Operação para recuperar mergulhadores mortos em caverna submarina ganha reforço
Três mergulhadores finlandeses experientes em missões de alto risco fazem parte da equipe de resgate dos corpos dos italianos que morreram na última semana durante uma expedição em cavernas subterrâneas nas Maldivas.
O grupo faz parte da Divers Alert Network Europe (DAN), fundação europeia especializada em medicina, segurança e seguros para mergulhadores, e foi enviado para auxiliar as Forças de Defesa Nacional das Maldivas (MNDF) na operação.
Túneis e cavernas profundas: como é o local de 'alto risco' onde cinco italianos morreram durante mergulho
✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp
Eles participaram da missão que localizou, nesta segunda-feira (18), os corpos de quatro italianos desaparecidos após o acidente. A operação durou três horas e contou com o uso de equipamentos que reciclam oxigênio e permitem permanência mais longa em grandes profundidade.
Agora a equipe se prepara para recuperar os corpos das vítimas que devem ser retirados da caverna submarina nesta terça (19) e na quarta (20). O governo das Maldivas classificou a missão como de “alto risco” por envolver áreas submarinas consideradas perigosas até mesmo para equipes especializadas em resgate.
➡️Ao todo 5 mergulhadores italianos morreram, mas o corpo de um deles já havia sido resgatado na semana passada. O grupo explorava cavernas submarinas a cerca de 50 metros de profundidade no atol de Vaavu. Na região, a profundidade recomendada para mergulho recreativo gira em torno de 30 metros.
➡️Além dos italianos, um mergulhador que participava das buscas também morreu. O sargento-major Mohamed Mahudhee sofreu um problema de descompressão no sábado (16), durante as buscas, e não resistiu.
➡️Formado por pequenas ilhas, recifes de coral e canais oceânicos profundos, o atol de Vaavu, onde o incidente aconteceu, fica no Oceano Índico, a cerca de 65 quilômetros da capital Malé.
Super time de mergulhadores
Jenni Westerlund (à esqueda), Sami Paakkarinen (no centro) e Patrik Grönqvist (à direita).
Reprodução/Instagram
Os especialistas enviados para a missão são Sami Paakkarinen, Jenni Westerlund e Patrik Grönqvist. Segundo a DAN, os três têm ampla experiência em mergulho técnico e operações de busca em ambientes extremos.
🥽 Sami Paakkarinen
Sami Paakkarinen
Reprodução/Instagram
Sami Paakkarinen é mergulhador de cavernas, instrutor de mergulho técnico e cinegrafista subaquático. Ele mergulha desde 1995 e atua em explorações de cavernas e naufrágios desde 2004, segundo o podcast especializado em aventura ShaffDivesYouCrazy.
Paakkarinen descobriu naufrágios históricos da Segunda Guerra Mundial no Mar Báltico e ajudou a mapear sistemas complexos de cavernas. Segundo a agência italiana Ansa, ele liderará a equipe de resgate nas Maldivas.
Baseado na Finlândia, Sami ministra cursos de mergulho técnico em diferentes países. Integrante das equipes Divers of the Dark e Nordic Explorers, participou de expedições em cavernas consideradas desafiadoras e da descoberta de naufrágios no Mar Báltico.
Em 2014, Sami participou de uma complexa operação de recuperação de corpos na Noruega.
Na época, dois mergulhadores finlandeses morreram durante uma expedição no vale de Plura, uma das cavernas submersas mais profundas do mundo, a mais de 100 metros de profundidade.
As autoridades norueguesas consideraram a recuperação arriscada demais, mas amigos das vítimas organizaram uma missão própria para retirar os corpos.
A história inspirou o documentário “Diving into the Unknown” (“Mergulho no desconhecido”), lançado na Finlândia.
🥽Patrik Grönqvist
Patrik Grönqvist
Reprodução/Instagram
Patrik Grönqvist trabalha como bombeiro e mergulhador de resgate no Corpo de Bombeiros de Helsinque, na Finlândia. Também atua como fotógrafo subaquático e já participou de explorações em cavernas do sul da Europa, segundo o site especializado em mergulho Seacraft.
Ele tem mais de 30 anos de experiência em mergulho técnico e se dedica principalmente a operações em minas e cavernas submersas.
Ele tem mais de 30 anos de experiência em mergulho técnico e se dedica principalmente a operações em minas e cavernas submersas, de acordo com o site.
O resgate nas Maldivas não é a primeira operação em que Grönqvist e Paakkarinen atuam juntos. Patrik também participou da missão na caverna Plura, na Noruega, em 2014.
Durante a tragédia na Noruega, Patrik viu um dos amigos morrer durante a expedição, segundo uma reportagem da BBC Internacional.
Ele foi um dos mergulhadores responsáveis pelos mergulhos mais profundos da operação, retratada no documentário “Mergulho no Desconhecido”.
🥽Jenni Westerlund
Jenni Westerlund
Reprodução/Instagram
Jenni Westerlund, a terceira integrante da equipe de resgate nas Maldivas, é especializada em operações em cavernas e ambientes profundos.
Segundo o portal especializado ScubaDivingIndustry, ela tem experiência em ambientes confinados e exigentes, incluindo minas inundadas e sistemas de cavernas.
Westerlund também é especialista em mapeamento e filmagem subaquática e colabora há anos com Paakkarinen e Grönqvist, de acordo com a agência italiana de notícias Ansa.
O que aconteceu
Muriel Oddenino (à esqueda), Giorgia Sommacal (no centro) e Monica Montefalcone (à direita)
LinkedIn, Instagram e Universidade de Gênova
O grupo de italianos fazia em um mergulho matinal perto de Alimathaa, uma das ilhas das Maldivas, e foi dado como desaparecido após não retornar à superfície até o meio-dia de quinta-feira, de acordo com os relatos iniciais.
As condições climáticas eram descritas como desfavoráveis na ocasião, e havia alerta amarelo de mau tempo em vigor.
“Após um acidente ocorrido durante uma excursão de mergulho, cinco cidadãos italianos morreram no Atol Vaavu, nas Maldivas”, afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Itália na quinta-feira (14).
Entre as vítimas estão:
Monica Montefalcone, professora associada de Ecologia da Universidade de Gênova;
Sua filha Giorgia Sommacal, estudante de Engenharia Biomédica.
Muriel Oddenino di Poirino, pesquisadora de Turim;
O instrutores de mergulho Gianluca Benedetti, de Pádua;
E Federico Gualtieri, também instrutor de mergulho e recém-formado em Biologia Marinha e Ecologia pela Universidade de Gênova.
As Maldivas, um arquipélago formado por 1.192 ilhas de coral espalhadas por cerca de 800 quilômetros no Oceano Índico, são um destino turístico de luxo muito popular entre os mergulhadores por seus complexos remotos e barcos de mergulho com alojamentos a bordo, de acordo com a agência francesa AFP.





