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Procurador-geral manda reabrir investigação sobre ambulante senegalês morto por PM em SP

Video mostra que senegalês morto pela PM não estava vendendo mercadorias
O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa, determinou na segunda-feira (18) a reabertura da investigação sobre a morte do ambulante senegalês Ngange Mbaye, morto por um policial militar após uma operação na região do Brás, no Centro da capital, em abril de 2025.
Naquele dia, Ngange havia acabado de sair de um restaurante onde almoçou e se dirigia ao carrinho onde mantinha sua mercadoria, que estava lacrada na calçada, quando foi abordado por fiscais da prefeitura e policiais militares. Imagens de câmeras de segurança divulgadas pelo g1 mostram que ele não comercializava produtos no momento da abordagem. (Veja acima.)
Durante a ação, houve confronto. Para impedir a apreensão da mercadoria, Ngange utilizou uma barra de ferro e atingiu o policial. Em seguida, o policial Paulo Junior Soares de Carvalho efetuou um disparo que acertou o abdômen do ambulante. (Leia mais abaixo.)
Em fevereiro, o caso foi arquivado após pedido do Ministério Público. Na sua manifestação, o promotor Lucas de Mello Schaefer entendeu que o policial agiu em legítima defesa, em reação a uma “injusta agressão”, e fez “uso moderado dos meios necessários”.

Na nova decisão, o procurador-geral designou outro promotor de Justiça para analisar o caso e oferecer denúncia contra o PM Carvalho por homicídio.
Ngange realizando pagamento no restaurante onde almoçava.
Reprodução
Ação de fiscalização
Segundo o Ministério Público, sete PMs prestavam apoio à fiscalização da prefeitura. Eles trabalhavam em Operação Delegada — convênio firmado entre o governo estadual e os municípios que permite a policiais militares trabalharem em dias de folga no reforço do policiamento, com foco, entre outras atribuições, no combate ao comércio irregular.
Nenhum dos policiais envolvidos utilizava câmera corporal, justamente por estarem em Operação Delegada.
Um funcionário terceirizado responsável pela fiscalização afirmou, durante a investigação, que a orientação inicial era apenas dispersar os ambulantes, sem apreender mercadorias, devido ao efetivo reduzido e para evitar confronto.
Contudo, não foi o que aconteceu naquele dia. As imagens da ocorrência, no entanto, mostram policiais tentando retirar os itens de Ngange. É possível ver um dos agentes desferindo golpes de cassetete contra ele, que reage com uma barra de ferro. Na sequência, um policial aponta uma arma de fogo em sua direção.
Ambulante senegalês morre após ser baleado por PM durante confusão em abordagem
Em depoimento, Paulo Junior Soares de Carvalho, PM responsável pelo disparo, diz que ouviu um fiscal dizendo que iria apreender a mercadoria do senegalês. Como Ngange tentou fugir, eles correram atrás dele.
Segundo o policial, o ambulante pegou uma barra de ferro e partiu para cima dos policiais. Depois o senegalês correu mais um pouco e foi acompanhado por mais ambulantes. Inicialmente, o PM usou um cassetete contra eles, mas o confronto continuou.
Por isso, teria sacado a arma e atirado. Também afirmou que não havia taser na equipe e que o gás de pimenta usado pelos colegas não surtiu efeito no grupo. Já o funcionário terceirizado contou que o spray de pimenta foi usado somente após o disparo.

Após ser baleado, Ngange foi levado à Santa Casa de Misericórdia, onde não resistiu aos ferimentos.

Na época da morte, organizações de direitos humanos afirmam que o episódio representava mais uma manifestação "do padrão de violência institucionalizado pelas forças de segurança pública de São Paulo, sob a responsabilidade do governador Tarcísio de Freitas e do secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite".
Ambulante senegalês morre após confusão com PM em abordagem no Brás, Centro de SP
Arquivo Pessoal

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