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25 anos da Eco: como quatro sócios formaram uma construtora de referência

Os quatro sócios da Eco Construtora reuniram trajetórias improváveis. Da esquerda para a direita: Pedro César, Francisco Cavalcante, Leonardo Bronzeado e Carlos Feitosa
Eco Construtora
No bairro que se tornou símbolo de uma cidade que cresce em direção aos arranha-céus, uma máquina prepara mais um terreno para erguer o empreendimento que fará muita gente olhar para cima, admirada. No Altiplano, o desenho do Eco Opus revela em linhas sinuosas a evolução do padrão construtivo da Eco Construtora.

Quando completa 25 anos de história, a empresa desenvolve o projeto desse prédio de 39 pavimentos e evidencia o trabalho de uma equipe liderada por três paraibanos e um cearense de origens e formações distintas, mas com um sonho em comum. A sofisticação imponente do Eco Opus não faz supor que a história da empresa começou a partir da reunião improvável de quatro destinos na Paraíba.

Hoje, quem circula pela região da avenida Rui Carneiro, em João Pessoa, encontra uma paisagem que já incorporou naturalmente a presença de grandes empresariais, clínicas, torres residenciais e edifícios de alto padrão. Entre eles, o Eco Medical Cartaxo e o Eco Business se tornaram referências de uma cidade que, nas últimas duas décadas, acelerou para além de suas fronteiras seu processo de valorização e expansão imobiliária.
É difícil imaginar, diante dessa escala, que parte desse percurso começou dentro de um Celta vermelho. O carro, estacionado entre canteiros de obra, funcionava como escritório improvisado de uma construtora que ainda nem tinha teto próprio. Dentro da sede volante, cabiam contratos, plantas, visitas, contas, reuniões e um projeto que ainda parecia grande demais para os quatro homens de caminhos improváveis: um bancário, um engenheiro agrônomo, um profissional de tecnologia e um comerciante de automóveis, que também fez carreira em instituições bancárias.
Engenheiro agrônomo, Francisco Cavalcante, o Tiquinho, iniciou sua trajetória na construção civil de forma prática, antes de fundar a Eco. “Comecei fazendo uma casa, depois fui construindo outras. Fiz uma rua de casas. Construía e vendia”, relembra.
Eco Construtora
O começo no Celta vermelho Essa história começa antes mesmo de existir a ideia de uma empresa. O primeiro escritório da Eco Construtora na verdade teve sede na mente de Francisco Cavalcante, o Tiquinho, que nasceu na menor cidade da Paraíba: Carrapateira, no Sertão do estado. Ele saiu de lá para estudar engenharia agronômica em Areia e depois passou a trabalhar no interior do estado, virando construtor de maneira prática e circunstancial.

Francisco Cavalcante precisava erguer uma casa para morar perto do trabalho e acabou descobrindo ali uma atividade que começaria a ocupar espaço cada vez maior na sua vida. “Comecei fazendo uma casa, depois fui construindo outras. Fiz uma rua de casas. Construía e vendia”, lembra Tiquinho. Com um tino nato para os negócios, ele mantinha paralelamente uma loja de automóveis em Cajazeiras.
Antes disso, ainda jovem, também ajudava a família em atividades informais para complementar a renda enquanto estudava. Comprava galinhas trazidas do Sertão, muitas delas vindas de São José de Piranhas, e revendia uma parte dos animais no tradicional Mercado da Torre. Outra parte, ele mesmo comercializava de porta em porta nos bairros da cidade. “Eu e meu pai saíamos vendendo durante a semana”, recorda. A lembrança ajuda a explicar uma característica que os outros sócios frequentemente associam a ele: o seu poder de convencimento e sua obstinação.
Carlos Feitosa conciliava a rotina como bancário com as primeiras obras da construtora, acompanhando os canteiros após o expediente. “Tudo começou de forma muito orgânica, com muita dificuldade, mas também com muito sonho”, afirma
Eco Construtora
O encontro entre dois futuros sócios Foi em Cajazeiras que a trajetória dele se cruzou com a de outro sócio da Eco: Carlos Feitosa, funcionário de carreira no Banco do Brasil numa época em que o ofício bancário carregava forte ideia de estabilidade e prestígio profissional. Natural de Barro, no Ceará, formado em matemática pela Universidade Federal da Paraíba, no campus de Cajazeiras, ele também nutria o mesmo interesse pela construção civil e decidiu começar construindo a própria casa no interior. “Desde aquele tempo eu alimentava o sonho de ter uma construtora”, conta.
Quando Tiquinho decidiu se mudar definitivamente para João Pessoa para acompanhar os estudos dos filhos, procurou Carlos no banco e conversou sobre os planos de construir na capital. Já saíram da agência com um plano: os dois começariam com pequenos empreendimentos em bairros emergentes como Bancários e Bessa. Carlos ainda conciliava as obras com a rotina bancária e acompanhava os canteiros no horário do almoço e depois do expediente. Foi nesse período que o Celta vermelho mais rodou pela cidade.

