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Psicanálise, teoria e clínica: do que se trata na clínica psicanalítica?

Todo profissional que se dedica à clínica, seja ela qual for, precisa entender a extensão de seu campo. A concepção de método tem a ver justamente com isso: um método impõe os limites de nossa racionalidade, definindo o que pode ser perguntado, o que vem a ser um objeto de pesquisa ou intervenção e, sobretudo, o que não compete a esse modo de ação. Trata-se, portanto, de uma delimitação de fronteiras entre os saberes e os fazeres pensados pela lógica da disciplinarização das ciências e das práticas de promoção do cuidado. Não se ater a isso pode levar – e na maioria das vezes efetivamente é o que acontece – a sérios erros no âmbito da ética.

O título do texto possui uma duplicidade que não é mera coincidência: saber do que se trata na clínica psicanalítica pode nos orientar tanto em nossos processos de formação quanto na procura ou não pela abordagem psicanalítica como meio clínico. Em resumo e de forma objetiva, podemos afirmar que uma análise trata da relação do sujeito com o campo da linguagem. Lacan dizia que somos “sujeitos presos e torturados no campo da linguagem”, e, aqui, o tom dramático da afirmativa nos alerta para dois elementos fundamentais da escuta analítica: (1) não há escapatória para o campo discursivo, e, (2) sofremos de modos muito particulares pelos efeitos das palavras. Dizer que não há fuga possível do campo da linguagem implica saber que sofremos para além de nossa capacidade consciente de compreensão ou não de um determinado efeito. Quando vivemos diferentes situações, associamos os fatos com elementos de nossa história, atualizamos o que aparentemente havia sido esquecido, compomos uma trama cheia de nuances e diversas camadas discursivas, e escutá-las demanda uma certa arte, um método. Vamos para a clínica psicanalítica para ouvirmo-nos de uma forma que, muitas vezes, não é possível por outros meios. E nossa tendência é a do recuo, da fuga, da evitação. Aqui o analista se faz necessário como aquele que deseja saber, que está disposto a suspender julgamentos, juízos de valor antecipados, para em seu ato tornar possível que algo do inconsciente possa vir a ser dito e, consequentemente, elaborado. Logo, toda análise é, antes de tudo, um processo transformativo. E nisso reside um aspecto de grande particularidade: sofremos de modos muito singulares. Quando a psicanálise se propõe sair do âmbito da observação para o da escuta é justamente nisso que implica o seu ato: as amarrações de um sujeito com aquilo que o afeta falam de um modo totalmente próprio de ser e estar num mundo discursivo.

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