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‘Meu rosto ficou com duas feridas abertas’, diz paciente após procedimento estético com dentista indiciada no ES

Segundo o Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES), atualmente nenhum dentista no Espírito Santo possui autorização para realizar o procedimento. Além do inquérito da Polícia Civil, o CRO-ES abriu 15 procedimentos administrativos contra Mariana.

A defesa de Mariana Laranja afirmou que a profissional possui "atuação consolidada e registro regular como especialista em Harmonização Orofacial". Sobre a investigação criminal, destacou que o indiciamento é apenas uma etapa inicial e que o Ministério Público solicitou perícias técnicas complementares. Os dois seguem atuando na clínica. Confira o posicionamento na íntegra abaixo.

Três pacientes relataram à polícia deformidades, infecções graves e complicações permanentes após mini lifting facial realizado pela dentista Mariana Laranja
TV Gazeta
"Eu não apresentei nem exame de sangue"
A paciente Ana contou que decidiu procurar um procedimento estético após um período difícil emocionalmente.
"Eu passei o ano de 2025 muito cansada. Eu perdi meus pais, me sentia com o rosto derretido, envelhecida. Procurei algo que tirasse esse ar de cansada. Eu me debrucei nas redes sociais e vi vários profissionais ofertando lifting facial, botox, preenchimentos. A única profissional que me deu um valor compatível com o meu orçamento foi a doutora Mariana", disse.
Segundo Ana, o procedimento foi apresentado como algo simples e de recuperação rápida. Ela também afirmou que não passou por avaliação clínica antes da cirurgia.
"Ela me informou que seria um procedimento indolor, rápido e de fácil recuperação. Foi dentro de um consultório odontológico, numa cadeira de dentista. Não me foi pedido nenhum exame prévio para fazer essa pequena cirurgia, como ela apresentava. Eu não apresentei exame de sangue, não preenchi ficha de anamnese para saber se eu tinha algum histórico de diabetes ou de doença crônica", lembrou.
Dias depois da cirurgia, ela percebeu que os pontos haviam aberto. Segundo Ana, a recuperação levou meses.
"Me bateu um desespero. Meu rosto ficou com duas moedas abertas debaixo da orelha. Quando relatei o problema, ela usou as palavras: 'O corpo é incrível, você vai se recuperar'. Eu demorei quatro meses para a ferida fechar por completo e fiquei com duas cicatrizes bastante alargadas no rosto", contou.
Mariana Barros Laranja Roeder, de 44 anos, e o sobrinho e sócio Nathan Laranja Roeder Holz, de 25, foram indiciados por lesão corporal culposa após procedimentos de mini lifting facial realizados em clínica de Vila Velha, Espírito Santo
Reprodução/Rede social
Foi à clínica para consulta e saiu com o procedimento feito
A paciente Renata contou que procurou a clínica após ver publicações sobre mini lifting facial na rede social. Ela foi ao local inicialmente apenas para uma consulta, mas acabou realizando o procedimento no mesmo dia.
"Ela falou que tinha horário para fazer naquele dia mesmo e eu fiz. Eu fui para lá porque era uma coisa menos invasiva, com anestesia local. Achei que fazia rapidinho e ia embora".
Segundo a paciente, os problemas apareceram após a retirada dos pontos, às vésperas do Natal.
"A moça falou: 'Tá um pouquinho aberto'. Quando ela saiu para chamar a doutora, eu peguei o telefone e tirei uma foto. Eu estava com uma boca na cara. Duas! Eu não tive Natal com a minha família, não tive Ano-Novo, não tive férias. Eu tinha viagem marcada e precisei cancelar tudo", disse.
Ela contou ainda que encontrou outras mulheres com lesões semelhantes enquanto fazia tratamento em uma clínica especializada.

"Eu encontrava pessoas na recepção com os mesmos curativos que eu no rosto. Aí perguntavam: 'Foi também com a doutora Mariana?'. E eu falava: 'Foi'", lembrou.
Propostas de acordo
As pacientes afirmaram que, após relatarem as complicações, receberam propostas de acordo para encerrar o caso. Segundo os relatos, houve oferta de R$ 5 mil.

As três também receberam uma notificação extrajudicial alegando que o procedimento havia sido bem-sucedido.
Pacientes da dentista Mariana Laranja afirmaram que, após relatarem as complicações, receberam propostas de acordo para encerrar o caso. Segundo os relatos, houve oferta de R$ 5 mil. Espírito Santo
TV Gazeta
"Eu queria o meu dinheiro de volta e uma cirurgia reparadora com outro profissional para tirar a cicatriz. Ela ofereceu R$ 5 mil como acordo, um pouco mais da metade do que eu paguei pelo procedimento. Mas me parece contraditório dizer que teve êxito e, ao mesmo tempo, oferecer dinheiro", afirmou Ana.
Ana e renata foram encaminhadas pela dentista para uma clínica de tratamento de feridas, foi lá que elas se conheceram e resolveram procurar a polícia.
Um inquérito foi aberto e, ao final da investigação, a polícia indiciou Mariana e Nathan Laranja por lesão corporal culposa. O entendimento é de que eles agiram com "imperícia e imprudência" nos casos investigados ao realizar procedimentos irregulares, com falta de habilitação específica e atuação além dos limites legais.
Novos relatos
A arquiteta Carmem Araújo relatou cicatrizes e um dignóstico de olho seco após procedimentos com a dentista Mariana Laranja
Reprodução
Depois que a reportagem sobre o indiciamento dos dentistas foi veiculada nesta terça-feira (26), outros pacientes procuraram a TV Gazeta e o g1 para relatar complicações após procedimentos realizados no Instituto Laranja, em Vila Velha.
Um dos relatos é o da arquiteta Carmem Araújo, que aceitou se identificar. Ela contou que realizou um mini lifting facial em outubro de 2025 após acompanhar os resultados divulgados pela dentista nas redes sociais.
"Ela me passou uma impressão muito boa. É uma pessoa muito educada, né? E eu me senti segura para fazer essa cirurgia. Ela me perguntou o que mais me incomodava, eu falei do 'bigode chinês'. Aí ela falou que teria esse mini lifting que iria melhorar bastante. Ela tem até um um slogan que ela fala, : 'jovens jovem jovem'", afirmou.
Segundo Carmem, nos primeiros dias o procedimento aparentava ter dado certo, mas o efeito foi desaparecendo após as primeiras semanas.
A arquiteta relatou ainda que decidiu fazer também uma blefaroplastia na clínica, cerca de 20 dias depois, mas ficou com cicatrizes permanentes ao redor dos olhos.

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