Castelo de José Rico com 100 quartos pode virar museu de música sertaneja em SP
O castelo do cantor sertanejo José Rico, que fazia dupla com Milionário e morreu em 2015, pode ser transformado em um museu dedicado à música sertaneja em Limeira (SP). A mansão de mais de 100 quartos foi declarado de utilidade pública por meio de um decreto municipal assinado nesta terça-feira (26) – medida que representa o primeiro passo do projeto.
O imóvel fica em uma estrada municipal perto da Rodovia Anhanguera (SP-330) e ocupa área total de 48 mil metros quadrados avaliada em cerca de R$ 15 milhões. A propriedade pertence ao espólio de José Rico Alves dos Santos – o cantor morreu aos 68 anos sem ver o castelo concluído mesmo após 24 anos de obras.
A declaração de utilidade pública não significa que a desapropriação será imediata. O decreto permite que a prefeitura faça estudos, avaliações e outras ações para analisar a viabilidade técnica, jurídica e econômica projeto.
Segundo o decreto, a possível desapropriação atingirá 10.249 metros quadrados, área onde fica o castelo.
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A prefeitura afirma que avalia formas de dar ao espaço uma destinação de interesse público, inclusive com o apoio da iniciativa privada, já que não será usada verba municipal para o empreendimento. Para isso, conversa com diferentes setores da cidade.
"A administração municipal buscará recursos estaduais, federais e da iniciativa privada para transformar o espaço em um polo de valorização da história cultural da música, especialmente a sertaneja", informou.
A transformação em museu pode encerrar um imbróglio judicial que se estende há pelo menos cinco anos e soma três tentativas de leilão fracassadas.
Leilão por dívidas trabalhistas
Em meio a impasse judicial, 'Castelo' do cantor José Rico acumula sinais de abandono
Antes do decreto municipal de utilidade pública, a Justiça do Trabalho determinou, em dezembro de 2025, a penhora do imóvel para pagamento de dívidas trabalhistas deixadas pelo cantor, que tinha 68 anos quando morreu.
🔎 A penhora é utilizada para bloquear bens de devedores para garantir o pagamento de dívidas. O bem ainda é do devedor, mas fica preso ao processo. Após a penhora, o imóvel pode ser leiloado ou repassado ao credor para quitação da pendência.
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Por três vezes, uma parcela de 21% do imóvel o castelo, avaliada em R$ 3,2 milhões, foi levada a leilão. Também houve tentativa de leilão de toda a área em 2023. No entanto, não houve interessados em nenhuma das tentativas.
A decisão judicial de leiloar o castelo ocorreu em uma ação movida por um músico que trabalhou com a dupla entre 2009 e 2015.
Nos autos, ele relatou que trabalhava em 19 shows por mês e, posteriormente, 12 apresentações mensais, e realizava quatro apresentações em TV por ano. O funcionário alegou que:
não teve contrato de trabalho registrado em carteira;
não recebia descanso semanal remunerado (DSR), horas extras, adicional noturno e de insalubridade;
acumulava funções;
não recebeu 13º salários, férias e Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) depositado;
não pôde se habilitar ao seguro desemprego;
sofreu danos morais.
A seguir, entenda ponto a ponto, o que fez o recanto dos sonhos do artista chegar ao estado de abandono:
Do sonho ao abandono
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g1
Em vida, o músico informou o desejo de fazer do lugar um recanto para a família, além de construir um estúdio nele. Os vizinhos do castelo detalharam ao g1 que o artista era o "engenheiro" da obra, que durou 24 anos e nunca foi finalizada.