“O Celtinha começou logo no primeiro prédio dos Bancários”, lembra Carlos. “Eu saía do banco e ia direto para a obra. Tudo começou de forma muito orgânica, com muita dificuldade, mas também com muito sonho.” Aos poucos e de forma contínua, o crescimento da pequena construtora precisaria de um reforço, de mais um alicerce para impulsionar esse crescimento. A solução viria de uma pessoa próxima e também sem formação inicial em engenharia civil.

Formado em Ciência da Computação, Leonardo Bronzeado entrou na história da Eco primeiro como cliente e depois como sócio, ajudando a consolidar o modelo de obra por administração. “A maior vantagem era a segurança”, destaca
Eco Construtora
O cliente que virou sócio Foi quando o pessoense Leonardo Bronzeado entrou nessa história. Entrou primeiro como vizinho e depois como cliente da construtora de Carlos e Tiquinho. Formado em Ciência da Computação, com MBA pela Universidade do Porto, Leo vinha do setor de tecnologia e já trabalhava desde muito jovem. Aos 16 anos, começou a atuar profissionalmente, acumulando experiências em diferentes setores da sociedade e desenvolvendo programas em vários estados do país. Em João Pessoa, ele destinava parte da renda com esse trabalho em TI na criação de caprinos.

Para ele, o investimento no setor imobiliário seria impensável naquela época. Leonardo havia tido uma experiência malsucedida nesse mercado. Anos antes, havia comprado um apartamento ainda na planta em Manaíra, pago todo o imóvel à vista para, em seguida, ver a construtora quebrar e abandonar o projeto durante a realização da obra. “Tive que fazer novos aportes para conseguir concluir o apartamento”, lembra. “Foi uma experiência muito traumática.”
A frustração não ficou apenas no prejuízo financeiro. O episódio alterou profundamente a forma como ele passou a enxergar o setor imobiliário. Quando Tiquinho começou a insistir para que ele comprasse uma unidade no residencial Vila Galé, em Camboinha, Leonardo resistiu justamente por causa desse histórico. “Tiquinho me encontrava no prédio, dentro do elevador, onde me visse e insistia praticamente todos os dias”, conta, rindo. “Mas eu vinha dessa experiência muito negativa com a incorporadora.”
Coincidentemente, Carlos também havia perdido dinheiro no mesmo empreendimento que fracassou. A identificação criada ali aproximou os dois e a confiança fez de Leonardo um cliente da construtora de seus vizinhos. A compra do apartamento no residencial Vila Galé acabaria funcionando não apenas como investimento, mas como ponto de encontro de pessoas que compartilham de ideias semelhantes sobre o modelo de administração dos empreendimentos na cidade.

