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Por que pai, filho, genro e amigo foram assassinados em Cariacica? Veja o que se sabe e o que falta esclarecer sobre chacina

“À princípio, dois indivíduos fizeram levantamento na parte da manhã para saber se as vítimas realmente estavam no local e, depois, quatro indivíduos chegaram no local e efetuaram os disparos”, destacou o delegado.
Segundo a Polícia Militar, os cinco homens foram atingidos por disparos de arma de fogo. O sobrevivente foi ferido no peito e socorrido no Pronto Atendimento do bairro.
Em seguida, os suspeitos teriam fugido por uma escadaria que leva ao campo do Apolo, local apontado pela polícia como sendo de intensa movimentação do tráfico.
Quem são as vítimas?
Ruan Carlos da Silva Ribeiro, Hélio da Silva Souza e Gean de Castro Souza morreram no ataque em Cariacica
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As vítimas não tinham qualquer vínculo com o projeto social, segundo o dono do terreno. Eles também não teriam qualquer ligação com atividades criminosas, afirma a polícia.
"Não são pessoas da nossa equipe, não são pessoas do MIRC Brasil, não são colaboradores. Eu não conheço essas pessoas que estavam ali no nosso terreno, mas infelizmente aconteceu e a gente sente muito pela família, pelos familiares e pelas pessoas envolvidas", declarou pastor Sidney Pereira de Souza e Silva.
Segundo as investigações, os homens trabalhavam na criação de animais e eram moradores antigos da região.
Hélio trabalhava com a criação de gado e cavalos, e o filho dele era conhecido como Gean Leiteiro porque tinha vaca desde criança. Ele cresceu no bairro cuidando dos animais com o pai.
Já Ruan era pedreiro e estava no bairro com o amigo Carlos Daniel, também morto, para ajudar no corte das árvores.
O que motivou o ataque?
Segundo a polícia, os homens mortos foram identificados pela polícia como pessoas que não aceitavam imposições do tráfico de drogas, tendo uma rixa com a facção Terceiro Comando Puro (TCP), que comanda o crime na região.
Até o momento, a principal linha de apuração é de que a chacina aconteceu depois de um desentendimento entre a família e os traficantes.
Moradores relataram à PM que a organização criminosa tem obrigado toda a comunidade a reverenciá-la, exigindo que as pessoas baixem a cabeça quando estão na presença dos traficantes locais.
Conforme os depoimentos, um dos trabalhadores assassinados no sábado não teria baixado a cabeça ao cruzar com um faccionado. Ofendido, o criminoso buscou comparsas e retornou armado para executar o grupo.
Delegado fala sobre chacina em Cariacica que deixou 4 mortos
Este foi o primeiro conflito entre as vítimas e os faccionados?
Não. O conflito entre a família alvo do ataque e os membros da facção começou anos antes. Em 2021, o filho mais novo de Hélio também foi morto pelo tráfico.
Segundo relatos de testemunhas, na época a vítima e seus familiares impediram traficantes do grupo de iniciarem uma "boca de fumo" na região conhecida como Morro da Boa Vista.
Em represália por terem barrado o ponto de venda de drogas, a facção assassinou o filho de Hélio na presença de outros parentes. Desde esse episódio, toda a família passou a demonstrar uma "aberta repulsa à atividade criminosa na localidade".
Os suspeitos foram presos?
Segundo o delegado Luiz Gustavo Ximenes, quatro suspeitos de serem os executores do crime foram identificados. Até a manhã desta segunda-feira (25), dois deles tinham sido presos.
Um dos detidos é Caio Mota, de 28 anos. Ele foi preso na noite de sábado e identificado pela Polícia Civil como um dos homens que atiraram contra as vítimas. A arma que foi apreendida com ele foi encaminhada para a perícia.
Caio Mota, de 28 anos, foi preso suspeito de participar da chacina em Flexal II, em Cariacica, Espírito Santo
Reprodução
Já o outro preso foi identificado como Daniel Inácio Schinidel Bernardo, de 31 anos. Segundo a polícia, ele é um traficante que atua na região onde o crime aconteceu, mas não foi identificado como um dos homens que apertou o gatilho. Apesar disso, a ligação dele com a chacina não foi descartada.
Havia outras pessoas no local do crime?
Sim. No momento do crime, cerca de 50 crianças participavam de atividades promovidas pelo MIRC Brasil em outro terreno da instituição, localizado do outro lado da rua. Nenhuma delas ficou ferida.
O policiamento foi reforçado na região?
Sim, segundo a PM, o policiamento em Flexal II foi reforçado. No entanto, não há informações sobre até quando o reforço vai continuar.
“Nós estamos saturando o local, estamos fazendo policiamento. Já tínhamos policiamento lá, mas agora de forma mais saturada, mais viaturas, uma presença maior ali no local, e vamos continuar nos próximos dias até identificarmos e prendermos os envolvidos”, afirmou o tenente-coronel Prado.
Quem ordenou a chacina?
A polícia já identificou quatro atiradores e prendeu dois suspeitos, mas ainda não esclareceu quem mandou executar o grupo e qual foi a participação de cada um dos envolvidos.
Chacina em Cariacica: pai, filho, genro e amigo são mortos a tiros em terreno de projeto social
Reprodução/TV Gazeta
Onde estão os outros suspeitos?
Além dos dois homens presos, os outros apontados como atiradores seguem foragidos. Também há a busca por uma liderança criminosa citada pela PM como responsável pela região e que estaria fora do sistema prisional desde a saída temporária de Natal.
Qual foi a motivação exata do crime?
Ainda falta esclarecer se a chacina foi uma vingança a um acumulado de conflitos ao longo dos anos ou resposta a um desentendimento recente causado pela irreverência da família.
A família foi ameaçada antes do ataque?
O delegado informou que dois homens teriam feito um levantamento no terreno antes da execução. Falta esclarecer há quanto tempo o grupo era monitorado e se havia ameaça anterior registrada.
Como os criminosos chegaram e fugiram do local?
Até agora, as autoridades não detalharam a dinâmica da ação, quais veículos foram usados, a rota de fuga exata ou se houve apoio de outros integrantes da facção.
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