Morador em situação de rua em Ribeirão Preto
Sérgio Oliveira/EPTV
O Índice de Progresso Social (IPS 2026) divulgado esta semana aponta que 49 das 66 cidades da região de Ribeirão Preto (SP) têm nota inferior à média nacional em um quesito que avalia a estrutura para prover direitos, inclusão social e acesso a ensino superior.
Os municípios da região ficaram com avaliação abaixo dos 46,82 no critério “oportunidades”, que analisa desde direitos e liberdades individuais a questões como paridade de gênero na Câmara e violência contra mulheres e negros.
"O ponto mais grave, na minha opinião, é o ponto de inclusão social. Alguns grupos que são ali esquecidos das políticas públicas, mulheres, negros, e um dos pontos relacionados a isso está na falta de representatividade deles nas câmaras municipais do interior paulista", analisa o professor Gustavo Mattar, especialista em gestão pública.
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O IPS consiste em uma avaliação dividida em três eixos básicos (atendimento a necessidades básicas, fundamentos de bem-estar e oportunidades) que contemplam 57 indicadores sociais e ambientais e levam em consideração exclusivamente dados públicos divulgados entre 2021 e 2025.
Segundo os organizadores, a principal diferença com relação a indicadores como PIB e IDH é o fato de que as métricas se baseiam nos resultados da vida da população e não nos investimentos feitos pelos municípios.
Serra Azul (SP), município com aproximadamente 15,3 mil habitantes
Reprodução/EPTV
"Além do investimento público, é preciso uma boa gestão dessas políticas públicas, que elas tenham resultado efetivo. O índice mede não ali os gastos, o que acontece muito com alguns indicadores municipais. (.) Ele vai muito na parte finalística, se realmente atendeu a população", analisa Mattar.
Bom índice geral, mas avaliação baixa em 'oportunidades' No índice geral do IPS, apenas 4 das 66 cidades da região de Ribeirão Preto apresentaram índices de qualidade de vida abaixo da média nacional de 63,4. Mas na avaliação isolada de "oportunidades", a maioria teve notas inferiores.
Segundo Gustavo Mattar, esse baixo desempenho pode ter relação com o padrão orçamentário dos municípios em geral, que por força de lei privilegiam áreas essenciais como saúde e educação básica, mas deixam menos recursos para outros setores.
"Isso se explica tanto ali pela pressão da população por essas necessidades básicas como também pela questão orçamentária. Acaba de certa maneira sobrando pouco recurso para cultura, para esporte, para o lazer de maneira geral, e os secretários municipais têm que ser muito criativos para tentar envolver a população com atividades, mesmo com baixo orçamento, poucos recursos, poucas pessoas e pouca infraestrutura."
O critério ‘oportunidades’ do IPS tem quatro eixos básicos para avaliar a capacidade e a estrutura de um município prover chances de desenvolvimento pleno para uma pessoa, além do básico para sobreviver, e analisa desde questões políticas e sociais a educacionais, culturais e de mercado de trabalho.
No eixo “direitos individuais”, são analisadas questões como programas de direitos humanos, índice de atendimento à demanda de Justiça e resposta a processos previdenciários. No eixo “liberdades individuais e de escolha”, estão em pauta o acesso a cultura, lazer e esporte, gravidez na adolescência, vulnerabilidade das famílias do Cadastro Único, praças e parques em áreas urbanas.
No eixo “inclusão social”, avaliam-se dados referentes a famílias em situação de rua, paridade de gênero e de negros na Câmara, além de violência contra indígenas e mulheres. No eixo “acesso à educação superior”, o estudo leva em conta o número de homens e mulheres empregados com ensino superior, bem como notas no Enem.
Na região, as piores avaliações nesse critério ficaram com Serra Azul (SP), com 37,61, e Guatapará (SP), com 38,11, em uma escala de 0 a 100.
Maior cidade da região e com um dos melhores índices de qualidade de vida do país, Ribeirão Preto ficou com a nota de 54,54, valor abaixo dos outros quesitos do estudo, mas ainda assim acima da média nacional.
Franca (SP) e Barretos (SP) ficaram respectivamente com 45,30 e 43,29, abaixo da média nacional no critério, enquanto Sertãozinho (SP) foi avaliada com a nota 47,69, acima da média nacional, mas abaixo da estadual.





