Antes do 'feminejo', pioneira Nalva Aguiar inaugurou shows da Festa do Peão de Americana há 40 anos
Reprodução/Redes sociais
Muito antes do movimento “feminejo” surgir, a cantora Nalva Aguiar já se destacava por trazer a influência do country norte-americano para o sertanejo raiz. Considerada uma das principais artistas do gênero, Nalva foi também a responsável pelo primeiro show da primeira edição da Festa do Peão de Americana, em 12 de junho de 1987.
Nalva é a intérprete de uma das versões mais famosas de “Beijinho Doce” e é considerada uma das principais artistas do gênero sertanejo. Neta da cantora, a violinista Cammyli Aguiar lembra que Nalva foi reconhecida com o prêmio de ‘Rainha da Música Country Brasileira’ nos Estados Unidos.
“Ela chegou a se apresentar nos Estados Unidos e recebeu homenagens ligadas à divulgação da música country brasileira, algo bastante significativo para a época", contou Cammyli.
🤠 A Festa do Peão de Americana completa 40 anos de existência este ano e conta com 16 apresentações musiciais entre 3 e 14 de junho, com artistas consagrados e nomes da nova geração.
“Um dos exemplos mais conhecidos é a introdução da guitarra em gravações sertanejas, algo que chamou muita atenção na época e ajudou a modernizar o gênero”, explicou Cammyli. Nalva também ajudou a popularizar o estilo country nas roupas. Ela participava ativamente da criação dos figurinos e da construção da identidade visual, que até hoje faz sucesso entre os fãs de sertanejo.
“Naquela época era comum as pessoas criarem suas próprias roupas, e meu bisavô, além de violinista, era alfaiate”, contou a neta.
Segundo Cammyli, a avó não costumava falar sobre como era ser uma das poucas mulheres num gênero predominantemente masculino. "A impressão que tenho é que ela encarava sua trajetória com muita naturalidade”, disse. Apesar disso, ela tem certeza que a avó foi fundamental para abrir portas para outras artistas.
"Artistas que vieram depois, como Roberta Miranda, Jayne e tantas outras, encontraram um caminho um pouco mais aberto graças ao trabalho pioneiro de mulheres que desafiaram padrões e conquistaram espaço em uma época muito diferente da atual”, afirmou.
Prestes a completar 81 anos, Nalva Aguiar possui um diagnóstico de Alzheimer. Apesar disso, Cammyli explica que muitas lembranças do passado permanecem, enquanto fatos mais recentes são mais difíceis de recordar. Além disso, ela convive com tremores que variam de intensidade diariamente.
Por isso, Nalva pausou suas atividades públicas, como dar entrevistas. “É importante destacar que ela recebe todos os cuidados necessários e de maneira geral mantém uma saúde bem acompanhada e estável”, afirmou a neta ao g1.
Fora dos palcos
Antes do 'feminejo', pioneira Nalva Aguiar inaugurou shows da Festa do Peão de Americana há 40 anos
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Considerada a "rainha dos rodeios", Nalva participou de inúmeros eventos do tipo. Cammyli contou que a avó sempre falava com carinho dos shows realizados na região de Campinas e do afeto que recebia do público local.
“Ela costumava contar sobre as longas maratonas de shows, chegando a fazer três apresentações no mesmo dia, além dos desafios que enfrentava na estrada. Também lembrava de situações complicadas envolvendo contratantes e pagamentos, algo relativamente comum naquele período”, disse.
Cammyli também contou que a avó tinha um carinho especial pela música "Sombra dos Laranjais (Tupaciguara)". O título homenageia a cidade natal de Nalva e a composição é cheia de elementos pessoais e afetivos.
Fora dos palcos e da estrada, Cammyli descreveu a avó como uma pessoa determinada e de personalidade forte.
“Acho que muita gente se surpreenderia ao descobrir o quanto ela sempre foi independente. Ela costumava tomar suas próprias decisões, construir a própria carreira e conduzir seus projetos da maneira que acreditava ser correta”, afirmou.
Música que atravessa gerações
A música atravessa gerações na família Aguiar: Cammyli é violinista focada em eventos pop e geek. O instrumento que ela toca pertenceu ao bisavô, pai de Nalva. A trajetória da avó foi uma grande inspiração para a neta, que mantém vivo o legado da cantora nas redes sociais.
“Gostaria que ela fosse lembrada como uma artista que ajudou a transformar a música sertaneja. Ela não teve medo de experimentar novas sonoridades, incorporar instrumentos pouco comuns para a época e ampliar os horizontes do gênero”, afirmou a violinista.





