Entenda o que é e como funciona um data center
O Ministério Público Federal (MPF) e a Defensoria Pública da União (DPU) publicaram, na última terça-feira (19), uma recomendação conjunta para que a empresa Omnia WN Holding, responsável pelas obras do mega data center do TikToK, realize adequações ambientais antes do início das atividades do equipamento no Ceará.
O empreendimento de grande porte, com investimento de mais de R$ 580 bilhões, está sendo construído no perímetro da Zona de Processamento de Exportação (ZPE) do Ceará, no limite entre os municípios de São Gonçalo do Amarante e Caucaia.
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📍Zonas de Processamento de Exportação (ZPE) são áreas voltadas para a indústria e para exportação, com incentivos fiscais e regulações diferenciadas para atrair empresas; atualmente, existem quatro ZPEs no Brasil, incluindo a do Pecém, no Ceará.
Conforme a recomendação, o data center com potência instalada prevista de até 300 megawatts, tem operação contínua, elevada demanda de água e energia, uso de geradores a diesel e possível geração de impactos cumulativos no território do Complexo Industrial e Portuário do Pecém (CIPP).
Para MPF e DPU, essas características não são compatíveis com uma análise ambiental simplificada e exigem maior controle técnico e participação social.
Um dos pontos centrais da recomendação é a avaliação de que o Relatório Ambiental Simplificado (RAS), utilizado no processo de licenciamento, avaliado como insuficiente para medir adequadamente os impactos do Data Center Pecém.
Os órgãos apontam que a classificação genérica do empreendimento como atividade de construção civil e a instrução por RAS não permitem avaliar, com a profundidade necessária, riscos associados ao consumo de água, demanda energética, ruído, calor residual, emissões, resíduos eletrônicos, armazenamento de combustível e impactos cumulativos sobre comunidades locais e tradicionais.
O documento menciona divergência entre os volumes estimados no RAS e aqueles posteriormente indicados na Licença de Instalação.
“As comunidades locais dependem majoritariamente de poços artesianos, em contexto regional marcado por seca e escassez hídrica, de modo que a captação pelo empreendimento pode rebaixar o nível freático e comprometer a disponibilidade de água para a população”, afirma o documento.
A recomendação menciona riscos para localidades como Matões, Bolso, Cauípe, Pecém, São Gonçalo do Amarante e outras áreas relacionadas ao Aquífero Barreira/Dunas.
Proximidade com área ambiental
Também foi destacada na recomendação a proximidade do empreendimento com a Área de Proteção Ambiental (APA) do Lagamar do Cauípe.
Segundo a recomendação, a APA sobrepõe-se à Terra Indígena Anacé e tem importância ambiental e cultural para esse povo.
“Não se pode dispensar a CLPI ao argumento de que não há comunidades possivelmente impactadas sem que tenha havido um processo técnico e participativo capaz de, com segurança, afirmar essa ausência”, diz o texto da recomendação.
Recomendações
O MPF e a DPU solicitam que a Superintendência Estadual do Meio Ambiente (Semace) acrescente a escuta ao povo Anacé e demais comunidades tradicionais às condicionantes da Licença de Instalação.
Também exige a implementação de um programa de monitoramento hidrogeológico, a formulação de um plano de gerenciamento de riscos para o armazenamento de combustível para os geradores a diesel, a adequação de nível de ruídos da planta industrial às normas ABNT, e a verificação de impactos e adequação da malha elétrica local, entre outras medidas.
À Omnia WN Holding, entre outras ações, os órgãos recomendam que a empresa observe, durante toda a implantação e operação do Data Center Pecém, as diretrizes de engenharia elétrica apontadas como indispensáveis à segurança e confiabilidade do Sistema Interligado Nacional, incluindo umas série de medidas de proteção, adequação e envio de relatório mensais de conformidade ao Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).
O documento, assinado pelo procurador da República Anastacio Nobrega Tahim Junior e pelo defensor regional de Direitos Humanos Edilson Santana Gonçalves Filho, estabelece o prazo de 30 dias para que os destinatários se manifestem sobre o atendimento, ou não, das medidas constantes na recomendação.
Por se tratar de uma atuação extrajudicial, a iniciativa não exclui futuras recomendações ou ações judiciais.
Data Center do TikTok
Novo data center das empresas Omnia e Casa dos Ventos vai receber investimento da ByteDance, controladora do TikTok
g1 CE
De acordo com a Omnia, as obras do Data Center tiveram início em 6 de janeiro. A previsão da empresa é que o primeiro data hall – a sala do data center onde estão reunidos os processadores, o 'cérebro' do negócio – deve estar em operação e ser entregue à ByteDace em setembro de 2027.
Além da estrutura do data center, devem ser construídos um parque eólico para abastecimento de energia e uma rede de transmissão de alta tensão. Na edificação do complexo estão envolvidas três empresas:
a Omnia, braço do fundo de investimentos Patria voltada para o setor de data centers, responsável pela construção; a Casa dos Ventos, que deve construir parques de energia renovável para abastecer o complexo; a chinesa ByteDance, que vai adquirir os equipamentos eletrônicos e operar o data center.
O “data center do TikTok” prevê dois prédios principais, somando 200 MW de potência de TI, superando toda a capacidade instalada no Ceará atualmente. A potência total chega a 300 MW, considerando o consumo dos outros maquinários do prédio. A energia é suficiente para abastecer uma cidade de cerca de meio milhão de habitantes.
O projeto de estrutura do prédio, ao qual o g1 teve acesso, inclui os dois galpões principais, uma subestação própria de energia, reservatório de água e de combustíveis, uma guarita e uma extensa área de jardim que deve ser utilizada para novas construções em caso de futuras ampliações. Confira:
Planta do data center com investimentos da ByteDance (TikTok), no Pecém (CE), tem dois prédios principais com processadores, uma subestação de energia e espaço para ampliação
Reprodução
Apesar de ter ficado conhecido como data center do TikTok, o projeto será construído pelas empresas brasileiras Casa dos Ventos e Omnia, que vão “alugar” a estrutura para a ByteDance.
O mega data center deve ser exclusivo para exportação, processando dados para usuários de fora do país. O equipamento vai ocupar uma área de cerca de 68 hectares (ou 95 campos de futebol), às margens da CE-348, em Caucaia, a cerca de 2 quilômetros da Lagoa do Cauípe, importante corpo hídrico da região, O Ceará é o terceiro estado em quantidade de data centers e em capacidade instalada, com 13 data centers em operação, atrás apenas de São Paulo (82) e Rio de Janeiro (28), segundo a Associação Brasileira de Data Centers (ABDC).
Data centers regulares têm capacidade total de 10 a 30 MW. Em outubro de 2025, a empresa brasileira Tecto inaugurou na Praia do Futuro, em Fortaleza, o maior data center do Nordeste, com uma potência total de 20 MW, iniciando operação com 4 MW de potência de TI.
Assista aos vídeos mais vistos do Ceará:




