Alunos de escola estadual do noroeste de SP são destaque em competição nacional
No laboratório de robótica de uma escola estadual do noroeste de São Paulo nasceu um projeto que mistura análise da qualidade da água com a inteligência artificial, e que foi o segundo mais premiado do país durante a Feira Brasileira de Ciências e Engenharia (Febrace), realizada na Universidade de São Paulo (USP).
Dentro da Escola Estadual Professora Maria das Dores Ferreira Rocha, em Santa Rita d'Oeste (SP), fios, peças impressas em 3D, microscópios adaptados e computadores dividem espaço com sonhos que parecem grandes demais para estudantes de 14 anos, mas que chamaram a atenção de especialistas em ciência e engenharia.
📲 Participe do canal do g1 Rio Preto e Araçatuba no WhatsApp
Batizado de "AquaLab IA”, o sistema desenvolvido pelos alunos Daniel Ponzani Fernandes, Raynan Vitor Garrio e Tiago Murilo Marques Dias combina robótica, microscopia e inteligência artificial.
Os estudantes Raynan Garrio, Daniel Fernandes e Tiago Marques Dias, da escola estadual Maria das Dores Ferreira Rocha, de Santa Rita d'Oeste (SP)
TV TEM/Reprodução
Na feira realizada na USP, o trabalho foi premiado também como o destaque do Estado de São Paulo. Além disso, o AquaLab IA garantiu vaga para mais uma competição nacional: a Feira Brasileira de Iniciação Científica (Febic), prevista para setembro, em Santa Catarina.
Por trás das medalhas e troféus, no entanto, existe uma história que mistura curiosidade científica, preocupação ambiental e transformação pela educação.
Projeto dos estudantes de laboratório de robótica de escola estadual em Santa Rita d'Oeste (SP) foi o segundo mais premiado no país na Febrace, tradicional feira de ciências e engenharia
TV TEM/Reprodução
Engenharia e ciência O equipamento criado pelos estudantes de Santa Rita d'Oeste funciona como uma espécie de laboratório portátil. Uma amostra de água é colocada no sistema, que utiliza um microscópio adaptado com webcam para captar imagens microscópicas.
“Somos sempre incentivados nas aulas a usar engenharia e ciência para ajudar as pessoas. A gente descobriu que a poluição da água afeta o mundo inteiro. Daí surgiu a ideia de criar um projeto para analisar a qualidade da água”, conta Raynan, aluno do 9º ano, à TV TEM.
Essas imagens são enviadas a um software treinado com inteligência artificial, responsável por interpretar os dados e apontar possíveis alterações na água. Em poucos segundos, o computador apresenta os resultados.
AquaLab IA, sistema de análise da qualidade de água, que mistura robótica com inteligência artificial, foi desenvolvido por estudantes de escola pública do interior de SP e premiado em feira nacional de ciências e engenheria
TV TEM/Reprodução
Diversas análises Segundo o professor de robótica Edson Antonio Henrique, orientador do grupo, o diferencial está na capacidade de reunir diversas análises em um único sistema, algo que normalmente exige equipamentos caros e separados.
O projeto analisa dez parâmetros da qualidade da água. O primeiro módulo verifica microscopia, pH, turbidez e sólidos dissolvidos. O segundo é sobre DBO (demanda bioquímica de oxigênio) e o terceiro está relacionado aos coliformes fecais e E. coli, conforme explica o professor.
Mais do que inovação tecnológica, o educador destaca o impacto social da proposta. Segundo ele, o sistema foi pensado para ser acessível.
Estudante Rayan Garrio, de Santa Rita d'Oeste (SP) demonstra o funcionamento do sistema AquaLab IA, que mistura robótica com IA para analisar a qualidade da água
TV TEM/Reprodução
O professor destaca que existem equipamentos no mercado que fazem análises deste tipo, mas não com todos os parâmetros ao mesmo tempo. Outra vantagem do projeto dos alunos é o custo reduzido: entre 2% e 3% do valor de outros aparelhos.





