Professora da Faetec tem registro como presidente da República na carteira de trabalh
A professora da Fundação de Apoio à Escola Técnica do Estado do Rio de Janeiro (Faetec) que descobriu que foi registrada como presidente da República e em outros cargos incompatíveis na carteira de trabalho digital no período em que trabalhou na instituição tinha como salário declarado R$ 1,6 mil brutos.
Patrícia Tavares aponta que, além da disparidade entre a remuneração e o cargo de presidente, o salário ainda estava muito abaixo do que recebem professores concursados.
A professora deu aulas de inglês de 2011 a 2015 na unidade de Marechal Hermes, na Zona Norte do Rio, mas nunca teve a carteira assinada pelo cargo. Ao contrário, ela descobriu que passou a maior parte do tempo registrada como presidente da República.
Nesse período, ela também foi registrada como engenheira elétrica e dirigente de serviço público federal.
Professora da Faetec registrada como presidente da República tinha salário de R$ 1,6 mil
Reprodução
“O salário não era de presidente e ainda era um salário inferior aos salários de professores concursados, mesmo na época eu tendo uma pós graduação, o que poderia contribuir para elevar o salário. Hoje eu tenho três pós, mestrado e não consigo mais trabalhar", diz ela.
"Eu estudei para ser professora e só fui reconhecida até 2020. Depois que descobri essa questão, a minha vida profissional acabou", desabafa.
Mais de 11 mil contratos temporários feitos sem edital público, modelo em que a Patrícia foi contratada, foram alvos de um processo no Tribunal de Contas do Estado.
Ela descobriu a situação em 2021, na pandemia, e desde então tenta corrigir o erro e diz que enfrenta dificuldades para conseguir emprego e teme prejuízos na aposentadoria.
“Desespero. Eu fiquei muito desesperada. Estávamos vivendo um momento de pandemia, não tinha acesso a lugar nenhum, tudo fechado. Eu senti medo porque achava que poderia até ser enquadrada como prática de crime federal, por envolver o presidente da República. Eu entrei em parafuso”, conta ela.
Professora da Faetec descobre registro como presidente da República na carteira de trabalho
Reprodução/TV Globo
Moradora da Zona Oeste, ela tentou ajuda com a Defensoria Pública do RJ e da União para resolver o problema.
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Patrícia afirma que ficou mais difícil comprovar a experiência profissional como professora e conseguir novos trabalhos. Também teme impactos futuros no cálculo da aposentadoria.
“Claro que tenho medo, porque a minha vida parou. Estou há cinco anos sem fazer nada”, afirma.
"Deveria ter um canal exclusivo para que isso fosse solucionado. Que fosse para os falsos presidentes, falsos dirigentes, falsos eletricistas, porque tudo isso foi anotado na minha carteira", afirma.
Procurada, a Faetec afirmou que Patrícia está devidamente cadastrada na folha de pagamento da fundação com o cargo de professora e que enviou a declaração para ela em 2024.
A fundação acredita que a divergência identificada na carteira de trabalho esteja relacionada a uma inconsistência no Código Brasileiro de Ocupações, do Ministério do Trabalho e Emprego. A apuração da reportagem entrou em contato com o Ministério do Trabalho e aguarda resposta.





