Trump já se manifestou sobre a decisão?
Até a última atualização desta reportagem, Trump não se manifestou sobre a medida. Nos últimos dias, suas declarações sobre política internacional têm focado na guerra do Irã, cuja extensão do cessar-fogo tem sido discutida por negociadores dos dois países.
Por que Lula era contra a medida?
Flávio Bolsonaro em encontro com Trump; Lula em reunião com Trump
Reprodução
O governo Lula manifestou oposição à classificação do PCC e do Comando Vermelho como organizações terroristas pelos Estados Unidos devido a preocupações com a soberania nacional e divergências jurídicas.
O Palácio do Planalto avalia que essa classificação abre precedentes para ações mais duras e unilaterais dos Estados Unidos.
Em um cenário extremo, o governo brasileiro teme que os EUA possam usar o argumento do combate ao terrorismo para conduzir operações militares em território brasileiro, a exemplo do que já ocorreu em outros países.
As facções brasileiras não se enquadram na definição de terrorismo da Constituição e da Lei Antiterrorismo de 2016. Para a lei brasileira, o terrorismo exige motivações de xenofobia, discriminação ou preconceito. Já as facções mencionadas são organizações criminosas que buscam lucro, e não grupos com motivações ideológicas, políticas ou religiosas.
Qual foi a reação do governo brasileiro?
O Ministério das Relações Exteriores não se manifestou até a última atualização desta reportagem. A única manifestação do governo veio de Celso Amorim, assessor especial do presidente Lula para assuntos internacionais.
"Segurança pública é um tema fundamental para o desenvolvimento socio-econômico. Crime organizado é um mal que tem que ser combatido. Cooperação internacional é bem-vinda, especialmente em temas como lavagem de dinheiro e contrabando de armas. Pretexto para intervenção, é inaceitável", declarou Amorim.
O Brasil pode sofrer sanções por causa da medida?
As designações abrem a possibilidade de sanções para indivíduos e empresas ligadas às facções.
Quais as consequências práticas para o Brasil?
Embora possa haver reflexos nas avaliações de agências de classificação de risco e outros efeitos secundários na economia, não é possível prever nenhuma consequência imediata.
Segundo Oliver Stuenkel, professor de Relações Internacionais da Fundação Getulio Vargas (FGV), o primeiro impacto relevante será na relação bilateral entre Brasil e EUA. Ele avalia que a decisão pode dificultar a cooperação entre agências brasileiras e americanas no combate ao crime organizado.
Ainda segundo ele, a medida do governo americano pode gerar receio em investidores e empresas dos EUA em manter relações com companhias brasileiras, sobretudo bancos, devido ao risco de sanções financeiras.
“Isso pode gerar uma certa relutância por parte de investidores, mesmo se essas empresas não tenham uma relação comprovada com supostas organizações terroristas. Muitas empresas não querem correr esse risco para não ter problema com o fisco americano e com a Justiça”, diz.
'Grande dia', diz Flávio Bolsonaro sobre decisão dos EUA de classificar PCC e Comando Vermelho como organizações terroristas
Por que Lula não queria que EUA classificassem facções PCC e CV como organizações terroristas
EUA classificam PCC e Comando Vermelho como 'organizações terroristas estrangeiras' e 'terroristas globais'; entenda a diferença
Quais as diferenças entre Organização Terrorista Estrangeira e Terrorista Global, para os EUA





