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Baterista rio-pretense que aprendeu a tocar em panelas vira chefe do próprio ídolo em faculdade de música nos EUA: ‘Nunca imaginei’

Baterista brasileiro que aprendeu a tocar em panelas vira chefe do próprio ídolo nos EUA
Aos dez anos, o garoto que improvisava bateria com panelas, tampas e baldes dentro de casa, em São José do Rio Preto (SP), não imaginava que um dia pisaria em alguns dos maiores palcos de jazz do mundo, faria turnês internacionais e se tornaria chefe do departamento onde um dos seus maiores ídolos daria aulas.
A trajetória do baterista, educador e percussionista Marcelo Bucater Checchia, de 35 anos, começou de forma improvisada dentro de casa. Ao g1, ele contou que foi a mãe que decidiu colocá-lo em uma aula de bateria ao perceber o talento do menino com as panelas.
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“Eu prendia as tampas das panelas com o cinto do meu pai e fingia que eram os pratos da bateria. Tocava com colher de pau até começar a quebrar os baldes e as panelas”, relata Marcelo.
Marcelo Bucater Checchia fazia parte de banda em escola em Rio Preto (SP)
Marcelo Bucater Checchia/Arquivo pessoal
Marcelo lembra com exatidão a data da primeira aula: 1º de julho de 2001. A paixão pela música surgiu por causa da banda brasileira de heavy metal Angra e, principalmente, do baterista brasileiro Aquiles Priester.
Diante da paixão pelo instrumento, Marcelo começou a estudar em Rio Preto e, aos 17 anos, mudou-se para São Paulo para cursar uma faculdade de música. Na capital paulista, tocou em bandas de rock, fez turnês pelo Brasil e trabalhou em casamentos e com duplas sertanejas para conseguir viver da música.
“Quando ouvi o primeiro disco deles, me apaixonei completamente. Logo na primeira aula, eu tive certeza de que era isso que queria fazer da minha vida. Tive muita sorte de contar com o apoio incondicional dos meus pais desde o princípio”, comenta Marcelo.

Marcelo Bucater (ao centro), ao lado dos pais e do baterista Aquiles Priester (ponta direita) após um dos workshops
Marcelo Bucater/Arquivo pessoal
🥁 Mudança para os Estados Unidos com dinheiro ‘contado’
Marcelo Bucater Checchia de Rio Preto (SP) conquistou carreira internacional
Marcelo Bucater/Arquivo pessoal
A grande virada na vida do músico aconteceu em 2013: durante um workshop promovido pela então Los Angeles Music Academy (LAMA), em São Paulo, no ano anterior, Marcelo participou de uma audição quase por acaso, após convite de um amigo. Na ocasião, conquistou uma bolsa para estudar nos Estados Unidos.

Para conseguir se manter, vendeu o carro, os pratos da bateria, equipamentos e se mudou para Los Angeles. Com o dinheiro “contado”, Marcelo pensou em desistir duas vezes e, em ambas, foi impedido pelos professores da faculdade, que garantiram ao estudante uma bolsa quase integral para concluir o curso.

Nos Estados Unidos, Marcelo também realizou outro sonho: estudar com o renomado baterista de jazz Jeff Hamilton. Sem dinheiro para pagar as aulas, encontrou no trabalho uma alternativa: Marcelo montava a bateria nos shows em troca dos ensinamentos.
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Hamilton indicou Marcelo para uma audição com Joe LaBarbera, músico norte-americano conhecido internacionalmente por tocar com o lendário pianista Bill Evans.

Com a aprovação, Marcelo foi convidado para o mestrado em Jazz Performance na California Institute of the Arts (CalArts) e novamente recebeu bolsa de estudos em 2016. Durante o mestrado, começou a dar aulas dentro da própria instituição.
“Meus pais fizeram um esforço gigantesco para eu conseguir fazer meu mestrado. Lá dentro eu fiz tudo o que podia, tinha notas muito boas, já trabalhava profissionalmente e comecei a dar aula na faculdade”, lembra Marcelo.

Marcelo Bucater (ao centro), ao lado do Joe LaBarbera (esquerda) e Jeff Hamilton (direita)
Marcelo Bucater/Arquivo pessoal
🎶 Brasileiro virou chefe Brasileiro de Rio Preto (SP) que começou tocando em panelas hoje coordena curso de música em Los Angeles
Marcelo Bucater/Arquivo pessoal
Em 2018, Marcelo voltou para a Los Angeles College of Music, antiga LAMA, dessa vez como professor. Cinco anos depois, recebeu o convite para assumir a chefia do departamento de bateria após a morte do então coordenador Ralph Humphrey. Aos 32 anos, Marcelo conta que se tornou o mais jovem chefe de departamento da história da faculdade.
Hoje, além de coordenar o curso, Marcelo mantém carreira internacional como músico e já se apresentou em palcos como o Lincoln Center, participou de festivais na Europa e acompanha o artista americano Adrian Younge em turnês internacionais.
Aquiles, que o inspirou a começar na bateria ainda criança, também dá aulas na faculdade coordenada pelo rio-pretense. Foi o próprio Marcelo quem participou da contratação do baterista para integrar o corpo docente da faculdade como professor de heavy metal.

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