Hospital Colônia de Barbacena é fechado em definitivo
O Hospital Colônia de Barbacena teve as atividades simbolicamente encerradas nesta segunda-feira (25), após a transferência dos 14 últimos pacientes que ainda estavam internados na unidade.
A cerimônia contou com a presença de autoridades do Governo de Minas e representantes da Prefeitura de Barbacena. O encerramento marca o fim das atividades de um dos locais mais associados a violações de direitos humanos no país. Entenda mais abaixo.
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Os pacientes — todos idosos, sendo o mais velho com 91 anos — foram levados para uma residência terapêutica em Barbacena, onde receberão acompanhamento especializado. Segundo o Governo de Minas, nenhum deles tem vínculo com familiares, e a maioria apresenta quadro de saúde debilitado.
A transferência foi anunciada no fim de abril e iniciada na semana passada, marcando também o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio.
Solenidade marcou o fim das atividades do Hospital Colônia de Barbacena
Luiza Sudré/g1
Durante a solenidade, um cadeado foi colocado na porta da instituição para simbolizar o fechamento do espaço.
"É um momento de reparação histórica, de passar um cadeado definitivo nesta história de dor e também relembrar que este é um passado que jamais deve se repetir", disse Bento, um dos pacientes remanescentes.
O Museu da Loucura continuará funcionando no espaço, que também abriga o Centro Hospitalar Psiquiátrico de Barbacena (CHPB). As exposições reúnem textos, fotografias, documentos, objetos, equipamentos e instrumentação cirúrgica, relatando a história do tratamento de pessoas que passaram pelo hospital.
Hospital Colônia de Barbacena foi definitivamente fechado
Luiza Sudré/g1
O que foi o Hospital Colônia Criado em 1903, o espaço nasceu como uma instituição destinada ao tratamento de pessoas com transtornos mentais. No entanto, ao longo das décadas, se transformou em um símbolo de exclusão, violência e negligência.
Hospital Colônia de Barbacena, em Minas Gerais.
Centro Cultural do Ministério da Saúde
Durante as décadas de funcionamento, cerca de 60 mil pacientes morreram no local. Pelo menos 1.800 desses corpos foram vendidos e usados no ensino de anatomia nos cursos de saúde de universidades.
Recentemente, a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) publicaram pedido público de desculpas pela prática que violou os cadáveres e a dignidade das pessoas. Um ‘depósito’ de pessoas
Durante décadas, o Hospital Colônia recebeu milhares de pacientes muitas vezes sem diagnóstico médico adequado.
Na prática, isso significava que não apenas pessoas com doenças mentais eram enviadas para lá, mas também aquelas consideradas indesejadas pela sociedade da época, como homossexuais, militantes políticos, grávidas, pessoas com deficiências, transtornos ou distúrbios, além de mulheres rejeitadas pelos maridos ou que haviam perdido a virgindade antes do casamento.
Com isso, o hospital acabou se consolidando como um local de isolamento social, para onde eram enviados aqueles que não se enquadravam nos padrões, em um modelo de internação compulsória e pouco fiscalizado.
Violações e maus-tratos
A instituição ficou marcada por graves violações de direitos humanos ao longo do século 20 devido também ao tratamento desumano dado aos internos, inclusive com uso de eletrochoque como forma de punição por comportamentos indesejados, como chorar, tentar fugir ou não seguir ordens.
As descargas eram aplicadas sem anestesia por funcionários não qualificados, causando dores extremas e até mesmo queimaduras nos pacientes.





