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Após cinco anos, família consegue na Justiça levar restos mortais de indígena morta por Covid para aldeia no AC: ‘Luta incansável’

Família indígena consegue levar restos mortais de matriarca de volta à aldeia no Acre
Após quase cinco anos de espera e uma longa batalha judicial, a família de Santa Batista Brandão Shanenawa, matriarca do povo Shanenawa que morreu após ser infectada com Covid-19 em 2020, conseguiu autorização da Justiça para transferir os restos mortais dela de Cruzeiro do Sul, interior do Acre, para a Aldeia Nova Vida, localizada na Terra Indígena Katuquina/Kaxinawa, em Feijó.
No novo local, será feito um velório simbólico seguindo os costumes tradicionais do povo indígena. Tanto a remoção dos restos mortais como o ato fúnebre de Santa Batista estão previstos para ocorrerem no início de junho.

Para a cultura Shanenawa, Santa Batista deve ser enterrada próxima das pessoas com quem conviveu quando ainda estava viva
Arquivo pessoal
Reencontro espiritual
Para a cultura Shanenawa, de acordo com Francineudo, sua mãe deve ser enterrada próxima das pessoas com quem conviveu quando ainda estava viva.
Mãe de nove filhos, Santa Batista desempenhava um papel fundamental na comunidade como conselheira, pajé, parteira, artesã e a matriarca que ensinava falar a língua indígena.
“Para nossa cultura, ela estava perdida. Ela foi enterrada longe do território, no meio de pessoas que não conhecia. Agora vai voltar para perto do nosso pai e do nosso povo”, afirmou.
Santa Batista desempenhava um papel fundamental na comunidade como conselheira, pajé, parteira, artesã e matriarca que ensinava falar a língua indígena
Arquivo pessoal
Ao chegar na Aldeia Nova Vida, a família pretende realizar uma noite inteira de velório simbólico, com rezas, rituais tradicionais e uma grande refeição para a comunidade, atendendo a um pedido feito pela própria Santa Batista antes de morrer.
“Ela dizia que no velório dela queria muita comida para as pessoas que fossem se despedir. Não queria café e bolacha, queria sopa e janta para os convidados. Nós vamos cumprir esse desejo dela”, descreveu.
Para o povo Shanenawa, segundo Francineudo, o retorno da matriarca à aldeia representa não apenas uma despedida que não pôde acontecer durante a pandemia da Covid-19, mas também um reencontro espiritual e cultural com o território e os ancestrais.
“Nós queríamos que ela fosse enterrada ao lado do meu pai que morreu em 2002. Se eu morresse hoje, morreria feliz porque vou conseguir trazer o corpo da minha mãe para perto do meu pai onde ela poderá descansar pela eternidade”, declarou com emoção.
Retorno da matriarca à aldeia representa um reencontro espiritual e cultural com o território e os ancestrais
Arquivo pessoal
VÍDEOS: g1

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