investigação também identificou a ligação da transportadora com apreensões de grandes carregamentos de cocaína realizadas durante o período apurado.
2ª apreensão
Outro caso relacionado pela Polícia Federal à organização criminosa ocorreu em 22 de março de 2024, em Jaraguari (MS). Na ocasião, um motorista foi preso transportando cerca de 125 quilos de cocaína escondidos nos pneus de um caminhão.
Segundo a investigação, documentos do veículo apreendido e imagens do caminhão encontradas em conversas atribuídas a Mario Sergio Nunes reforçaram a ligação da carga de drogas com o grupo criminoso.
De acordo com a PF, as mensagens foram trocadas com um homem identificado como proprietário de uma distribuidora de bebidas. Ele também aparecia como dono do veículo usado para transportar a droga.
Para os investigadores, esses elementos reforçam a conexão entre a apreensão, os suspeitos e a estrutura da organização criminosa.
3ª apreensão
Outro caso citado pela Polícia Federal ocorreu em 3 de outubro de 2024. Na data, um motorista foi preso em flagrante transportando cerca de 50 quilos de drogas em um veículo utilitário.
Segundo a investigação, arquivos encontrados em uma nuvem atribuída a Mario Sergio Nunes continham a Carteira Nacional de Habilitação (CNH) do motorista, registrada no mesmo dia da prisão. Os investigadores também localizaram mensagens que faziam referência ao endereço do homem e ao acompanhamento da ocorrência.
Para a PF, esses elementos indicam que o preso atuava como motorista da organização criminosa, responsável por transportar carregamentos de drogas que saíam de Uberlândia para outras regiões do país.
De acordo com a investigação, o grupo utilizava veículos menores e rotas com origem em Uberlândia para reduzir o risco de abordagens policiais. A estratégia também evitava deslocamentos diretos a partir de estados considerados rotas mais visadas no combate ao tráfico, como Mato Grosso e Mato Grosso do Sul.
4ª apreensão
A Polícia Federal também relacionou ao grupo uma apreensão realizada em abril de 2024, em Água Clara (MS). Na ocasião, um motorista de Uberlândia foi preso transportando 126,2 quilos de pasta base de cocaína escondidos nos pneus sobressalentes de um caminhão e de um semirreboque.
Segundo a investigação, a ligação entre o carregamento e a organização criminosa foi identificada posteriormente, após a análise de uma nuvem atribuída a Mario Sergio Nunes.
De acordo com a PF, os investigadores encontraram imagens do veículo enviadas por Mario Sergio à filha, Bruna Silva Nunes. O material foi considerado um dos indícios da conexão entre a apreensão e o grupo investigado.
Além disso, o caminhão estava registrado em nome de um sócio de uma transportadora. No entanto, o endereço informado por ele aos órgãos oficiais era o mesmo da residência de Mario Sergio, em Uberlândia.
5ª apreensão
Em mais uma apreensão relacionada ao esquema investigado, um motorista foi preso em 6 de fevereiro de 2025, em Itapagipe (MG). Segundo a Polícia Federal, ele transportava 425 quilos de cocaína escondidos em um compartimento falso na cabine de um caminhão.
De acordo com a investigação, a forma de ocultação da droga era semelhante à identificada em outras apreensões atribuídas ao grupo criminoso.
A PF também apontou que o motorista não tinha renda compatível com os veículos registrados em seu nome. Para os investigadores, isso reforça a suspeita de que ele atuava como laranja da organização.
Além disso, documentos de uma transportadora ligada a Mario Sergio Nunes foram encontrados no caminhão. Mensagens localizadas no celular do suspeito também indicaram contato direto com Mario Sergio, apontado pela PF como líder do grupo criminoso.
6ª apreensão
Em outro caso investigado, três pessoas foram presas em Curvelo (MG) após a apreensão de 30 barras de skunk, R$ 100 mil em dinheiro e duas armas de fogo.
Durante a operação, os policiais também apreenderam dois veículos. Segundo a Polícia Federal, os automóveis já haviam sido vinculados a Mario Sergio Nunes em outra investigação, o que reforça a suspeita de ligação entre a ocorrência e a organização criminosa.
