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Homem que deixou de responder por tentativa feminicídio após atear fogo na companheira no Paraná incendiou, 6 anos antes, a casa de uma ex

Mulher é filmada 'em chamas' dentro de casa, no Paraná
José Rodrigo Bandura incendiou a casa de uma ex-companheira, em Ivatuba, no Norte do Paraná, seis anos antes de ter ateado fogo na em outra ex-namorada, em Maringá, na mesma região do estado. Neste caso mais recente, uma decisão da 1ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Paraná definiu que ele não vai mais responder pelo crime de tentativa de feminicídio.
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Na situação de novembro de 2019, a RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, teve acesso ao boletim de ocorrência em que Polícia Militar registrou ter encontrado José armado. A vítima, então companheira dele, disse aos policiais que os dois tinham brigado e que foi ofendida e agredida por ele. Depois, ele ingeriu bebida alcóolica, se feriu na barriga com uma faca e ateou fogo na casa dela.
O boletim ainda cita que, quando os policiais chegaram ao local, havia caminhões-pipa e "um grande número de pessoas aglomeradas e com ânimos alterados". À época, ele foi preso.
Em 2024, a outra mulher que teve o corpo incendiado por ele em 2025 registrou um boletim de ocorrência de violência doméstica. No documento, ela disse aos policiais que José tinha chegado alterado em casa, estando possivelmente alcoolizado e sob o efeito de drogas. Com medo, ela acionou a polícia via 190 e José foi embora da casa.

"Ainda que esteja comprovada a autoria delitiva, inexistem nos autos indícios, ainda que mínimos, acerca do ânimo de matar do recorrente, restando demonstrado que ele agiu com vontade de lesionar a vítima. [.] Com efeito, a prova produzida indica que, logo após dar início às chamas, o réu passou a agir no sentido de conter o resultado por ele próprio desencadeado. Em seu interrogatório, afirmou que tentou apagar o fogo imediatamente, auxiliando a vítima, conduzindo-a até a piscina, onde as chamas foram extintas. Acrescentou que permaneceu ao seu lado durante todo o tempo, prestando auxílio contínuo após o ocorrido", considerou o relator na decisão.

José Bandura foi denunciado por tentativa de feminicídio.
Reprodução
Procurado para se pronunciar sobre o caso, o TJ-PR informou que o processo está em sigilo, mas confirmou que Bandura continua preso preventivamente. O tribunal também informou que o caso tem indicação para ir a júri popular, mas ainda não há previsão de quando isso deve acontecer.

O Ministério Público do Paraná (MP-PR) disse em nota que os autos do processo foram remetidos na terça-feira (19) ao setor de Recursos Criminais, que vai analisar a possibilidade de recurso da decisão. Disse também que a 23ª Promotoria de Justiça de Maringá vai se manifestar nos autos do processo pela manutenção da prisão preventiva do acusado.
A ex-companheira de Bandura sobreviveu ao ataque, mas teve 30% do corpo queimado e passou mais de 40 dias internada. Em entrevista à RPC, afiliada da TV Globo no Paraná, a vítima, que não quis ser identificada, disse que recebeu a notícia com "muita revolta e desespero".

"Tenho medo mesmo de que ele saia, de uma possível soltura dele e de que ele concretize aquilo que ele tentou fazer. Só o fato de ele ter jogado álcool e ter ateado fogo já é uma situação que é clara de que ele tentou me matar", disse a mulher.

O advogado Marcelo Jacomossi, que atua na defesa de Bandura, considerou que esta é uma "decisão de enorme relevância para o caso". Também informou que protocolou um pedido de soltura do acusado e aguarda a manifestação do MP.

Relembre o caso
José Bandura usou um acendedor de churrasqueira e um isqueiro para colocar fogo na companheira, de 47 anos. O caso aconteceu no dia 4 de junho de 2025, no bairro Jardim Oriental em Maringá, no norte do Paraná, e foi registrado por câmeras de segurança. As informações são da denúncia feita contra ele pelo Ministério Público do Paraná (MP-PR).

Em chamas, a mulher tentou correr em direção a um tanque da lavanderia mas foi jogada no chão por Bandura, segundo a denúncia. Ela foi segurada no chão, mas conseguiu se soltar e se arrastou até a piscina, onde ficou por alguns segundos. Em seguida, ela saiu e foi para o banheiro, onde aguardou a chegada da Polícia Militar.

A mulher foi filmada por câmeras de segurança com o corpo em chamas dentro de casa. Assista ao vídeo abaixo:
Mulher é filmada 'em chamas' dentro de casa, no Paraná
Segundo o órgão, a mulher teve queimaduras de terceiro grau na parte superior do rosto, cabeça e tórax e passou por cirurgia.
Ela chegou a ficar internada na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do Centro de Tratamento para Queimados (CTQ) do Hospital Universitário de Londrina , de onde só saiu no dia 27 de junho de 2025.
Conforme a denúncia, Bandura e a companheira mantinham um relacionamento há aproximadamente três anos. Eles foram morar juntos um mês antes do crime. Neste tempo, consta no documento que as brigas entre os dois se intensificaram.

Mulher teve 30% do corpo queimado
Reprodução/RPC Maringá
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