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Dentista presa causou lesões graves e deixou sete pacientes deformados, diz polícia

Dentista é presa suspeita de causar sequelas em pacientes com procedimentos estéticos
A dentista Valéria Ribeiro, que foi presa nesta quinta-feira (28), em Goiânia, causou lesões graves e deixou sete pacientes deformados, de acordo com o delegado Wladimir Freire. Conforme a investigação, ela realizava as cirurgias dentro da própria clínica, ambiente considerado inadequado e sem a estrutura necessária para procedimentos de alta complexidade.

“Quando você fica mais de 30 dias ausente das suas funções, sem condições de agir normalmente, ela é grave para a Justiça”, explicou o delegado sobre a situação dos sete pacientes.
Em nota, a defesa da dentista, representada pela advogada Caroline Bittar, informou que, até o presente momento, não teve acesso “à integralidade dos documentos que embasaram a operação”, e, por isso, não poderá dar uma resposta técnica completa (veja a nota completa no final da reportagem).

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O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informou que a profissional possui registro ativo e que o conselho acompanha com atenção os desdobramentos do caso. Acrescentou que os procedimentos estéticos e cirúrgicos no rosto, como lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia e blefaroplastia, só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista na área (veja a nota completa no final).

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A operação, realizada com o apoio da Vigilância Sanitária, interditou a clínica no Setor Bueno. Uma funcionária foi presa em flagrante por tentar esconder alguns produtos ou objetos da investigação, segundo o delegado. Por não ter o nome divulgado, o g1 não conseguiu localizar a defesa dela para se posicionar.

De acordo com a Polícia Civil (PC), as investigações foram iniciadas em 2024 após relatos de vítimas desde 2023. As apurações apontaram que, dentre os procedimentos praticados pela profissional, estavam rinoplastia (remodelação de nariz), bichectomia (remoção parcial das bochechas) e lipo de papada (remoção da gordura na região).

Uma dessas pacientes quase precisou ir para uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após um procedimento, segundo o investigador.

“Teve uma que quase foi [para a UTI]. Ela levou para a casa dela para tratar lá”, afirmou o delegado à repórter Letícia Fiuza Dentista que atuava em clínica no Setor Bueno, em Goiânia, foi presa por realizar procedimentos estéticos para os quais não tinha habilitação
Divulgação/Polícia Civil de Goiás
Operação
A operação Protocolo de Risco levantou indícios de exercício ilegal da medicina, funcionamento irregular do estabelecimento e possível utilização de técnicas vedadas pelas normas de fiscalização profissional, de acordo com a PC. A dentista foi presa preventivamente.
Durante o cumprimento de mandados judiciais, foram realizadas buscas na clínica e em endereços residenciais vinculados à investigada para apreender documentos, aparelhos eletrônicos, contratos, prontuários, equipamentos e outros materiais de interesse das investigações. Além da prisão, a operação cumpre dois mandados de busca e apreensão e sequestro de R$ 600 mil, além de bens patrimoniais.

Segundo a polícia, a operação apura a prática de procedimentos estéticos e cirúrgicos, supostamente realizados de forma irregular, que causaram graves danos físicos e psicológicos nas vítimas.

Dentista que tinha uma clínica no Setor Bueno, em Goiânia, foi presa por realizar procedimentos estéticos sem habilitação
Divulgação/Polícia Civil de Goiás
Nota da defesa
A defesa da cirurgiã-dentista Valéria Ribeiro, representada pela advogada Caroline Bittar, vem a público esclarecer que, até o presente momento, não teve acesso à integralidade dos documentos que embasaram a operação policial deflagrada nesta quinta-feira (28) pela Polícia Civil de Goiás.
A ausência de acesso integral aos autos impossibilita, por ora, uma resposta técnica e jurídica completa aos fatos noticiados.
Tão logo tenha acesso irrestrito à documentação, a defesa se manifestará de forma detalhada e fundamentada.
Nota do CRO-GO
O Conselho Regional de Odontologia de Goiás (CROGO) informa que tomou conhecimento, por meio de notícias veiculadas pela imprensa, da operação deflagrada pela Polícia Civil de Goiás, nesta quinta-feira (28/05). A profissional em questão possui registro ativo no CROGO.

O CROGO acompanha com atenção os desdobramentos do caso e ressalta que eventuais infrações éticas estão sendo devidamente apuradas no âmbito administrativo, respeitando-se o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa, conforme estabelece a legislação vigente. As apurações neste Conselho correm sob sigilo.

O CROGO esclarece que, em regra, os procedimentos estéticos minimamente invasivos de Harmonização Orofacial, como aplicação de botox e preenchimento com ácido hialurônico, podem ser realizados por profissionais da Odontologia, nos termos da Resolução CFO 198/2019.
Por outro lado, os procedimentos estéticos e cirúrgicos na face (ex.: lipoaspiração de papada, rinoplastia, otoplastia, blefaroplastia etc.) só podem ser realizados pelo cirurgião-dentista que for comprovadamente especialista em Cirurgia Estética Orofacial (CEOF), conforme exige a Resolução CFO 286/2026, sob pena de responsabilização.

O CROGO reforça seu compromisso com a fiscalização do exercício ético e legal da Odontologia, com a segurança da população e com a valorização dos profissionais que atuam dentro dos limites técnicos e científicos estabelecidos pelas normas da profissão.

Conselho Regional de Odontologia de Goiás – CROGO

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