A aposta no modelo a preço de custo A convivência acabou transformando a relação de cliente em parceria. Depois do Vila Galé, Leonardo passou a investir em novos terrenos ao lado de Carlos e Tiquinho, inicialmente nos Bancários e depois em outras áreas da cidade. O que começou como participação pontual em alguns negócios evoluiu para a entrada definitiva na sociedade da construtora. Foi nesse período que a experiência malsucedida os levou a apostar de forma mais consistente no modelo de obra a preço de custo, ou administração por condomínio — um sistema que havia perdido força na Paraíba, mas que os sócios decidiram resgatar e reorganizar.
No modelo tradicional de incorporação, a construtora assume praticamente todo o risco financeiro da obra. Se houver desequilíbrio econômico, paralisações ou quebra da empresa, compradores podem acabar absorvendo prejuízos severos. Já no sistema por administração, os futuros proprietários participam diretamente da formação do condomínio da obra e acompanham os custos reais da construção.
Além de permitir uma redução significativa nos preços finais — muitas vezes entre 25% e 35% —, o modelo distribuía melhor os riscos e dava mais transparência ao processo. Para Leonardo, esse foi o principal diferencial. “As pessoas enxergam primeiro a economia, mas para mim a maior vantagem era a segurança”, afirma Leonardo. “Se acontecesse algum problema com a construtora, os próprios condôminos poderiam contratar outra empresa e concluir o prédio. Isso diminuía muito o risco de perder tudo.”
Carlos considera que o grande ponto de inflexão da empresa foi justamente conseguir reintroduzir esse modelo no mercado de alto padrão com credibilidade. “A gente recriou um sistema que tinha perdido força e mostrou que ele podia funcionar com transparência”, resume. Depois de a Eco já ter se tornado o principal foco da carreira profissional dos três sócios, a construtora seguia seu ritmo constante de crescimento e almejando passos mais desafiadores. E mais um alicerce foi procurado para completar a base da empresa.
Bancário, Pedro César se aproximou da Eco após investir em um empreendimento da construtora e passou a integrar o grupo em um momento decisivo de expansão. “Mais do que crescer, a preocupação sempre foi consolidar aquilo que construímos ao longo desses anos”, afirma
Eco Construtora
O quarto sócio entra no projeto É nesse momento que Pedro César chegaria. Nascido em Monteiro, no Cariri paraibano, ele também tinha trilhado desde cedo uma carreira que todos valorizavam em sua cidade. Formado em Contabilidade, aos 18 anos, Pedro já trabalhava no Banco Itaú, passando mais de uma década no setor bancário antes de migrar para o comércio de automóveis. Filho de comerciante de material de construção, ele cresceu convivendo com fornecedores, depósitos e ouvindo dentro de casa desde a infância conversas sobre tudo que se precisa para construir um lar.
Pedro também se aproximou de Carlos e Tiquinho quando se tornou cliente de sua construtora. “Eu investi no Vila Galé e passei a conviver muito com Carlos e Tiquinho”, lembra. “Éramos vizinhos, e caminhávamos quase todos os dias na praia de manhã. Foi surgindo uma amizade muito forte”. No ritmo das caminhadas em Camboinha, os encontros passaram a misturar conversas sobre mercado, família, obras e futuro. A proximidade fez perceber aos três sócios que o perfil da pessoa que eles queriam ao seu lado para viabilizar o crescimento da Eco estava bem próximo deles.
Pedro foi convidado inicialmente para participar do Residencial Mississipi, lançado em 2007 em Camboinha. O quarteto agora tinha uma missão, lançar um empreendimento corporativo como nunca havia sido realizado no estado e pelo qual a empresa é mais conhecida entre a população: o Eco Medical Center Cartaxo. “Quando fomos lançar o Eco Medical, percebemos que precisávamos ampliar o grupo”, lembra Tiquinho. “Era um projeto grande demais para a gente tocar sozinho.” O prédio levaria a empresa para outra escala: um empresarial de 28 pavimentos, com 212 unidades entre salas, lojas e sobrelojas, erguido em Miramar.

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