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Entregador é espancado e ameaçado com arma que teria sido emprestada por PM em fast food no Recife; VÍDEO

Entregador por aplicativo foi agredido no Recife
Um entregador de 21 anos foi espancado por um homem no estacionamento de uma lanchonete da rede de fast food McDonald's, no bairro das Graças, na Zona Norte do Recife. Colegas da vítima filmaram o agressor ameaçando o jovem enquanto segurava uma arma, que, segundo a denúncia, ele pegou emprestada de um policial militar que frequenta o local (veja vídeo acima).
Ao g1, o entregador, que pediu para não ter seu nome divulgado, disse que levou coronhadas na cabeça, além de socos e chutes no rosto e no corpo após ser derrubado. O agressor foi autuado em flagrante por lesão corporal, segundo a Polícia Civil. O homem foi identificado como Clécio Sylo de Freitas Cavalcante, de 29 anos. O g1 tenta contato da defesa dele.
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O caso aconteceu em 14 de maio, por volta das 21h30, na Avenida Agamenon Magalhães, em frente ao Parque Amorim, e é investigado pela Polícia Civil e pela Corregedoria da Polícia Militar.

As imagens da confusão mostram o agressor, de casaco cinza, com uma arma na mão e gesticulando. O jovem aparece caído no chão. Em outro vídeo, gravado após a chegada da Polícia Militar, é possível ver o agressor com o tênis e a barra da calça da perna esquerda sujos de sangue.
O entregador disse que tinha ido buscar um pedido quando foi abordado pelo agressor, que, segundo ele, trabalha como vigilante na unidade. Procurada, a McDonald's negou que o homem seja segurança do local e tenha vínculo com a rede (veja resposta abaixo).
"Quando retirei o pedido e estava me deslocando para minha bicicleta, fui abordado pelo tal de Clécio, que me abordou como se fosse um 'polícia', sendo que não era, portando uma arma ilegal, porque ele não tem porte, e perguntou se eu estava com alguma coisa de errado. Eu falei que não", afirmou.
Depois disso, de acordo com a vítima, o agressor mandou o trabalhador deixar o lanche do pedido que tinha pegado no chão e perguntou "o que mais faltava" para que o entregador parasse de "perturbar" naquele estabelecimento, começando a espancá-lo em seguida.
"Fiquei até surpreso e falei: "oxe!". Quando eu disse isso, começou a agressão. Ele deu coronhada, murro, chute quando eu estava no chão. Depois, tirou o celular da mão, como se fosse me gravar, com o flash assim na cara, a câmera apontando para mim e a arma, dizendo que me mata, que, se eu quisesse voltar lá de novo, ele voltava", contou.
Arma emprestada de PM
Segundo o entregador, a arma que o homem usava tinha sido emprestada por um policial militar, identificado como Alexandre Sales de Luna, que também seria um segurança do restaurante.

O g1 perguntou à McDonald's se ele trabalha no local, mas não recebeu resposta até a última atualização desta reportagem. Já a Polícia Militar disse que o PM se encontra em licença especial e não está em atividade no momento. O motivo da licença não foi informado. O g1 tenta contato com a defesa do policial.
Conforme o relato da vítima, ao ver que as pessoas ao redor estavam filmando a confusão, o homem devolveu a arma para o PM, que guardou o armamento no carro. Minutos depois, chegaram dois policiais da Companhia Independente de Policiamento com Motocicleta (Rocam).
Em seguida, veio uma viatura da Polícia Militar. Ferido, o entregador disse que foi colocado no camburão do veículo e levado para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, na área central da cidade. Os outros dois envolvidos seguiram em carro particular para a Central de Plantões da Capital, no bairro de Campo Grande, na Zona Norte.
"O policial, que ficou conversando com os dois [no momento da ocorrência], mandou eu ir na mala e eu dizendo que queria ir no banco. Ele mandando ir para a mala, e eu fui na mala", afirmou.
Após quase quatro horas de atendimento no HR, o entregador disse que foi levado na viatura para a Central de Plantões, onde prestou depoimento e registrou um boletim de ocorrência.
O jovem contou que trabalha como entregador de aplicativo há seis anos, pela plataforma iFood, e disse que nunca teve nenhum desentendimento com o homem que o agrediu nem com o policial que teria emprestado a arma ao agressor.

Segundo ele, os dois frequentam o estabelecimento há aproximadamente um ano e o motivo das agressões teria sido o local onde o jovem deixava sua bicicleta.
"O povo fala que provavelmente foi pela bicicleta, que estava no num local onde eles agora estão dando uma ordem dizendo que não pode. Um dia antes, eu estava botando a bicicleta nesse local. No outro dia, no dia em que aconteceu [a agressão], eu estava botando a bicicleta no local que eles disseram que era para colocar", disse.
Entregador por aplicativo é agredido com chutes e coronhadas no Recife
Reprodução/Whatsapp
A Polícia Civil informou que abriu um inquérito para apurar o caso e que, após a autuação do agressor, registrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) contra ele. Após prestar depoimento, o homem foi liberado. O g1 perguntou à corporação se o policial que teria emprestado a arma também foi autuado, mas não obteve resposta.
O advogado Carlos Veras, que representa o entregador, afirmou que vai acompanhar as apurações do caso. "A gente vai requisitar a indenização que é aplicada pelo iFood e também vamos buscar uma reparação civil em decorrência do episódio que pode ter ocorrido ali por algum tipo de ação também do estabelecimento comercial", declarou.
Procurada, a Polícia Militar disse que vai apurar a denúncia do empréstimo de arma pelo policial de licença. De acordo com a corporação:.

"após ser acionada por populares, a equipe policial seguiu até o local e encontrou a vítima, que foi socorrida para a UPA mais próxima";
"após o atendimento médico, a vítima, o suspeito e um policial militar que estava presente no momento do fato, foram encaminhados à Central de Plantões da Capital";
"por meio da Delegacia de Polícia Judiciária Militar, instaurou apuração de caráter disciplinar para identificar possíveis responsabilidades".
O g1 perguntou à PM por que a vítima foi levada no camburão para o hospital, mas não obteve resposta.
O que dizem o iFood e a McDonald's
A McDonald's afirmou, por meio de nota, que "apurou o ocorrido com rigor e esclarece que o suposto agressor não possui vínculo com o McDonald’s". A empresa também reforçou que "repudia veementemente qualquer forma de violência".
O g1 procurou o iFood, para confirmar se foram notificados do ocorrido e se o entregador receberá algum tipo de apoio ou indenização. A empresa disse que disponibilizou "suporte e acolhimento ao entregador por meio da Central de Apoio", mas não informou quais foram essas medidas.
Disse, ainda, que "não tolera qualquer forma de violência envolvendo entregadores, clientes e estabelecimentos" e que "mantém, há anos, um compromisso no combate à discriminação e à violência e atua para garantir um ambiente mais seguro e respeitoso a todos os integrantes do seu ecossistema".

"Casos de agressão são tratados com seriedade e acompanhamento, reforçando o compromisso da empresa com a proteção, a dignidade e o bem-estar dos entregadores", declarou a empresa. VÍDEOS: mais vistos de Pernambuco nos últimos 7 dias

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