Hospital Colônia de Barbacena é fechado em definitivo
Com a transferência dos últimos 14 pacientes do Hospital Colônia de Barbacena e com o fechamento definitivo da unidade hospitalar na segunda-feira (25), chega ao fim a atividade de uma das instituições associadas às mais graves violações de direitos humanos do país.
Os moradores — todos idosos, sendo o mais velho com 91 anos — foram levados para uma residência terapêutica em Barbacena, onde receberão acompanhamento especializado. Nenhum deles mantém contato com familiares, e a maioria apresenta quadro de saúde debilitado.
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A transferência foi anunciada no fim de abril e iniciada na semana passada, marcando também o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio.
O g1 relembra a história do Colônia, iniciada no século passado e marcada como uma das maiores violações de direitos humanos no país. Cerca de 60 mil pacientes morreram no local, considerado o maior manicômio do Brasil.
Hospital Colônia de Barbacena foi definitivamente fechado
Wesley Barbosa/TV Integração
O que foi o Hospital Colônia Criado em 1903, o espaço nasceu como uma instituição destinada ao tratamento de pessoas com transtornos mentais. No entanto, ao longo das décadas, se transformou em um símbolo de exclusão, violência e negligência.
Durante as décadas de funcionamento, cerca de 60 mil pacientes morreram no local.
Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais.
Centro Cultural do Ministério da Saúde
Pelo menos 1.800 desses corpos foram vendidos e usados no ensino de anatomia nos cursos de saúde de universidades. Recentemente, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) publicaram pedido público de desculpas pela prática que violou os cadáveres e a dignidade das pessoas.
A história da instituição também foi contada no livro-reportagem 'Holocausto Brasileiro', da jornalista Daniela Arbex. A obra conquistou o 2º lugar na Prêmio Jabuti em 2014.
Um ‘depósito’ de pessoas
Durante décadas, o Hospital Colônia recebeu milhares de pacientes muitas vezes sem diagnóstico médico adequado.
Na prática, isso significava que não apenas pessoas com doenças mentais eram enviadas para lá, mas também aquelas consideradas indesejadas pela sociedade da época, como homossexuais, militantes políticos, grávidas, pessoas com deficiências, transtornos ou distúrbios, além de mulheres rejeitadas pelos maridos ou que haviam perdido a virgindade antes do casamento.
Museu da Loucura Barbacena
Deborah Marcier/Divulgação
Com isso, o hospital acabou se consolidando como um local de isolamento social, para onde eram enviados aqueles que não se enquadravam nos padrões, em um modelo de internação compulsória e pouco fiscalizado.
Violações e maus-tratos
A instituição ficou marcada por graves violações de direitos humanos ao longo do século 20 devido também ao tratamento desumano dado aos internos, inclusive com uso de eletrochoque como forma de punição por comportamentos indesejados, como chorar, tentar fugir ou não seguir ordens.
As descargas eram aplicadas sem anestesia por funcionários não qualificados, causando dores extremas e até mesmo queimaduras nos pacientes.
Imagem de arquivo mostra pacientes do Hospital Colônia de Barbacena
Divulgação
Os ambientes eram extremamente precários, e os pacientes dormiam em um modelo conhecido como 'leito único', que consistia em deitar diretamente no chão frio, coberto somente por capim seco.
A desativação do Colônia, começou na década de 1980, a partir da mudança de compreensão sobre a saúde mental, de movimentos da luta antimanicomial e de mudanças nas políticas públicas relacionadas aos tratamentos psiquiátrica no país.
Museu da Loucura permanece em funcionamento
O Museu da Loucura continuará funcionando no complexo hospitalar, que também abriga o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB), no Bairro Floresta.
As exposições reúnem textos, fotografias, documentos, objetos, equipamentos e instrumentação cirúrgica, relatando a história do tratamento de pessoas que passaram pelo hospital.
Museu da Loucura em Barbacena
Museu da Loucura/Acervo
Há mostras permanentes e também exposições temporárias.
O Museu da Loucura está aberto diariamente de 8h às 18h, com visitações gratuitas.





