Falsos QR Codes, boletins de ocorrência forjados, links por SMS: veja como evitar golpes
Na semana passada, a empresária Franciele Gomes, de Barretos (SP), perdeu cerca de R$ 140 mil ao cair em um golpe durante uma ligação telefônica com uma pessoa que se passou por gerente da conta dela em um banco.
Durante a conversa, ela fez transferências via Pix acreditando que estava cancelando transações fraudulentas, conforme orientações da falsa gerente.
Ainda segundo o delegado, ao primeiro sinal de uma ligação onde a pessoa do outro lado diz que é preciso fazer um Pix, baixar um aplicativo ou compartilhar a tela do celular para cancelar uma operação, é preciso desligar o telefone na hora.
"Os bancos não entram em contato nestes casos. No momento de nervosismo, a vítima não reflete sobre o que está fazendo, e o golpista cria um senso de urgência para encurtar o tempo e induzi-la ao erro".
A orientação da polícia diante de qualquer abordagem telefônica suspeita envolvendo dinheiro, é interromper o contato imediatamente e não tentar argumentar com o golpista.
"Em caso de dúvidas sobre a legitimidade de um documento ou do atendimento, a pessoa pode passar na delegacia mais próxima ou na agência bancária e pedir uma consulta presencial. É o método mais seguro", alerta Gambi.
No caso de Franciele, além do boletim de ocorrência falso, a golpista chegou a simular notificações do Governo Federal.
"A todo momento, ela ia me passando segurança, falava 'fica tranquila, vai dar certo'. São especialistas, não é qualquer pessoa, já trabalharam com isso. Era muito perfeito, o código .gov, o boletim de ocorrência. Eu não desconfiei de nada", disse a empresária ao g1.
A empresária Franciele Gomes foi vítima de golpe pelo celular em Barretos, SP
Reprodução/EPTV
📄 Banco não emite boletim de ocorrência
Segundo Gambia, a polícia e as agências bancárias não adotam a prática de enviar documentos como boletim de ocorrência para "ajudar" o cliente, reforçando que o registro do caso é sempre feito pela própria vítima.
No caso de Franciele, a falsa gerente gerou um boletim de ocorrência, com dados de São Paulo e o logotipo do banco, enviando o arquivo para ela como "comprovante" do atendimento policial.
"Se a pessoa que teve o suposto prejuízo não fez o boletim, como ela acredita em um documento feito por terceiros em nome dela? Se alguém mandar uma cópia de boletim com sugestão para resolver um problema, já é um golpe, pois a Polícia e nenhum banco fariam isso", diz o delegado.
🔍 Cuidado com falsos QR Codes
Atualmente, os boletins de ocorrência eletrônicos originais possuem um QR Code para download e autenticação. Mas o delegado alerta que até isso tem sido falsificado pelas quadrilhas, que inserem códigos em documentos forjados direcionando a vítima para páginas clonadas da polícia.
Para checar a veracidade, a regra é usar apenas os canais oficiais.
"Em caso de boletim de ocorrência feito pela Delegacia Eletrônica, todos geram um número de protocolo, em que a pessoa interessada pode consultar na página oficial. Após a finalização, uma cópia verdadeira é sempre enviada ao e-mail informado", explica Gambi.
Boletins de ocorrência verdadeiros geram um número de protocolo que pode ser consultado diretamente no site oficial da Delegacia Eletrônica
Reprodução/Polícia Civil
📲 Atenção aos links por SMS e WhatsApp
O golpe sofrido pela empresária de Barretos começou com uma simples mensagem via SMS. que alertava sobre o vencimento de 89 mil pontos em milhas. A partir daí, ela clicou no link recebido e, ao preencher os dados na página falsa, abriu a porta para a quadrilha.
A orientação da Polícia Civil é nunca clicar em links suspeitos, promoções imperdíveis ou alertas de milhas recebidos por mensagens de texto, WhatsApp ou e-mail.





