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Emagrecimento rápido pode ser mais eficaz e sustentável do que perda de peso gradual, aponta estudo

Emagrecimento rápido pode ser mais eficaz e sustentável do que perda de peso gradual
Perder peso rapidamente pode ser mais eficaz e não aumentar o risco de recuperar os quilos perdidos do que emagrecer de forma gradual. A conclusão é de um estudo apresentado no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026), em Istambul, na Turquia, que acompanhou adultos com obesidade durante um ano.

Os pesquisadores observaram que participantes submetidos a um programa estruturado de emagrecimento rápido perderam mais peso, mantiveram melhores resultados após 52 semanas e alcançaram com maior frequência metas associadas à redução do risco de doenças como diabetes tipo 2, hipertensão e problemas cardiovasculares.

Segundo a autora principal do estudo, Line Kristin Johnson, um dos fatores que podem explicar os resultados é o impacto motivacional das perdas iniciais mais intensas.
“Resultados iniciais e visíveis podem aumentar a motivação. Isso, por sua vez, pode reforçar a adesão durante a fase inicial crítica. É absolutamente plausível que uma perda de peso inicial rápida possa melhorar a motivação e a persistência”, afirmou Johnson ao g1.

Emagrecimento rápido pode ser mais eficaz e sustentável do que perda de peso gradual, aponta estudo
Adobe Stock
Ela ressaltou, porém, que o estudo avaliou principalmente desfechos clínicos, e não os mecanismos psicológicos envolvidos na adesão ao tratamento. Além disso, a perda rápida de peso não deve ser indicada para todos os pacientes.
O ensaio clínico randomizado foi conduzido por pesquisadores do Vestfold Hospital Trust, na Noruega, em parceria com a empresa Roede AS. Ao todo, 284 adultos com obesidade participaram do estudo. A idade média foi de 49 anos no grupo de perda rápida e de 48 anos no grupo de perda gradual, segundo Johnson.

A pesquisadora destaca que os resultados desafiam uma recomendação difundida há décadas na medicina.
“A crença de que a perda de peso gradual é mais sustentável provavelmente deriva de estudos observacionais e de pequena escala. Essas recomendações não foram fortemente apoiadas por ensaios clínicos randomizados de alta qualidade”, afirmou a pesquisadora em entrevista ao g1.

Como o estudo foi feito
Os participantes foram divididos em dois grupos iguais:
um submetido a um programa de perda de peso rápida; outro a um programa de perda de peso gradual. O grupo de emagrecimento rápido seguiu uma dieta mais restritiva durante as primeiras 16 semanas:
nas semanas 1 a 8, menos de 1.000 calorias por dia; entre as semanas 9 e 12, menos de 1.300 calorias; entre as semanas 13 e 16, menos de 1.500 calorias diárias.

Já o grupo de perda gradual reduziu moderadamente a ingestão energética, consumindo entre 800 e 1.000 calorias abaixo do gasto energético diário estimado. A média relatada foi de cerca de 1.400 calorias por dia.

Após a fase inicial, todos os participantes passaram pelo mesmo programa de prevenção do reganho de peso durante 36 semanas. O acompanhamento incluiu sessões presenciais em grupo, webinars, contatos por vídeo e telefone e ajustes progressivos da ingestão calórica.

Segundo os autores, a maioria decidiu continuar emagrecendo mesmo após as primeiras 16 semanas do estudo. Grupo de perda rápida perdeu mais peso
Os resultados mostraram diferenças importantes já nos primeiros meses.
Durante as 16 semanas iniciais:
o grupo de perda rápida perdeu, em média, 12,9% do peso corporal; o grupo gradual perdeu 8,1%. Após um ano:
o grupo de emagrecimento rápido registrou perda média de 14,4% do peso corporal; o grupo gradual alcançou redução média de 10,5%.

Segundo os pesquisadores, os resultados indicam que o emagrecimento rápido, quando realizado dentro de um programa estruturado, não levou a maior reganho de peso no período analisado. Mais participantes atingiram metas ligadas à redução de doenças
Além da perda de peso total, os pesquisadores avaliaram quantos participantes atingiram metas consideradas clinicamente relevantes para reduzir o risco de complicações associadas à obesidade.

Um dos indicadores analisados foi o índice de massa corporal (IMC). Estudos anteriores citados pelos autores sugerem que atingir IMC igual ou inferior a 27 kg/m² pode reduzir o risco de doenças relacionadas à obesidade em até dez anos. Após um ano:
28,3% dos participantes do grupo de perda rápida atingiram essa meta; no grupo gradual, apenas 9,7% chegaram ao mesmo resultado. Outro indicador analisado foi a relação cintura-estatura, associada ao risco cardiovascular. A meta considerada ideal foi alcançada por:
33% dos participantes do grupo de perda rápida; 18,4% dos participantes do grupo gradual.

Segundo Johnson, mais participantes submetidos ao emagrecimento rápido também atingiram metas relacionadas à redução do risco de diabetes tipo 2, hipertensão, doença cardiovascular aterosclerótica e osteoartrite de quadril e joelho. Pesquisa não defende perda de peso sem acompanhamento
Os autores alertam que os resultados foram obtidos em um ambiente supervisionado e estruturado, com acompanhamento contínuo.

Segundo Johnson, tentar reproduzir estratégias de emagrecimento rápido sem orientação profissional pode trazer riscos importantes.
“Sem supervisão, os riscos potenciais incluem má qualidade da dieta, levando a deficiências nutricionais, menor sustentabilidade e maior probabilidade de desistência, bem como o uso de métodos inseguros de ‘solução rápida’”, diz Johnson.

Ela também destacou que, fora de programas estruturados, a perda rápida de peso pode favorecer o efeito rebote.
“A perda de peso desencadeia mecanismos fisiológicos como adaptação metabólica e aumento dos sinais de fome. Essas mudanças podem promover o reganho de peso se a intervenção não for acompanhada por uma transição estruturada para a fase de manutenção”, destaca.

Perda rápida de peso não deve ser indicada para todos os pacientes
Johnson explicou ainda que a perda rápida de peso não deve ser indicada para todos os pacientes. Segundo ela, a abordagem não é recomendada para:
gestantes e lactantes; pessoas com doenças crônicas graves; pacientes com câncer; idosos frágeis; pessoas com transtornos alimentares ou alto risco de desenvolvê-los; indivíduos sem capacidade de aderir a acompanhamento estruturado.

A pesquisadora também destacou que os resultados ainda têm limitação importante: cerca de 90% da amostra era composta por mulheres, o que reduz a capacidade de generalizar os achados para homens. Estudo pode influenciar abordagem médica
Segundo os autores, os resultados podem ter impacto relevante diante da crescente demanda por tratamento da obesidade e das dificuldades de acesso a medicamentos e cirurgia bariátrica. Johnson afirmou que programas estruturados de emagrecimento disponíveis comercialmente podem ajudar a reduzir a sobrecarga sobre os sistemas públicos de saúde.

Para a pesquisadora, o principal recado do estudo é que estratégias mais rápidas também podem ser sustentáveis quando existe suporte adequado.
“Com a orientação adequada, uma perda de peso inicial mais rápida pode ser eficaz e sustentável, ao contrário da crença comum. Os fatores mais importantes são estrutura, apoio e estratégias de manutenção a longo prazo”, conclui Johnson.

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