PMs que mataram pedreiros em São Gonçalo admitem que confundiram ferramenta com fuzil
Os policiais militares envolvidos nas mortes dos pedreiros no Jardim Catarina, em São Gonçalo, prestaram depoimento na Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHSGNI) e disseram que algumas câmeras corporais estavam descarregadas na hora dos tiros.
Segundo eles, também havia uma forte neblina no local. Os policiais admitiram ter confundido uma régua de obra com fuzil. Três agentes foram afastados dos trabalhos na rua. A Polícia Civil solicitou as imagens das câmeras e ainda aguarda o material. O corpo de Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos, foi sepultado nesta quinta-feira (28) enquanto o de Edivan Felipe de Assis, de 46, será enterrado nesta sexta-feira (29). Em depoimento, um morador contou à polícia que viu os pedreiros mortos segundos antes deles serem baleados por policiais militares.
Tripé que estava com pedreiros quando foram mortos em São Gonçalo
Reprodução
"Eles passaram por mim, me cumprimentaram, deram bom dia, só que ele estava com uma ferramenta no colo. Eu até pensei comigo: 'pô, pode ser confundido com alguma arma'. Nisso que ele seguiu, por volta de uns trinta segundos depois, já escutei um monte de tiros, a rajada", afirma a testemunha.
"Não teve voz de prisão, não teve pedido para parar, eles simplesmente chegaram próximo aos policiais que estavam escondidos e eles atiraram dessa forma", completa.
O Edivan deixa um neto de três meses e Marcelo deixa esposa e uma filha. A viúva de Marcelo disse que nenhum representante do governo procurou a família.
"Meu primo saindo para trabalhar, não sei se foi Bope, se foi Core, só sei que deram uma rajada de tiro para cima dele. Não foi pouco, não, foi muito tiro", lamenta a prima, que preferiu não se identificar.
A perícia da encontrou uma ferramenta, descrita como uma régua de pedreiro, a cerca de 150 metros dos corpos das vítimas
Layla Mussi/O São Gonçalo
"Morreu de maneira covarde, e eu lamento muito pela morte do meu primo. Eu cuidei dele, eu posso dizer, ele não era bandido, não era, porque se fosse eu colocava a cara aqui para falar, mas ele não era, morreu na covardia", completa.
Em nota, a PM lamentou as mortes. “A corporação lamenta a morte do Marcelo da Cruz Silva e do Edivan Felipe de Assis e ressalta que preza pela transparência de suas ações colaborando integralmente com as investigações do caso.” (Veja a nota na íntegra no final da reportagem).
Testemunhas contam que os agentes estavam no local em apoio a uma operadora de telefonia.
Um dos homens também seria o dono de um bar na região da Ipuca e, naquele momento, teria ido ajudar o amigo como ajudante de pedreiro em uma obra para complementar a renda.
Os dois homens foram encontrados caídos no chão ao lado de ferramentas de obra.
Um dos mortos é Marcelo da Cruz Silva, de 41 anos
Reprodução
A Delegacia de Homicídios de Niterói, São Gonçalo e Itaboraí (DHNSG) investiga o caso.
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O que dizem os citados
“A Assessoria de Imprensa da Secretaria de Estado de Polícia Militar informa que , de acordo com o comando do 7º BPM (São Gonçalo), um procedimento apuratório segue em curso para averiguar todas as circunstâncias na qual policiais militares atingiram dois homens em uma motocicleta, durante ocupação na localidade de Ipuca, na manhã desta quarta-feira (27/05). O local foi isolado e a Delegacia de Homicídios da região foi acionada. A Corporação lamenta a morte do Marcelo da Cruz Silva e do Edivan Felipe de Assis e ressalta que preza pela transparência de suas ações colaborando integralmente com as investigações do caso.”





