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Como USP usa IA e impressora 3D para recriar mamas de mulheres que tiveram câncer; VÍDEO

USP São Carlos usa impressora 3D para ajudar mulheres mastectomizadas
O Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), em São Carlos (SP), desenvolveu um projeto que usa escaneamento 3D, inteligência artificial e impressão aditiva para produzir próteses mamárias para mulheres que passaram pela mastectomia (retirada dos seios no tratamento de câncer).
O projeto "Protema" alia a alta precisão e o baixo custo para democratizar o acesso a soluções estéticas e funcionais, proporcionando conforto anatômico e aparência natural, fortalecendo a autoestima e reintegração social das mulheres mastectomizadas.

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A aposentada Marciana Menezes Feitosa venceu todas as etapas do tratamento contra o câncer, mas precisou retirar um terço da mama direita. Ela descobriu o projeto do IFSC e foi uma das voluntárias.
"As meninas me procuraram através da rede feminina, da Liga Feminina de Combate ao Câncer. E eu me joguei. A gente tem uma parceria nisso, então valeu muito a pena, me empolguei demais", disse.
Marciana afirmou que após a suspeita do câncer de mama, ela fez uma biópsia que confirmou a doença. "Não chorei, não gritei, mas me lembro muito do gelo que eu senti nas pernas. Posso morrer, pode ter chegado a minha hora, mas eu vou lutar".

Prótese personalizada
Projeto da USP de São Carlos confecciona próteses mamárias com impressora 3D para mulheres mastectomizadas
EPTV/Reprodução
O professor e coordenador do Protema, Odemir Martinez, explicou que o projeto foi motivado pela ausência de opções de próteses no mercado, principalmente que fossem personalizadas.

"Ela une a inteligência artificial que vai ser utilizada no escaneamento das próteses e na forma de sair do escaneamento até a estrutura das próteses para que elas fiquem mais perfeitas e ligadas ao nosso laboratório de impressão 3D", explicou Odemir.

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As próteses produzidas no projeto mudaram conforme a pesquisa avançou. Uma das primeiras tinha material rígido e perfurações que marcavam na roupa, além de um fundo que, em contato com a pele recém-operada, poderia causar incômodo às mulheres.

Os modelos atuais são diferentes. Eles possuem flexibilidade e não têm nada que encoste na área da cirurgia, o que garante mais conforto e segurança à mulher. A prótese é personalizada para cada paciente que, por cima da roupa, tem as medidas tiradas.

As pesquisadoras tiram as fotos das pacientes e as informações são enviadas para um computador, que cria um modelo virtual que vai para a impressora 3D. Cada prótese criada é única.

Projeto da USP de São Carlos confecciona próteses mamárias com impressora 3D para mulheres mastectomizadas
EPTV/Reprodução
A estudante Manuela de Oliveira explicou que elas escaneiam a mama não operada e jogam as informações em um programa que faz as adaptações. "São várias etapas. É tirar as medidas, analisar como ficou, se ficou proporcional ou não, jogar nesse software e, aí sim, colocar ela para imprimir".

O material usado é um polímero flexível, também utilizado em produtos como capas de celular. A prótese é uma alternativa enquanto a paciente espera por uma cirurgia para reconstrução da mama, o que pode demorar meses pela falta de cirurgiões plásticos ou pela condição da paciente.

O mastologista João Gilberto Bortolotti Filho disse que há situações em que elas não podem passar pela reconstrução. "Com o número de casos aumentando, nós temos que ser rápidos no tratamento e os cirurgiões plásticos não conseguem acompanhar a velocidade em que a gente faz as cirurgias".

Melhoria da autoestima
Marciana está na fila para fazer a reconstrução mamária, não só pela autoestima, mas por causa da saúde. "Estou confiando que vai fazer uma diferença muito grande por várias questões, eu tenho hérnia de disco na C4 e na C5, já diagnosticada desde 2000. Numa coluna saudável não faria diferença, mas numa coluna com o meu histórico, faria".

Desde outubro, o Protema atendeu gratuitamente 25 mulheres com próteses feitas em três impressoras 3D. A expectativa é que o projeto cresça em breve.

Projeto da USP de São Carlos confecciona próteses mamárias com impressora 3D para mulheres mastectomizadas
EPTV/Reprodução
"A curto prazo, nós pretendemos estender esse número de três impressoras para 30 e daí fazer um processo industrial e conseguir atender um maior número de pessoas. E, ao longo prazo, nós pretendemos estender isso para 150 impressoras e daí atender o Brasil todo", disse Odemir.

Marciana descobriu o câncer em uma mamografia de rotina. Para ela, projetos como o Protema devolvem o amor próprio, mas o mais importante é a prevenção.

"Eu procurei sempre ser preventiva nos cuidados com a minha mama. E acredito e vivi, tenho certeza, que [fez] uma diferença muito grande. Fez muita diferença eu ter descoberto a minha na prevenção. Não se descuidem, se cuidem porque viver é importante e quanto mais qualidade de vida a gente tiver, mais felizes nós seremos", afirmou Marciana.

As mulheres interessadas em receber a prótese, inclusive de outras cidades, podem entrar em contato com o Instituto de Física da USP de São Carlos pelo telefone (16) 3373-9878.

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