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Gestão financeira ainda é gargalo nas propriedades rurais de SC

A safra de grãos de 2024/2025 em Santa Catarina foi a maior da história, conforme divulgou o Governo do Estado. Ao todo, o estado produziu 7,85 milhões de toneladas, o que representou um crescimento de 20,7%. O Valor da Produção Agropecuária também cresceu, e chegou a R$ 63,8 bilhões, segundo dados do IBGE analisados pela Epagri/Cepa. Com isso, o estado se posicionou entre os oito maiores polos do agronegócio brasileiro.

No entanto, esse crescimento ainda enfrenta um desafio: atualmente, muitos produtores não sabem estimar com precisão os custos de produção ou o fluxo de caixa. Atualmente, 78% das propriedades rurais catarinenses atuam no modelo de agricultura familiar, e muitas delas não têm a estrutura suficiente para fazer uma gestão de finanças robusta.

Em grandes propriedades do agronegócio empresarial, softwares de gestão já fazem parte da rotina, para calcular custeio por atividade e fluxo de caixa. Na agricultura familiar, o cenário é outro, já que muitos produtores fazem o controle de forma manual.

Hoje, o Centro de Pesquisa para Agricultura Familiar (CEPA), braço da Epagri, tem contribuído para mudar o cenário ao monitorar os indicadores econômicos de propriedades rurais catarinenses há décadas. A instituição utiliza a plataforma Infoagro, e entrega gratuitamente para os agricultores do estado um levantamento de custos de produção para as principais culturas e criações do estado: milho, soja, suínos, frango, leite e maçã.

Ainda, o Observatório Agro Catarinense organiza dados de preços, safras e mercado para subsidiar decisões no campo.A Epagri reconhece, porém, que a maior parte dos usuários dessas plataformas são técnicos e extensionistas, não diretamente os produtores.

Decisões amparadas em dados muda o cenário
Quando um produtor rural atua sem acesso a informações e índices, ele pode agir no entusiasmo e plantar mais do que a capacidade de produção da propriedade, o que pode gerar gastos. Para contornar esses riscos e capacitar os agricultores em gestão, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar/SC) promove, desde 2013, o programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG).
O principal objetivo do programa é oferecer, ao mesmo tempo, um modelo de assistência técnica com consultoria gerencial e ações de formação profissional. Além de os produtores terem acesso a cursos e capacitações, eles são acompanhados por técnicos especialistas em gestão, que ajudam a medir custos e resultados econômicos. A ideia é permitir que eles atuem de uma forma mais autônoma, com domínio de tecnologia e formas de manejo que gerem desenvolvimento para os negócios.

Esse acompanhamento continuado permite ao produtor calcular a margem por atividade e tomar decisões de plantio e investimento com base em dados, não em percepção. Além disso, permite que o produtor se profissionalize e passe a tomar decisões ainda mais assertivas na produção, o que reverte em crescimento econômico.

Cenário é desafiador, mas tem evoluído
Embora o estado tenha evoluído na gestão rural, o cenário ainda é desafiador. Segundo o Senar, os três principais obstáculos para a adoção da gestão formal nas propriedades rurais são o analfabetismo digital, a falta de tempo e a resistência cultural. A instituição divulgou, ainda, que quem busca os treinamentos são agricultores que já enfrentaram dificuldades financeiras ou estão em processos de sucessão.

O Sebrae-SC também atua para mudar esse cenário, com consultoria para pequenos negócios do campo, entre eles,agroindústrias e produtores rurais. Segundo a entidade, um desafio é a confusão entre as finanças da propriedade e as finanças pessoais da família, que impede uma avaliação real do desempenho do negócio.

Outro motor que impulsiona os produtores rumo à profissionalização é o cooperativismo. Em Santa Catarina, mais de 4,2 milhões de pessoas têm vínculo com o sistema cooperativista, conforme o Sistema Ocesc. Os agricultores que fazem parte desse número tendem a ter mais acesso a profissionalização, além de adotar padrões de controle mais rígidos na produção.

A transição para uma gestão baseada em dados, embora gradual, deve motivar uma mudança estrutural na competitividade do campo catarinense.

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