Piloto de avião de Araraquara desaparece após viajar para entrevista de emprego no Pará
A mãe do piloto agrícola João Vitor de Lima Franco, de 25 anos, que desapareceu há mais de 2 meses após viajar para buscar uma oportunidade de emprego em Belém (PA), pede que as autoridades intensifiquem as buscas pelo filho que, para ela, está vivo. O último contato dele com a família de Araraquara (SP) foi em 14 de março.
O empresário colombiano Ivan Adel Gois de Los Rios, dono da empresa que pertence o avião pilotado por João Vitor, foi assassinado a tiros no último sábado (16). Ele estava em um carro quando foi abordado por homens armados que chegaram em outros veículos. Após atirarem, eles fugiram.
Em abril, Ivan prestou depoimento na Polícia Civil do Pará. Ele registrou o desaparecimento da aeronave com João Vitor, que teria viajado junto com um amazonense de Belém para uma fazenda na zona rural de Itaituba.
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A professora e mãe de João, Alessandra Cristina de Lima, cobrou agilidade da polícia com as investigações. "Já faz dois meses que meu filho está desaparecido. [.] Precisamos encontrá-lo. Impossível um avião sumir e as pessoas não saberem, ninguém ver. Um avião não é um brinco".
"Eu preciso do apoio efetivo da polícia realizando essas investigações com mais rapidez para encontrar meu filho, é isso que eu quero, que eu espero", complementou Alessandra.
A mãe relatou que a polícia só afirma que está investigando, mas não detalha o andamento. "Até agora não é possível não terem uma pista e um direcionamento". Segundo ela, a família contratou uma investigação particular que apontou a última localização do piloto em Iranduba.
O piloto agrícola João Vitor de Lima Franco, de 25 anos, está desaparecido há mais de 2 meses após viajar de avião para buscar uma oportunidade de emprego em Belém (PA)
Arquivo Pessoal
"Será que estão investigando as pistas de pouso de Iranduba? Pois ele ficou uma hora lá, impossível ninguém ter visto o avião pousar e levantar voo, sendo que ficou uma hora no local. Essa é a minha, a nossa indignação e agonia constante", disse.
Ela contou, ainda, que as informações obtidas pela família por meio das investigações particulares e de denúncias foram repassadas à polícia.
"Eu, como mãe, sinto, no fundo da minha alma, que meu filho está vivo, mas eu penso que é o trabalho da polícia ir verificar a procedência das in formações que foram passadas e recebidas por mim", finalizou.
De acordo com o advogado, além de João Vitor, outro homem que estava com ele no avião está desaparecido desde então. Uma investigação particular contratada pela família do piloto indicou a última localização do telefone dele.
"Só se o iPhone dele foi roubado, mas a última localização é no estado do Amazonas, em Manaus, em uma comunidade, um município chamado Iranduba, que é a ponta de saída da rota, na margem oposta do Rio Negro", afirmou Dias.
Ele tenta a quebra do sigilo telefônico do celular de João Vitor para resgatar as informações do aparelho. "Querendo ou não, a única, entre aspas, única pessoa que poderia nos dar qualquer tipo de possibilidade de informação foi arquivada [o Ivan]".
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Emboscada
Piloto de Araraquara (SP) desapareceu após viajar de avião em busca de emprego em Belém (PA)
Arquivo Pessoal
O advogado não descarta a possibilidade do avião ter caído ou sofrido uma pane porque João Vitor estava pilotando em uma região de mata densa, onde o clima e condições meteorológicas mudam rapidamente. "Mas também não se descarta a possibilidade de terem sumido com a aeronave".
Para ele, o piloto pode ter sido sequestrado e mantido em cárcere privado, sendo obrigado a trabalhar ou realizar alguma atividade forçada, sem meios de comunicação com a família. "Essa é uma das possibilidades, não descartando o fato de que ele pode estar morto também".
A quantidade de serviços prestados pela empresa do colombiano, que era o único dono e tinha apenas um funcionário, gerou estranheza para o advogado e familiares do piloto. Dias considera que a morte de Ivan foi queima de arquivo.
"O João Vitor é contratado para prestar serviço justamente com a aeronave que era do Ivan, supostamente dele, porque ele efetuou a compra, e aí ele desaparece, isso no primeiro voo, então é da gente estranhar muito essa situação toda", disse.
O advogado afirmou, ainda, que o piloto foi induzido ao erro. "Nada nos deixa de levar a crer que o João Vitor foi endereçado para uma grande situação, uma cilada, uma armadilha e que ele desconhecia. Ele não sabia que o avião tinha algum envolvimento com algum tipo de ilicitude".
Desaparecimento após viagem
João Vitor embarcou no Aeroporto de Ribeirão Preto (SP), em 10 de março, com destino para Belém (PA). A distância entre as cidades é de 2.562 km. De acordo com o Boletim de Ocorrência, ele ficou hospedado entre 11 e 12 de março na Avenida Dr. Enéas Pinheiro, em Belém, e manteve contato com a família até o dia 14.





