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Do feed para o bolso: virais da internet criam oportunidades de renda para empreendedores do ES

Victoria Aguiar, Nathalia Cardoso e Juliana Souza
Divulgação
Em questão de segundos, um vídeo aparece na tela do celular. Um doce diferente, uma receita inusitada ou uma apresentação capaz de despertar curiosidade imediata. Horas depois, milhares de pessoas comentam, compartilham e desejam experimentar a novidade.

Dias mais tarde, cozinhas, confeitarias e pequenos negócios percebem o movimento que nasceu como tendência nas redes sociais e passam a transformar o conteúdo em produto e, de quebra, faturar nas vendas.

📲 Clique aqui para seguir o canal do g1 ES no WhatsApp No Espírito Santo, o caminho entre um conteúdo viral e uma fonte de renda tem ficado cada vez mais curto. Empreendedores estão cada vez mais de olho nessas oportunidades.
Foi assim com o "morango do amor", que tomou conta das redes em 2025. Agora, é a vez do "x-bolo" — um bolo montado em formato semelhante ao de um hambúrguer — ganhar espaço, saindo dos vídeos e das publicações em redes sociais e indo direto para as vitrines de confeitarias.

Por trás da curiosidade dos consumidores, existe uma rede de pequenos empreendedores atentos ao comportamento digital e dispostos a transformar tendências em oportunidades de negócio.
Confeiteira Victória Aguiar, 26 anos, com a família no festival de fatias e bolo que virou tendência nas redes sociais
Divulgação
Em Vila Velha, a confeiteira Victória Aguiar, de 26 anos, sabe reconhecer quando uma novidade tem potencial para conquistar o público. Proprietária da doceria Maria e João, ela acompanha conteúdos produzidos dentro e fora do Brasil em busca de inspirações para o cardápio.

"Eu sempre procuro trazer essas novidades para a loja porque é uma forma de vender mais, viralizar conteúdo e alcançar pessoas que ainda não conhecem o meu trabalho."
Ela destacou que o consumo desses produtos está diretamente ligado ao comportamento das redes sociais. Além de experimentar a novidade, muitos consumidores querem compartilhar a experiência.

"Hoje, tudo é conteúdo. As pessoas gostam de provar, tirar foto, postar e mostrar que também participaram daquela tendência. Isso acaba gerando uma divulgação espontânea muito forte."
X-bolo: doce que imita hambúrguer vira tendência e anima doceiras no ES
Virais que se transformam em negócio
A transformação de conteúdos virais em oportunidades de negócio reflete uma mudança mais ampla no comportamento dos consumidores e dos empreendedores. Se antes as tendências surgiam principalmente na televisão, em revistas ou campanhas publicitárias, hoje elas nascem e se espalham em alta velocidade dentro das plataformas digitais.
Segundo Bernardo Butteri, analista de Relacionamento do Sebrae/ES, as redes sociais se tornaram uma das principais portas de entrada para os pequenos negócios alcançarem clientes.
"Instagram, WhatsApp e outras plataformas funcionam como vitrine, canal de relacionamento, ferramenta de divulgação e, muitas vezes, como o próprio ponto de venda."
Ele explicou que produtos como o morango do amor e o x-bolo despertam desejo de consumo porque unem novidade, apelo visual e compartilhamento, características que favorecem a disseminação nas redes.
"Quando um produto viraliza, ele desperta curiosidade e cria uma demanda rápida. Muitos empreendedores atentos conseguem transformar esse movimento em venda."
Mas, a velocidade da internet também exige preparo. Segundo o especialista, aproveitar uma tendência não significa apenas reproduzir um produto que está em alta.
"Viral pode vender muito, mas também pode gerar prejuízo se o empreendedor não calcular direito o custo dos ingredientes, da embalagem, da entrega, da mão de obra e da margem de lucro. Faturar mais não significa necessariamente ganhar mais."
Os números mostram que o ambiente digital já faz parte da realidade dos pequenos negócios brasileiros. Dados da 12ª edição da pesquisa Pulso dos Pequenos Negócios, do Sebrae, apontam que 73% dos empreendimentos realizam vendas por meio de redes sociais, aplicativos ou internet. Entre os microempreendedores individuais (MEIs), esse percentual chega a 75%.
O WhatsApp lidera como principal ferramenta de vendas, utilizado por 82% dos empreendedores, seguido pelo Instagram, citado por 57%.
"Esses números ajudam a entender uma mudança importante: o pequeno negócio está cada vez mais digital, mas o uso das plataformas também muda com o comportamento do consumidor. O empreendedor precisa acompanhar onde o cliente está, como ele consome conteúdo e qual canal faz mais sentido para vender, atender e se relacionar”, destacou Bernardo Butteri, analista de Relacionamento do Sebrae/ES.
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