PM Lucas Torrezani e o músico Guilherme Rocha
Reprodução
Foi condenado a 32 anos de prisão o ex-policial militar Lucas Torrezani, julgado pela morte do músico Guilherme Rocha, em abril de 2023, em Vitória. O julgamento aconteceu nesta quarta-feira (20), no Fórum Criminal da capital.
O conselho de sentença decidiu pela condenação do ex-PM pelos crimes de homicídio qualificado por motivo fútil e de recurso que dificultou a defesa da vítima, além do crime de abuso de autoridade, em razão da utilização indevida da condição de agente público.
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Sobre o crime de homicídio, a pena é de 30 anos de reclusão, e do abuso de autoridade, 2 anos de detenção.
O réu vai cumprir as penas separadamente, sendo a primeira, em regime inicialmente fechado. A defesa já recorreu à decisão do júri.
"A defesa já recorreu, sempre defendemos os jurados mas no nosso entendimento é que em alguns pontos ocorreu um erro na decisão. Inclusive pedimos que constasse na ata o recurso da defesa", disse o advogado Charles Boneli. O crime
Guilherme foi morto no dia 17 de abril de 2023, dentro de um condomínio no bairro Jardim Camburi, em Vitória.
O crime foi registrado por câmeras de segurança. As imagens mostram o momento em que Torrezani saca a arma da cintura e atira contra Guilherme, que cai no chão sem receber socorro do atirador.
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Segundo a investigação, a discussão entre os dois começou por causa de som alto no condomínio. Guilherme Rocha tinha 37 anos, era músico e bacharel em Direito. Familiares descreveram a vítima como uma pessoa alegre, brincalhona e muito próxima da família.
"Ele era uma pessoa muito alegre, muito brincalhão, tudo era sorriso, era gozador até demais, era alegria da casa. A gente sente a falta daquelas brincadeiras dele com o irmão. Então um fica um pouco escuro para nós convivermos ainda com a saudade do Guilherme. Cada dia é um novo dia”, disse o pai da vítima, Glicio da Cruz.
Julgamento
O julgamento ocorreu em júri popular no Fórum Criminal de Vitória. Pelo menos nove testemunhas foram ouvidas presencialmente, além do próprio réu.
Na última semana, a defesa do ex-PM tentou adiar o julgamento, mas o pedido foi negado pela Justiça.
Fórum Criminal de Vitória, Espírito Santo
Reprodução/TV Gazeta
O promotor de Justiça Rodrigo Monteiro afirmou que o Ministério Público reuniu um conjunto robusto de provas contra o acusado e classificou a motivação do crime como “ridícula” e “inexpressiva”.
“São muitas provas: vídeos, depoimentos, laudos e elementos produzidos no processo administrativo da Polícia Militar”, declarou.
Segundo ele, o fato de o crime ter sido cometido por um policial militar com arma da corporação agravou a situação.
Prisão em unidade comum
Lucas Torrezani foi preso após o crime e, inicialmente, ficou detido no presídio da Polícia Militar, no Quartel da PM, em Vitória. No entanto, depois de ser expulso da corporação, em dezembro de 2024, foi transferido para a Penitenciária de Segurança Média 1, em Viana, na Região Metropolitana de Vitória.
Ausência de provas para amigo
Jordan Ribeiro de Oliveira, amigo de Lucas que estava presente no momento do crime e participou da discussão entre os vizinhos, respondeu por homicídio mas em liberdade.
A defesa de Jordan informou que a Justiça decidiu pela impronúncia dele no processo, ou seja, entendeu que não havia provas suficientes para levar o cliente a júri popular.
Segundo o advogado Rafael Almeida, a decisão reconheceu que a "a presença no local e a intervenção física visavam apenas apartar o conflito, e não auxiliar no crime. O próprio Ministério Público, reconhecendo a insuficiência de provas, requereu a impronúncia em suas alegações finais". A impronúncia foi determinada em 18 de dezembro de 2024.
Um terceiro rapaz que estava no grupo não participou da briga, segundo a Polícia Civil, e por isso, respondeu apenas como testemunha do crime.
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Relembre o caso O crime aconteceu na madrugada do dia 17 de abril de 2023 e a ação foi filmada, mostrando inclusive o momento em que o policial militar atirou no vizinho. Lucas atirou em Guilherme após a vítima reclamar do som alto em frente ao seu apartamento, dentro do condomínio em que os dois moravam no bairro Jardim Camburi.
Na madrugada do crime, após a vítima pedir por três vezes para que Lucas Torrezani, Jordan Ribeiro de Oliveira e um terceiro amigo que estava no local diminuíssem o barulho, uma discussão aconteceu.
Durante a briga, Jordan deu um empurrão em Guilherme que o fez perder o equilíbrio, sem chance de se defender.
Na sequência, o disparo foi feito por Lucas, e não esboçou nenhuma reação, continuou segurando a arma, deu um gole na bebida e apenas assistiu à agonia de Guilherme no chão.
Guilherme Rocha, músico morto com tiro por PM em Vitória.
Reprodução/Redes sociais
PM impediu esposa de se aproximar da vítima
O inquérito apresentado pela Polícia Civil apontou que, após o tiro, Lucas impediu que a esposa da vítima saísse para prestar socorro.
“Quando eu saí de casa e vi o Guilherme eu queria socorrer ele, encostar virar o rosto dele, pra ajudar que ele respirasse… Eu lembro que eu gritei muito, empurrei a porta, mas o Lucas deu um chute e fechou a porta. A minha filha também veio e foi ela quem me puxou pra dentro de casa. No meu desespero, foi ela quem conseguiu me levar para dentro de casa. Quem diria que uma menina de 12 anos ia ter esse discernimento. O meu medo era o quê? Dele entrar e matar nós duas. Ele já tinha feito né”, falou Janaina Morais.
A síndica do condomínio Mônica Bicalho também chegou à cena do crime logo após ouvir o disparo de casa. Ela e os outros moradores também não conseguiram se aproximar de Guilherme.
Antes de ser preso, ainda no dia do crime, o soldado da PM criou um grupo em uma rede social para combinar versões do crime com amigos. E zombou da morte de Guilherme, escrevendo "Não queria silêncio? Eu dei a ele o silêncio eterno".
Uma semana após o crime, a síndica instalou mais uma câmera externa na entrada de cada um dos blocos do condomínio.
“Eu dou graças a Deus que tinha pelo menos uma câmera interna ali, se não ia ser como? Como essa história ia ficar? A gente não ia saber o que aconteceu, ia valer o que fosse contado”, disse Mônica.
O soldado foi notificado pelo condomínio algumas vezes. Contra ele havia seis reclamações por barulho feitas nos primeiros meses de 2023, sendo cinco reclamações feitas por Guilherme.
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