EUA decidem classificar Comando Vermelho e PCC como organizações terroristas
Parlamentares de oposição e governistas se manifestaram sobre a decisão dos Estados Unidos em classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas, nesta quinta-feira (28).
Enquanto a oposição comemorou a decisão do governo Donald Trump, governistas falam que foi um "atentado contra a soberania" (veja abaixo a repercussão).
Em comunicado desta quinta-feira, o governo americano afirmou que as facções serão designadas como “Terroristas Globais Especialmente Designados” (“Specially Designated Global Terrorists”, ou SDGTs) e como “Organizações Terroristas Estrangeiras” (“Foreign Terrorist Organizations”, ou FTOs).
Enquanto a primeira designação tem efeito imediato, a inclusão na lista de FTOs deve ocorrer em 5 de junho.
Ao anunciar a medida, os EUA afirmaram que CV e PCC estão entre “as organizações criminosas mais violentas do Brasil” e disseram que os grupos “comandam milhares de integrantes” e são responsáveis por “ataques brutais” contra policiais, autoridades públicas e civis.
Em uma rede social, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, afirmou que a atuação das facções ultrapassa as fronteiras brasileiras e alcança outros países da região e os Estados Unidos.
“O governo Trump continuará usando todas as ferramentas disponíveis para proteger nossos interesses de segurança nacional e cortar financiamento e recursos de narcoterroristas”, escreveu.
Veja a repercussão entre os parlamentares:
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE) criticou a decisão dos Estados Unidos e afirmou que a classificação "não tem boa base técnica" e que "é uma decisão política" do governo Trump.
O ex-relator da CPI do Crime Organizado afirmou que a classificação "não tem boa base técnica" e que "é uma decisão política" do governo Trump.
"A classificação de duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas não tem uma boa base técnica, mas é uma decisão política unilateral do governo americano", disse o ex-relator da CPI do Crime Organizado.
"A classificação pode produzir consequências financeiras desastrosas e ampliar os prejuízos à economia brasileira, como já ocorreu com as tarifas impostas pelos EUA. Se instituições financeiras, bancos, empresas ou intermediários forem acusados de lavar dinheiro, movimentar valores ou facilitar pagamentos ligados a facções, o sistema financeiro brasileiro pode ser contaminado por fuga de investimentos, sanções, bloqueio de ativos, perda de correspondentes bancários, travamento de operações internacionais e restrição de crédito", disse o líder.
Já o vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ), afirmou que o pré-candidato à presidência da República, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), e seu irmão, Eduardo Bolsonaro, “novamente tramam e conspiram com o Brasil”.
“O objetivo deles é trazer imensos prejuízos à economia brasileira. Vai ter impacto econômico. É a mesma coisa que Eduardo Bolsonaro fez ali quando impôs tarifas, sanções”, criticou Farias.
“Nós não somos colônia norte-americana, nós somos um Brasil soberano, que tem um presidente”, concluiu o deputado.
O deputado federal e ex-ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT-SP), afirmou que a decisão do governo dos Estados Unidos vai servir para dificultar investimentos externos no Brasil
“Depois de serem pegos com dinheiro vindo dos crimes de Vorcaro, os irmãos Bolsonaro foram de novo apelar por ajuda nos Estados Unidos. Pediram uma medida que dificulta investimentos externos e aumenta a possibilidade de interferência americana no Brasil. A segurança é só desculpa. O que ofereceram em troca? A Amazônia? A Petrobras? Terras raras?”, disse Teixeira.





