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Antônio Pitanga recebe o título de Doutor Honoris Causa da UFRJ

Antônio Pitanga recebe título de doutor honoris causa
A Universidade Federal do Rio de Janeiro concedeu nesta segunda-feira (26) o título de doutor honoris causa ao ator Antônio Pitanga. Aos 86 anos, o artista recebeu a principal honraria acadêmica da instituição em uma cerimônia marcada por emoção, homenagens e reconhecimento à trajetória de mais de seis décadas dedicadas ao cinema, à televisão e ao teatro brasileiros.
A homenagem foi aprovada por unanimidade e aclamação pelo Conselho Universitário da UFRJ.

Ao receber a homenagem, Antônio Pitanga associou a conquista às lutas históricas da população negra no Brasil e à valorização da memória coletiva.
“Essa noite significa um punhado de encontros, de zumbis inteiros, aquilombando dentro do banco dos saberes. Uma geração que vem pra universidade mais importante desse país, a UFRJ. Eu não estou sozinho. Eu peguei o bastão de alguém.”
O ator também afirmou que o reconhecimento representa uma celebração das lutas contra o preconceito e a exclusão.
“A noite é de todos. É um movimento, um evento em que a universidade reconhece as nossas lutas contra todo tipo de preconceito e exclusão. Ainda falta muito, mas estamos chegando.”
O evento aconteceu no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ e reuniu familiares, amigos, artistas, escritores e representantes da universidade. Entre os presentes estava o ator Lázaro Ramos, que destacou a capacidade de renovação e a vitalidade de Pitanga.
“É muito bonito falar do Pitanga num lugar de inspiração porque ele é inspiração constante. Ele não é um artista que a gente cita como artista de outro tempo. Ele é de agora. Então a maior inspiração é essa, cada vez que eu encontro ele, que ele ainda tá cheio de projeto, de vivacidade, de paixão pelo que faz, de ensinamento”, afirmou.
A atriz Zezé Motta também ressaltou a importância simbólica do homenageado. “Pitanga é tudo isso que eu falei no meu discurso: é resiliência, é resistência, é coragem, é poder." “Que noite incrível, coração na mão, saindo emoção. Essa noite foi muito importante, muito significativa.”
Zezé também afirmou que a trajetória do ator serve de referência para as novas gerações. “Nós precisamos de muitos Pitangas pra que a nova geração realmente sinta orgulho de ser brasileiro e negro.”
Trajetória
Um dos principais nomes do Cinema Novo, Antônio Pitanga iniciou a carreira no clássico "O Pagador de Promessas", dirigido por Anselmo Duarte. O longa é até hoje o único filme brasileiro a conquistar a Palma de Ouro no Festival de Cannes.
Em entrevistas antigas resgatadas na cerimônia, o ator definia a própria relação com a arte de forma irreverente.
“Não sou um cineasta. Sou um arteiro.”
Ao longo da carreira, Pitanga atuou em filmes, novelas e peças de teatro, com passagens marcantes por produções como "Barravento", de Glauber Rocha, e a novela "O Clone". Mais recentemente, dirigiu "Malês", filme sobre levante de pessoas negras escravizadas no século XIX, ocorrido na Bahia.
Para a escritora Ana Maria Gonçalves, imortal da Academia Brasileira de Letras, a homenagem simboliza uma trajetória de superação.
“Acho que representa uma carreira de vitória porque com certeza pra ele foi muito mais difícil pra quem tá começando agora.”
A jornalista Maju Coutinho comparou Pitanga a um “baobá”, árvore símbolo de ancestralidade e resistência africana.
“Eu digo que Pitanga é um dos nossos baobás. Baobá é aquela árvore frondosa que alimenta. Ele alimenta com arte, ele alimenta com cultura, com sabedoria.”
Segundo a UFRJ, o título de doutor honoris causa é a mais alta honraria concedida pela universidade a personalidades que tenham prestado contribuições relevantes ao país.
Durante a cerimônia, o reitor Roberto Medronho afirmou que o reconhecimento ultrapassa os limites da formação acadêmica tradicional.
“Hoje a universidade, ao reconhecer esse título de doutor honoris causa, demonstra que não é apenas no ensino formal que se formam doutores. Se formam doutores também na vida. se formam doutores também no dia a dia para a construção dessa nação.”
Filha do homenageado, a atriz Camila Pitanga disse que o reconhecimento ao pai representa também um olhar para a história do Brasil.
“Eu acho que quando Antônio Pitanga é reconhecido pelo seu legado, pela sua trajetória, é como se o Brasil se olhasse por inteiro.”
Ela afirmou ainda que a homenagem ajuda a valorizar histórias que muitas vezes ficaram à margem.
“Quando a academia hoje, a UFRJ, faz esse olhar, essa reverência, eu acho que ela tá olhando pro Brasil. Tem muitos Antônios por aí.”
“É como se a gente trabalhasse no que a gente tem de mais bonito, do simbólico, que é reverenciar a nossa história, olhar pra trás pra poder ter norte do que a gente quer construir pro futuro.”
Emocionado, Pitanga resumiu o sentimento ao final da cerimônia.
“Me emociona muito. Eu vivo, diria Nelson Cavaquinho, flores em vida

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