7ª apreensão
Outro carregamento atribuído ao grupo foi interceptado em fevereiro de 2025, em Campo Grande (MS). Na ocasião, um morador de Uberlândia foi preso transportando cerca de 423 quilos de cocaína escondidos em um compartimento falso na cabine de um caminhão.
Segundo a Polícia Federal, o caso apresentou características semelhantes às apreensões anteriores. Entre elas estavam o mesmo método de ocultação da droga e o uso de veículos registrados em nome de pessoas sem renda compatível com os bens.
A investigação também apontou que o motorista mantinha contato com outros condutores já ligados ao esquema. Para a PF, esse elemento reforça a suspeita de que ele integrava a organização criminosa liderada por Mario Sergio Nunes.
8ª apreensão
O último carregamento atribuído pela Polícia Federal ao grupo foi apreendido em 27 de fevereiro de 2025, em Uberaba (MG). Na ocasião, um homem foi preso transportando 144 tabletes de cocaína escondidos na cabine de um caminhão.
Segundo a investigação, o veículo pertencia a uma empresa suspeita de atuar como fachada. De acordo com a PF, a transportadora não tinha funcionários nem estrutura compatível com a atividade que declarava exercer.
Os investigadores também identificaram depósitos que somam R$ 120 mil feitos por Mario Sergio Nunes para a empresa, além de outras movimentações financeiras consideradas suspeitas. Para a PF, esses elementos reforçam a ligação entre a transportadora e a organização criminosa investigada.
9ª apreensão
Mesmo durante a fase final da operação, a Polícia Federal identificou um novo carregamento de drogas atribuído ao grupo investigado.
Em abril de 2025, a Polícia Rodoviária Federal (PRF) apreendeu 368 quilos de cocaína e pasta base escondidos em um caminhão abordado em Campo Grande (MS).
Segundo a investigação, os veículos usados no transporte estavam registrados em nome de pessoas e empresas sem renda ou patrimônio compatíveis com os bens. Para a PF, esses registros indicam o possível uso de empresas e laranjas para ocultar o patrimônio da organização criminosa.
A investigação também apontou que um dos caminhões ligados ao carregamento foi negociado poucos dias após a apreensão por Rhanniery Nunes Graciano, ex-genro de Mario Sergio Nunes.
De acordo com a PF, Rhanniery integra a estrutura criminosa e atuava no auxílio à movimentação de bens e valores do grupo.
O g1 tenta contato com o advogado de Rhanniery.
Quem é quem no esquema
Mario Sergio Nunes, vulgo 'Serjão'
Mario Sergio Nunes foi preso durante a operação "Mens Occulta"
Redes Sociais/Reprodução
Desde o início das investigações, a Polícia Federal aponta Mario Sergio Nunes como líder da organização criminosa responsável pelo tráfico de drogas no Triângulo Mineiro.
Conhecido pelos apelidos de "Serjão do PCC", "Pedro" e "Pedrão", ele seria responsável por coordenar motoristas utilizados no transporte de entorpecentes, além de laranjas e testas de ferro empregados para ocultar patrimônio e movimentações financeiras.
Família de Uberlândia adquiria ranchos com dinheiro do tráfico internacional, segundo a PF
PF/Divulgação
O que disse a defesa da família Nunes
"A defesa da Família Nunes informa que, até o presente momento, ainda não teve acesso integral aos autos, os quais tramitam sob sigilo, razão pela qual qualquer manifestação sobre o mérito dos fatos seria prematura.
A Família Nunes reafirma sua confiança nas instituições, no devido processo legal, no contraditório e na ampla defesa, colocando-se à disposição das autoridades competentes para todos os esclarecimentos necessários.
A defesa destaca, ainda, que eventuais responsabilidades somente podem ser apuradas no âmbito do processo judicial, com respeito à presunção de inocência e às garantias constitucionais.
Por fim, a Família Nunes manifesta serenidade e confiança de que os fatos serão devidamente esclarecidos no momento oportuno."
Apreensões durante a operação Mens Occulta da PF Uberlândia
VÍDEOS: veja tudo sobre o Triângulo, Alto Paranaíba e Noroeste de Minas





