Polícia apreendeu o atestado de óbito, no qual a causa da morte do idoso foi registrada como “insuficiência respiratória”
Cedida
A médica responsável pelo atendimento e declaração de óbito de Juraci Rosa Alves, de 88 anos, na Santa Casa de Presidente Bernardes (SP), e que foi encontrado com sinais vitais em uma funerária de Presidente Prudente no último dia 16 foi ouvida pela Polícia Civil nesta segunda-feira (25). A profissional detalhou sua versão sobre o atendimento prestado na unidade no dia 16 de maio.
Conforme apurado pelo g1 junto à Polícia Civil de Presidente Bernardes, a médica, que não teve o nome divulgado, relatou em depoimento que o paciente chegou ao hospital por volta das 18h, em uma ambulância municipal de Emilianópolis, em estado grave. Segundo ela, o homem estava inconsciente, em estado grave e apresentando sinais de insuficiência respiratória (falta de ar aguda).
📲 Participe do canal do g1 Presidente Prudente e Região no WhatsApp A profissional afirmou à polícia que, diante da situação, os primeiros protocolos de emergência foram iniciados imediatamente. Diante da piora do quadro, a equipe realizou manobras avançadas de suporte à vida, como tentativas de intubação orotraqueal (introdução de um tubo na traqueia para garantir a respiração) e ressuscitação cardiopulmonar (massagem cardíaca).
À Polícia Civil, a médica explicou que houve dificuldades técnicas relacionadas ao quadro clínico do paciente, o que impediu o sucesso das três tentativas de intubação.
“Após todos esses procedimentos, constatada ausência de pulsos centrais e periféricos [sem sinais de circulação sanguínea], ausência de batimentos cardíacos, pupilas midriáticas [totalmente dilatadas e sem reação à luz] e ritmo de assistolia no monitor cardíaco [ausência de qualquer atividade elétrica no coração], declarou-se o óbito”, informou a Polícia Civil ao g1, com base nas informações colhidas em depoimento.
Diante do quadro que se apresentava no momento, a morte foi declarada de forma equivocada às 19h50, apontando como causas "insuficiência respiratória aguda" e "pneumonite por sólidos" (inflamação nos pulmões causada pela aspiração de alimentos ou substâncias estranhas).
Pouco tempo depois, o homem foi levado à funerária em Presidente Prudente, onde funcionários perceberam que ele estava respirando.
Idoso dado como morto em hospital apresenta sinais vitais durante preparo do corpo em funerária em Presidente Prudente
Arquivo Pessoal/Reprodução
O inquérito policial segue em andamento para esclarecer todas as circunstâncias do atendimento. Segundo a Polícia Civil, equipes continuam colhendo depoimentos e aguardam a conclusão do laudo pericial.
“A Polícia Civil ressalta que a oitiva integra procedimento regular de apuração, com o objetivo de esclarecer as circunstâncias do atendimento médico prestado. Destaca-se que, até o momento, não há atribuição de responsabilidade criminal, sendo as informações baseadas nos relatos colhidos e nos elementos técnicos disponíveis”, destaca a polícia.





